Analistas do Comportamento no Brasil

Ao perceber a dificuldade de muitos pais para encontrar psicólogos que trabalhem com crianças e adolescentes surgiu esta página com profissionais Analistas do Comportamento no Brasil.

Para facilitar a pesquisa, os profissionais estão separados por Estado
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Entrevista com o psicólogo Jan Luiz Leonardi sobre déficit de atenção e hiperatividade no programa Mulheres (TV GAZETA).

Jan Luiz Leonardi é psicólogo formado pela PUC-SP, especialista em psicologia clínica pelo Núcleo Paradigma e mestre em análise do comportamento pela PUC-SP. É professor de cursos de pós-graduação do Núcleo Paradigma e palestrante convidado de diversos eventos científicos na área da Psicologia, com participações em São Paulo, Jundiaí, Campinas, Campos do Jordão, Brasília, Salvador, Londrina, Maringá, Porto Velho, entre outras. Atua como psicoterapeuta de adolescentes, adultos, casais e famílias no Núcleo Paradigma e na clínica Medicina do Comportamento, sob a direção médica geral da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva.
 
 


Maus-tratos psicológicos são tão prejudiciais às crianças quanto agressões físicas

Em artigo, especialistas americanos afirmam que esse tipo de conduta é a forma mais comum de abuso na infância e, assim como punições físicas, pode causar diversos problemas comportamentais ao longo da vida

Maus-tratos psicológicos: excluir, aterrorizar e desprezar uma criança são
condutas que afetam a saúde delas tanto quando agressões físicas (Thinkstock)

Maus-tratos psicológicos — como depreciar, denegrir, ridicularizar, aterrorizar, explorar e praticar bulliyng —  são tão prejudiciais à saúde de uma criança quanto punições físicas, afirmaram especialistas em um artigo publicado nesta segunda-feira na revista Pediatrics. Segundo os autores, que fazem parte da Academia Americana de Psiquiatria da Criança e do Adolescente (AACAP, sigla em inglês), esse tipo de conduta é a forma mais prevalente de abuso e negligência infantil e pode acarretar, ao longo da vida, problemas de relacionamento, de desenvolvimento e de educação, que costumam ser mais intensos quando os maus-tratos ocorrem nos primeiros três anos de vida da criança.
 
Como explica Harriet MacMillan, professor da Universidade McMaster, no Canadá, e um dos autores do relatório, os abusos psicológicos aos quais o artigo se refere são os casos mais extremos, que fazem com que uma criança se sinta frequentemente “inútil, desprezada ou indesejada”. Um pai que levanta a voz após ter pedido ao filho várias vezes para que ele calçasse o sapato, por exemplo, não pode ser considerado como um abuso psicológico. “Mas gritar com a criança todos os dias, fazendo com que ela pense que é uma pessoa horrível, é exemplo de uma relação potencialmente prejudicial à saúde dessa criança”, diz o especialista. “Todos os pais já tomaram atitudes das quais se arrependeram depois, mas um padrão crônico de menosprezo e negligência em relação aos filhos constitui um abuso psicológico”.


De acordo com MacMillan, embora o abuso psicológico contra crianças tenha sido descrito na literatura médica pela primeira vez há mais de 25 anos, e apesar de ser tão prejudicial quanto os outros tipos de maus-tratos, essa conduta é pouco reconhecida e notificada. Na conclusão do artigo, os autores destacam a importância de os médicos estarem atentos aos maus-tratos psicológicos apresentados pelos pacientes pediátricos — e que uma colaboração entre pediatras, psiquiatras e profissionais que trabalham com a proteção da criança é essencial para ajudar uma criança em risco de abuso.


Brasil — Embora esse artigo tenha apontado para os maus-tratos psicológicos como o tipo de violência mais comumente sofrido pelas crianças, dados do Brasil tiveram outros resultados. Em maio deste ano, o Ministério da Saúde divulgou um levantamento indicando que, no país, entre crianças de até nove anos de idade, os tipos de violência mais comuns são negligência e abandono (36%), seguidos de abuso sexual (35%). Entre jovens de dez a 14 anos, os principais abusos são os físicos (13,3%) e os sexuais (10,5%); e entre adolescentes de 15 a 19 anos, os principais tipos de violência são as físicas (28,3%) e as psicológicas (7,6%).


Fonte: Veja online

Palmadas e surras: reflexões sobre práticas coercitivas


Medidas punitivas são práticas educacionais milenares, bastante arraigadas na sociedade. A prova disso é a referência encontrada em provérbios bíblicos e culturais por todo o mundo, que as associam a amor, boa educação e até a salvação [1]. Seja concebida como medida acessória ou como prática essencial na educação dos filhos, verifica-se que em alguns momentos existe um limite tênue entre a palmada, a surra e os maus tratos à criança ou adolescente. É nesse contexto que o Estado [2] propõe a proibição da palmada e seus derivados, dividindo opiniões entre pais e educadores. O texto de hoje vem acrescentar à discussão uma reflexão em torno dessa prática para que, posteriormente, sejam propostas alternativas para a punição normativa.

O termo práticas educativas parentais denomina uma série de comportamentos que os pais apresentam na criação de seus filhos. Tais atitudes são transmitidas de geração em geração, não pela via genética, mas pelo fato de o sujeito aprender tais comportamentos na convivência com seus antepassados imediatos, e assim sucessivamente.

Passemos, então, ao seguinte raciocínio: se um comportamento é aprendido e é perpetuado ao longo das gerações, significa dizer então que este é selecionado historicamente. Suas consequências devem ser fortes o suficiente para que uma pessoa se comporte dessa forma. No entanto, isso não quer dizer que sejam somente comportamentos adequados os perpetuados: o mesmo processo vale para os comportamentos ditos inadequados. Por exemplo, quando uma pessoa privada de atenção (ou sem atenção suficiente) se lesiona diante de pessoas ocupadas, isso provavelmente busca olhares e investimentos de quem a rodeia. Apesar de provocar dor, é funcional porque foi aprendido na história de vida e é mantido pelas consequências (obter atenção social). Existem outros comportamentos alternativos com a mesma finalidade, mas a pessoa aprendeu que dessa forma obtém o que deseja, e quanto maior essa associação, maior a dificuldade de mudança.

Dito isso, fica o questionamento: quais são as consequências da punição física quando ela é adotada no manejo de comportamentos inadequados?

O primeiro efeito observado é o resultado imediato: o comportamento inadequado (aquele que é contrário ao que é socialmente aceito ou que traz risco a quem o executa ou a outras pessoas) é prontamente suprimido. Por exemplo, quando um pai surra uma criança por esta bater em seu irmão, é possível que a criança não tente fazê-lo novamente. É um efeito que acaba fortalecendo o comportamento do agente punidor, pela sua própria eficácia. No entanto, o comportamento inadequado pode reduzir a frequência inicialmente, mas pode voltar a ocorrer. Vejamos.

Ao ter seu comportamento punido, a pessoa aprende que não deve se comportar daquela maneira, pois assim teria punição, pelo menos diante daquele que puniu. Aproveitando o exemplo supracitado, a criança pode não brigar com o irmão na presença do pai (para evitar a punição), o que não quer dizer que deixará de bater diante de outra pessoa ou mesmo sozinho com o irmão. O que a população comumente defende ser a mais efetiva prática educativa, na verdade ocasiona uma operação de esquiva das consequências aversivas, tão somente, e não uma aprendizagem quanto ao modo certo de se comportar. Ainda no exemplo, a criança não aprenderá a ter comportamento amistoso, colaborativo, empático e amoroso com o irmão, pois isso não foi desenvolvido com o tapa recebido.

Assim, outro efeito que pode ser observado na punição corporal é que, por não aprender a se comportar de modo adequado, a pessoa pode buscar outras maneiras de fazer exatamente o mesmo, sem ser descoberta. É o caso de uma adolescente que está namorando precocemente. Ao receber punições, ela pode tanto deixar de namorar, quanto também pode mudar o horário das conversas ao telefone, mentir que rompeu o relacionamento, fugir de casa para encontrar o amante, ou mesmo não ouvir nenhuma orientação dos pais quanto a isso. Observe que, apesar da punição, ela continua tendo acesso a algo prazeroso, que é o namoro. É como se fosse um “estágio” que, embora sofrido, tende a passar e logo ela encontra algo reforçador que a fará “esquecer” da dor.

Na punição física, também se observa efeitos ligados às emoções de quem a recebe. A criança ou adolescente pode ter raiva do agressor, sobretudo quando ela não sabe a razão da agressão. Nesses momentos, ela pode usar-se de estratégias para ferir moralmente ou emocionalmente quem puniu, como por exemplo desafiar a bater mais forte ou mais vezes, ou dizer que não está doendo. Nem é preciso dizer que a raiva na relação entre ambos prejudica o clima familiar e a afetividade.

É comum observar que o jovem que tem seu comportamento punido obedece e respeita o pai punidor. Na verdade, complementando o que fora dito anteriormente, o que existe é o medo do agressor, que se tornou aversivo. Muitas vezes, no raciocínio da criança, estar diante dele pode sinalizar uma punição iminente, e o melhor é afastar-se (fugir) para evitar problemas futuros.

Caso as punições sejam inconsistentes, frequentes e que dependem do humor dos pais, o jovem pode desenvolver um quadro de desamparo aprendido, que se assemelha à depressão. Esse quadro se instala devido ao jovem não entender porque está sendo punido, nem por saber o que pode fazer de correto para evitar as consequências aversivas inesperadas.

A partir do momento em que pais associam amor à dor, como ao dizer “eu te bato porque quero seu bem”, a criança aprende que quem ama pode machucar, o que pode trazer disfunções em outros relacionamentos futuros (como submissão a violência conjugal, por exemplo). Excessos de punições corporais também apresentam o risco de a criança desenvolver em longo prazo comportamentos antissociais, como mentir, enganar, provocar e também reproduzir a agressão com outras pessoas.

Uma última consequência é a baixa autoestima: os excessos de eventos físicos aversivos podem produzir culpa, vergonha, crenças de baixa valia e de que seus comportamentos nunca são bons o suficiente para seus pais, o que repercute negativamente no autoconceito e em como a pessoa se apresenta socialmente.

Cabe agora um destaque para as diferenças descritivas entre palmada e surra, visto que muitos pais buscam defender que não batem nos filhos, mas apenas empregam uma “palmadinha”. Aqui vem uma provocação: qual é o limite entre a palmada e a surra?

Em um levantamento bibliográfico realizado em 2005 [3] constatou-se que os preditores da punição física são: irritação, raiva, estresse, mau humor, doença e infelicidade dos pais, dentre outros fatores. Dessa forma, percebe-se que ao punirem fisicamente seus filhos, os pais estão emocionalmente alterados. Então, o limite de uma modalidade para a outra é a força física, inversamente proporcional ao autocontrole e diretamente proporcional ao humor dos pais. Assim, é mais provável que haja uma palmada em infrações leves ou diante de um autocontrole maior da força e das emoções e uma surra diante de infrações mais graves, quando os pais estão de mau humor e quando não dosam o controle do castigo físico.

Quando os pais descontam nos filhos suas irritações, encontram uma maneira de extravasar suas emoções, ao passo em que verifica que o comportamento inadequado reduziu imediatamente de frequência. Muitas vezes, é para obterem alívio da raiva que pais adotam a punição física. Dessa forma, a punição corporal abandona o aspecto educativo e já se aproxima de agressão por envolver déficit no autocontrole dos pais.

Além disso, observa-se o limite tênue entre palmada e surra também quando há uso frequente dessa prática. Por exemplo, se uma criança se comporta de forma inadequada e recebe um castigo físico a cada reincidência, ela pode habituar-se diante dessa prática, de modo que não faz mais o mesmo efeito, ou seja, não suprime a frequência.

Por esse “costume” diante da punição, o familiar pode utilizar uma intensidade maior da força ou mesmo um tempo maior de punição física, o que, então, caracterizaria um nível mais profundo do castigo. Dessa forma, há uma progressão entre palmada, surra e espancamento de acordo com a ineficácia do método, que muitos pais só percebem quando de fato constatam os danos na criança.

Outro fato a ser observado é a força empregada na punição física e o crescimento infantil. À proporção do desenvolvimento infantil, maiores são as forças físicas empregadas. Como é possível, então, delimitar o que seria uma agressão em um adolescente, por exemplo?

Portanto, a palmada é a parte inicial de uma escala progressiva para a agressão. Os princípios são os mesmos de um espancamento, que é o uso da força e da coerção para intimidar uma pessoa. É difícil delimitar onde termina um e quando começa outro. É fato que educar filhos não é uma tarefa fácil: ela é contínua, para a vida toda, requer investimento, observação, conhecimento, flexibilidade, criatividade e muitas outras habilidades. Realmente, modelar um comportamento adequado é mais trabalhoso, é muito cômodo aplicar uma punição física: é fácil, rápida e tem efeito breve. Porém, como foi descrito, trazem alguns efeitos indesejáveis e, além disso, podem ser substituídas por outras medidas menos danosas.

Quando o projeto de lei proíbe a palmada, está indo de encontro a pais que aprenderam na sua experiência de vida que esta é uma alternativa válida, coesa com seus valores e crenças. De fato, com a proibição vem o sentimento de incompreensão, revolta e desamparo quanto ao que fazer. O projeto vem fazer o papel punitivo tal qual a palmada: não ensina a melhor maneira de educar os filhos, mas apenas normatiza a regra.

O objetivo deste texto foi apenas descrever o outro lado das punições normativas, provocando uma reflexão diante dos pontos abordados. Não se pretendeu aqui apenas iniciar a discussão sem realizar uma orientação mais pormenorizada. No entanto, as alternativas no manejo de comportamentos inadequados serão abordadas na próxima oportunidade.

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[1] A título de curiosidade, na Bíblia Sagrada, Pv 23, 13-14, tem-se: “Não poupes ao menino a correção: se tu o castigares com a vara, ele não morrerá; castigando-o com a vara salvarás sua vida da morada dos mortos”. Um provérbio russo diz: “Ama as crianças com o coração, mas educa-as com tua mão” e um provérbio grego estabelece que “Quem não foi bem castigado com a vara, não foi bem educado”.

[2] O Projeto de Lei da autoria da Deputada Federal do PT Maria do Rosário foi proposta em 2003 e recentemente foi aprovada pela Câmara dos Deputados, faltando apenas a aprovação do Senado e da Presidente.

[3] Brandenburg, O.J.; Weber, L.N.D. (2005). Revisão de literatura da punição corporal. Interação em psicologia, v.9, n.1, p.91-102.
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Juliana de Brito Lima é Psicóloga (CRP 11ª/05027), formada pela Universidade Estadual do Piauí e especializanda em Análise Comportamental Clínica pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC e Psicóloga do Centro Integrado de Educação Especial – CIES e da Clínica Lecy Portela, em Teresina-PI. Tem experiências acadêmicas (linha de pesquisa “Desenvolvimento da criança e do adolescente em situações adversas” do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná/ NAC-UFPR) e profissionais na área clínica (atendimento a criança, adolescente e adulto), jurídica e educação especial, na orientação de pais.
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Livro para criança: Domingo para sempre e outras histórias sobre nunca mais

Muita gente acusa o domingo como um dos dias mais chatos de toda a semana porque, afinal, uma hora ele acaba.

Mas já parou para pensar que, na verdade, a culpa pode ser da segunda-feira, que tomou o lugar daquele domingo feito para brincar e descansar?

E se, então, em vez de culpar um dia ou outro por acabar e começar, pensássemos no tempo como o principal personagem de tudo isso?

Entrando neste clima de que nada é para sempre, seja um dia ou uma vida, foi que o autor Celso Gutfreind escreveu o livro "Domingo para Sempre e Outras Histórias Sobre Nunca Mais".

Nas três narrativas que compõem a obra, os textos exploram os sentimentos e dúvidas envolvidas nos momentos mais gostosos da vida e os instantes que nunca mais serão como já foram.

Pode até parecer complicado tentando explicar assim, mas as histórias de Gutfreind contam situações que servem como metáforas para tantos outros momentos.

Em "Cantinho de Mágoa", o leitor acompanha as felicidades de Perpétua e sua avó, que em meio a saudades e sustos, aprendem a valorizar a alegria diária.

Já o conto "Vovó Vai para o Céu" mostra o amadurecimento da criança frente à passagem do tempo e sua compreensão de que nada é para sempre.

No último texto, "Domingo para Sempre", João é o garoto que acorda no domingo imaginando como seria se o mesmo domingo jamais acabasse. Pensando que poderia jogar bola o dia inteiro, ele começa a pensar e pensar mais um pouco sobre o lado bom e ruim das coisas se elas nunca mudassem.

Fonte: Folha.com

Ah, o primeiro amor…


No início, entre meninos e meninas existe uma relação de conflitos e indiferença. Passados alguns anos, conseguem conviver harmoniosamente e, ao brincarem juntos, nutrem um sentimento de querer-bem, uma vontade de ficarem mais tempo juntos. Muitas vezes, fazem brincadeiras – às vezes supersticiosas – para verificarem se o sentimento é correspondido, platonizando a relação. Como na infância ocorre um treino para o mundo adulto, não é de se estranhar que as crianças vivenciem amor para com seus colegas do sexo oposto. Porém, são necessários alguns cuidados para que elas não antecipem uma fase do desenvolvimento e, assim, deixem de viver plenamente a meninice.

No cotidiano clínico, verifica-se a presença de namoricos desde a mais tenra idade. Algumas vezes, o motivo da consulta é relacionado justamente a isso: ou os pais encontram dificuldades em abordar a questão, temendo a precocidade sexual; ou há repercussões negativas no desempenho acadêmico por falta de concentração ou interesse nos estudos (sendo este mais frequente em adolescentes). Geralmente, o contexto em que se aflora o interesse pelo colega é a própria escola, espaço de socialização mais significativo para crianças e adolescentes. Não existe uma faixa etária definida para as primeiras manifestações amorosas, mas sabe-se de algumas variáveis que influenciam o seu aparecimento. Mais uma vez, é o ambiente que interfere de forma mais expressiva.

Os adultos mais próximos da criança normalmente especulam sobre a existência de namoricos em crianças pré-escolares, geralmente quando verificam que o infante demonstra satisfação em interagir com uma criança do sexo oposto. Verifica-se uma influência maior quando se trata de meninos, pois é uma prática cultural modelar o comportamento galanteador desde cedo. Caso haja uma supervalorização disso, a família pode ensinar à criança que se espera dela um par, incentivando-a para essa busca, que não ocorrerá de forma natural.

Além disso, existe a influência do próprio modelo familiar, pois a criança observa as manifestações de carinho dos pais, associa um sexo ao outro, como algo que é socialmente esperado na fase adulta. E, pela infância ser um treino para as fases que vão se suceder, a criança reproduz relacionamentos afetivos nas brincadeiras e também com os colegas do sexo oposto com quem se identificam.

Comumente, em crianças pré-escolares, o “namoradinho” é aquele amigo com quem a criança gosta de brincar, com quem sente um carinho especial e, por isso, possui caráter de fantasia. Para elas, o namorico funciona mais como uma brincadeira, o melhor amigo, o preferido para conversar e ficar por perto.

Nesse treino afetivo, em crianças menores observa-se sentimentos de ciúmes do carinho estabelecido entre os pais. Um exemplo disso é quando eles se alcunham de “namorada do papai” ou “namorado da mamãe”. Justifica-se esse comportamento pelo fato de que eles ainda estão assimilando papeis sociais e sexuais, além do que experimentam a modalidade mais pura do amor, direcionando-a para aqueles que oferecem esse sentimento incondicionalmente. Mesmo que seja engraçada ou bonitinha essa declaração, é importante que os pais estabeleçam as diferenças dos papeis familiares, colocando a criança no seu papel de filho, não de namorado. Os pais, estes sim, são namorados um do outro. Embora haja sentimentos de amor entre filho e mãe (ou pai e filha), os papeis não se confundem, o amor é diferente. Por ser assim, permitem comportamentos bem distintos e é importante delimitar isso para a criança.

Na fase escolar, entre 6 e 10 anos especificamente, diante da revelação de que a criança está gostando de alguém ou que tem namorado (a), é importante que se explore o que ela quer dizer com esses termos: gostar de alguém é querer passar mais tempo juntos brincando, ou significa alguma outra coisa, como querer beijar na boca? Usualmente, o amar infantil envolve o prazer da companhia, que provoca uma vontade de querer estar perto do outro. Engloba o pensar na outra pessoa, fantasiar com o futuro, desejar ser correspondido, mesmo que isso não venha às vias de fato. Faz parte da infância a fantasia, nada mais natural.

No entanto, é recomendado que os adultos, sem conotação punitiva, estabeleçam com as crianças os limites desse namoro. Por exemplo, recomenda-se que os pais sejam empáticos e compreensivos, respeitando o sigilo quanto ao fato, mas que estabeleçam limites que julgam saudáveis e pertinentes quanto a esse namoro na faixa etária em que ele se apresenta. Distinguir diferenças entre o gostar de uma criança e o namoro de adulto é uma sugestão, pois assim a criança assimilaria que é natural gostar de alguém, mas que, namorar de verdade, apenas é permitido aos adultos. Não se deve ignorar ou proibir o namoro, porém deve-se ter cuidado para não modelar um comportamento que é alheio à infância, adiantando uma fase do seu desenvolvimento.

Cabe aqui mais uma observação: a privacidade do filho nesse contexto. Normalmente, as crianças revelam seus segredos em algum esconderijo, como o Diário (os adolescentes podem usar outras modalidades, como uma agenda, ou mesmo as redes sociais). Ao invés de bisbilhotarem, pais devem apresentar-se desde cedo como adultos confiáveis e abertos ao diálogo. Assim, naturalmente eles cogitarão a possibilidade de fazerem de seus pais ouvintes em potencial diante dos seus segredos (embora também seja perfeitamente aceitável eles não desejarem a revelação ou mesmo elegerem outros ouvintes, como os melhores amigos).

Ademais, no decorrer do desenvolvimento, observa-se uma mudança gradual na maneira de gostar das crianças: o platonismo da pré-escola evolui para a busca pelo namoro propriamente dito na puberdade, tornando-se mais expressiva em torno dos 11 anos. A partir dos 10 anos é comum fazerem brincadeiras entre amigos, como as que acidentalmente provocam toques corporais (a lendária pera, uva ou salada mista e variações modernas), apostas para ver quem tira a BV (boca virgem) e “quem é o último” (a beijar). Na puberdade e pré-adolescência, já estabelecem um contato mais próximo: abraçam e beijam, andam de mãos dadas e podem trocar votos de amor. Consiste em um avanço, portanto, quanto à etapa anterior.

A partir da puberdade, também é comum haver também vários objetos de amor, ou seja, não gostarem apenas de um colega, mas de vários. Experimentam com velocidade o gostar e o desgostar, então é comum ficarem com muitos colegas, ou gostar de vários ao mesmo tempo.

Após os 15 anos, os adolescentes comumente já pensam e desejam sexo. Caso namorem na adolescência, as orientações devem ser mais intensificadas, com monitoria e orientações mais específicas, sobretudo quanto aos cuidados em relação ao outro. As adequadas posturas sociais (“etiqueta do namoro”), a necessidade de respeito mútuo e proteção sexual são alguns pontos importantes nessa fase.

É possível que o jovem acredite que esse amor seja único, formar compromisso real com o par, assumindo publicamente o namoro. Não raro, também sofrem com a rejeição e as frustrações próprias da alfabetização amorosa, o que pode repercutir negativamente no desempenho acadêmico e também no seu bem-estar. Como o ser amado frequentemente é da escola, uma frustração amorosa pode prejudicar a atenção, a concentração, o envolvimento nas tarefas escolares e, consequentemente, pode repercutir negativamente no desempenho acadêmico. Ao mesmo tempo em que, do contrário, a sensação de um amor pode motivar o jovem a ir à escola, engajar-se em atividades acadêmicas e esportivas, dentre outras.

Assim, relações afetivas na infância e juventude podem conferir boas aprendizagens, desde que aconteçam de maneira natural, sem que o jovem seja forçado a isso. Pelo fato de no namoro exercitar-se o amar e se sentir amado, importante e especial, há contribuições para a autoestima. No entanto, se o namoro interfere de forma negativa no desenvolvimento do jovem, cabe a abordagem dos pais quanto a isso.

Outra questão pertinente a ser relatada diz respeito à própria vivência dos pais. A referência de infância é aquela que eles viveram que, temporalmente, não condiz com a dos filhos. Os valores podem ser passados de uma geração para outra, propiciando a aprendizagem de padrões através da transmissão intergeracional, porém é importante respeitar as características da geração em questão. No momento da orientação parental, é importante que os pais lembrem-se disso.

Muitas vezes a constatação da sexualidade do filho propicia aos pais sentimento de perda e choque, que muitas vezes desejam que os jovens nunca cresçam por temerem quebras no vínculo afetivo ou deslocamento do amor dos pais para outra pessoa. No entanto, é necessário que estes se trabalhem emocionalmente para este momento, que é natural do desenvolvimento humano. Verbalizações do tipo “nem quero saber quando estiver namorando” ou “eu vou botar para correr” fazem o jovem perceber que algo que julga importante é considerado aversivo para os pais, o que favorece sentimentos de culpa, ansiedade e uma série de comportamentos indesejáveis que tem a função de evitar a punição que pode vir (mentiras, namoro escondido e risco de condutas inadequadas no tocante ao namoro, como gravidez precoce, por falta de orientação).

Considerando a idiossincrasia do desenvolvimento humano, verifica-se, portanto, a dificuldade de se estabelecer uma idade certa para começar a namorar. No entanto, é fato que se quisermos que a criança aja como tal, não podemos tratá-la como adulto em miniatura, pois excessos nesse sentido pode permitir a antecipação da puberdade, o que já traria consequências negativas, como a erotização precoce. Quando na infância a concepção de namoro toma proporções maiores que pegar na mão e brincar junto, percebe-se então que as crianças estão amadurecendo muito cedo, o que cabe avaliação médica e muito diálogo entre pais e filhos.

Preparo emocional dos pais, diálogo, orientação e uma boa receptividade aos segredos e queixas dos jovens continuam sendo fatores fundamentais para o bom desenvolvimento da sexualidade infanto-juvenil. É isso mesmo: o primeiro amor espera a hora certa de chegar e os pais tem a difícil missão de colaborar para que ele seja, realmente, inesquecível.

 

Juliana de Brito Lima é Psicóloga (CRP 11ª/05027), formada pela Universidade Estadual do Piauí e especializanda em Análise Comportamental Clínica pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC e Psicóloga do Centro Integrado de Educação Especial – CIES e da Clínica Lecy Portela, em Teresina-PI. Tem experiências acadêmicas (linha de pesquisa “Desenvolvimento da criança e do adolescente em situações adversas” do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná/ NAC-UFPR) e profissionais na área clínica (atendimento a criança, adolescente e adulto), jurídica e educação especial, na orientação de pais.
Fonte: Instituto de Psicologia Aplicada - InPA
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Livro para criança: Boa Noite, Marcos

Para crianças com dificuldade para dormir este livro conta a história de Marcos que não consegue dormir sem o seu cachorro Fred. Decide, então, acordar sua irmã Estela para procurar o cão. Para ajudar o irmão a dormir, Estela sugere que Marcos conte carneirinhos. Mas não tem nenhum carneirinho no quarto! E Marcos só sabe contar até três! Estela então especula sobre possíveis lugares onde Fred estaria: embaixo da poltrona ou dentro do armário, mas Marcos sabe que seu pequeno cachorro jamais se esconderia nesses locais. Afinal, um monstro mora dentro do armário e a poltrona se parece com um sapo gigante!

Autor: Marie-Louise Gay
Ilustrador: Marie-Louise Gay
Editora Brinque book
Tema: Relacionamento entre irmãos, Hora de Dormir, Medo de Escuro, Fantasia, Imaginação

Artigo de Revisão: “Epidemiologia dos Transtornos Globais do Desenvolvimento”


Esta revisão é a mais recente realizada pelo Psiquiatra da Infância e Adolescência, Dr. Eric Fombonne, o maior epidemiologista na área do espectro do autismo. Os resultados do artigo derivam quase que exclusivamente de pesquisas realizadas em países desenvolvidos. No Brasil, apenas um estudo piloto foi realizado até o momento demonstrando a necessidade de uma pesquisa mais completa em nossa realidade.

O estudo de prevalência é fundamental para identificação do número de casos existentes em nosso país, o que permitirá o estabelecimento de propostas mais adequadas para o tratamento das crianças, dos adolescentes e dos adultos brasileiros com Transtornos Globais do Desenvolvimento.

Resumo:

Este artigo analisa os resultados de 43 estudos publicados desde 1966 e que haviam fornecido estimativas para o estabelecimento da prevalência dos Transtornos Globais (ou Invasivos) do Desenvolvimento, incluindo o Autismo, a Síndrome de Asperger, os Transtornos Globais (ou Invasivos) do Desenvolvimento Sem Outra Especificação e o Transtorno Desintegrativo da Infância.

A prevalência de Autismo vem aumentando progressivamente, e atualmente as estimativas mais precisas estão em torno de 20 casos para cada 10 mil pessoas, enquanto a prevalência de Transtornos Globais do Desenvolvimento Sem Outra Especificação em torno de 30 para cada 10 mil pessoas. A prevalência da Síndrome de Asperger é bem menor e os casos com Transtorno Desintegrativo da Infância são muito raros, cerca de dois para cada 100 mil pessoas.

A somatória de todos os Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) combinados leva a estimativa de quase 1%, ou seja, de 60 a 70 indivíduos para uma população de 10 mil pessoas. Com isso, os TGD são considerados entre os mais frequentes transtornos do neurodesenvolvimento infantil.

O autor discute os motivos para o forte crescimento nas prevalências dos TGD. Há fortes evidências de que isso seja uma consequência principalmente da ampliação do conceito e da expansão dos critérios diagnóstico, da maior conscientização sobre os transtornos, entre outros; embora outros fatores ainda não conhecidos também possam ter contribuído para esses resultados

 

Refelxão

"Precisamos aprender não apenas a conviver com a diversidade (...), mas a desejá-la, promovê-la como uma benção, um prêmio da Natureza".

Almir e Zilda Del Prette

Livro para criança: 'Pai, Não Fui Eu!'

O escritor infantil Ilan Brenman estava sentado no silêncio de seu escritório escrevendo uma história quando, de repente, ouviu um estrondoso CATAPUM!

Assustado e preocupado, foi abrir a porta para descobrir o que havia acontecido, mas sua filha foi mais rápida e gritou do outro lado:

"Pai, não fui eu, foi o leopardo".

Este é o mote do novo livro de Brenman, baseado num fato que realmente aconteceu em seu lar.

Revela o autor que uma de suas filhas escalou a estante de livros e derrubou uma obra bem grande e pesada, e por isso o alto barulho dela ao cair no chão.

A esperteza da garota em sair como inocente do fato e ainda acusar o tal leopardo como responsável pela bagunça impressionou o pai contador de histórias, que não perdeu tempo e logo transformou a aventura nesse livro.

"A partir disso, realidade e fantasia se misturaram no meu imaginário, e já não sei mais se a minha filhota é uma grande inventadora de histórias ou se o leopardo existem mesmo e mora escondido em alguma parte secreta do meu doce lar", revela o escritor

Fonte: Folha.com

Punir ou não punir, eis a questão!!


Emprestamos a célebre frase de W. Shakespeare para trazer à baila assunto há muito questionado por filósofos, professores, psicólogos e outros, no que se refere a como impedir uma atitude indesejada por parte de indivíduos, tomando por parâmetro os conceitos de bom convívio preconizados pela sociedade. Trata-se de evitar que estes indivíduos desobedeçam a leis, normas, códigos, convenções benéficas e respeitem os demais membros da sociedade.

O quadro hoje apresentado é que a infração de leis, ordens sociais e convenções em geral, têm como conseqüência maciça a punição; ou como forma de coerção ou, meramente, para oferecer exemplos a outros que tenham o desejo de incorrer no mesmo delito, a fim de diminuir a atitude indesejada ou anular sua intenção. A coerção, que envolve processos comportamentais como punição e até mesmo reforçamento negativo, está muito presente na vida do ser humano, mesmo sem que ele a perceba.

Mas a pergunta que não quer calar: Coagir/punir de forma leve ou severa, levará ao resultado esperado? O indivíduo aprenderá a “lição”, modificando o seu comportamento e o seu cotidiano? Evitará que cometa erros no futuro? As opiniões de estudiosos e profissionais são díspares; alguns acreditam que a coerção é a melhor forma de resolver todos os problemas, que deve ser adotada em todas as áreas. Outros, porém, dentre eles o psicólogo B. F. Skinner, são contra; por terem estudado o fenômeno e verificado que a punição pode ser apenas uma forma paliativa de resolver problema, pois os indivíduos podem, de imediato, evitar emitir o comportamento já punido, o que não significa mudança permanente. Neste processo é possível que o indivíduo passe a buscar formas de evitar ser punido, como o desenvolvimento de técnicas para não ser descoberto e, em conseqüência, não sofrer sanções.

O comportamento punido não é esquecido, é suprimido. Essa supressão, apenas temporária, geralmente reforça (negativamente) o comportamento do punidor, pois elimina um comportamento com propriedades aversivas logo após a intervenção do agente punidor. Em outras palavras, a punição para o comportamento que se deseja suprimir, é reforçadora para quem a aplica. Como exemplo, temos a seguinte situação cotidiana: A criança diz um palavrão, o pai ou a mãe repreendem ou dão uma palmada e a criança pára, momentaneamente, de falar palavrões. O efeito imediato da punição pode fazer parecer que a palmada foi um procedimento bem sucedido, reforçando o comportamento do punidor; porém, o comportamento punido pode reaparecer em cenários “seguros”, longe dos pais ou outros agentes punidores. O indivíduo deixa de realizar aquele ato em circunstâncias semelhantes, ou seja, na presença do punidor e fica à espera de uma chance para fazer o mesmo numa circunstância na qual a probabilidade de ocorrência da conseqüência indesejada (a punição) seja diminuída. Obviamente que o fato depende do que cada indivíduo tem como visão do que é certo e errado, o que nem sempre impede do comportamento ser emitido. Para crianças, por exemplo, “matar aula” para ir brincar, não é um problema. Para a criança, o que importa é que ela vai poder brincar, apesar de, eventualmente, saber que é errado e que, ao ser descoberta, provavelmente, será punida. Em suma, as pessoas de qualquer idade podem ter consciência de que determinada atitude é errada e, ainda assim, executá-la.

É claro que não se pode estabelecer uma sociedade, uma ordem, com preservação da integridade e direito dos cidadãos, se não existir uma forma de controle. O que se coloca em discussão é qual seria a melhor maneira de controle, e de evitar o descumprimento de tal ordem, de modo a não solapar os direitos dos cidadãos, tal como comumente ocorre. O que se observa é que a coerção não muda o indivíduo, apenas o obriga ou o ensina a discriminar/diferenciar em que situações a ordem pode ser burlada.

As mudanças ocorridas ao longo das gerações, a modernidade, a observação do cotidiano e a mídia relatando a todo o momento que muitas pessoas cometem erros muito graves e que muitos, apesar de não agirem dentro da lei, conseguem “status”, prestígio e conforto, mostra que tais indivíduos conseguiram maneiras eficazes de evitar a punição. Indo além, fornecem exemplo para que muitos busquem encontrar benesses utilizando a mesma fórmula. Qual a vantagem em viver com o ideal de honestidade, de respeito ao próximo, agindo de forma ética e correta, sem pesos e medidas diferenciados para diferentes indivíduos; se tantos fazem o contrário e obtém benefícios, estando a salvo de qualquer conseqüência aversiva ou punição? Ao contrário, obtém reforço positivo! O que pode ser feito para conseguir, eficazmente, mudar este quadro?

É necessário que a ética e o comportamento ético sejam reforçados positivamente e não o seu contrário! O indivíduo deve ter seu comportamento valorizado ao ter atitudes corretas, para aumentá-las em freqüência e para respeitar os demais, dentro dos preceitos preconizados pelo bom senso, pelas leis e pela sociedade. Civilidade, urbanidade e altruísmo devem passar a obter mais conseqüências positivas do que o arrivismo, o egocentrismo, as falsas denúncias e as “armações” contra cidadãos que se insurgem contra uma ordem “às avessas”. Exemplos de ética que seja bem sucedida (ao invés de punida) terão mais chances de serem seguidos se obtiverem mais “recompensas” do que os exemplos de sua ausência, como bem esclarecem ditos populares tais como: “salve-se quem puder”; “manda quem pode e obedece quem tem juízo”; “em terra de cego quem tem um olho é rei”; “os fins justificam os meios”; entre outros.

Buscar evidenciar exemplos bem sucedidos de um modo de vida correto e com realizações, êxito, sucesso, reconhecimento perante a sociedade, aumenta a chance de outros, que buscam o reconhecimento dos mesmos valores, emitam comportamentos da mesma classe. Trata-se de mostrar, voltando a utilizar outra frase popular, que “o crime não compensa”. Isso pode ocorrer em todos os níveis da sociedade, na vida, no lar, no trabalho, na escola, no convívio cotidiano com os demais e em qualquer lugar onde existem pessoas.

No que tange à educação, estes métodos, conhecidos na psicologia científica como “reforçamento positivo” e “modelação” de comportamento (comportamento ético, no caso) podem ser um dos princípios a serem integrados no mundo do professor e demais membros de instituições educacionais, bem como, em qualquer esfera da sociedade. É necessário reforçar positivamente o aluno de forma contingente às suas ações. As crianças, tal como os demais seres humanos, compreendem com mais facilidade as instruções claras e as conseqüências positivas a ações específicas, do que as nebulosidades, contradições e os métodos educacionais coercitivos, baseados em reforço negativo e punição. É muito mais eficaz e agradável trabalhar com o reconhecimento, com o elogio sincero, parabenizando a atitude correta, alimentando a crença de que pode ser mais gratificante agir dentro da ética, no que diz respeito ao ambiente escolar ou em qualquer outro. É necessário deixar de dar atenção somente ao que é inadequado e dar atenção contingente à adequação.

Flagre as pessoas fazendo alguma coisa certa, boa, adequada e as elogie por isso! É muito mais eficaz que apenas dar atenção ao que é considerado errado por um determinado grupo ou pela sociedade em geral.
Os indivíduos reforçados positivamente tendem a repetir as ações que foram reforçadas no passado, simples assim! Ter este reconhecimento “aquece os corações”, pois se ganha em função de algo que se mereceu ganhar. Isto é o que deveria ser considerado, divulgado e praticado por aqueles que hoje têm ou que tiveram a oportunidade de ler, discutir, enfim; ter acesso a esse conhecimento cientificamente validado, a ser espalhado aos quatro ventos. Uma medida simples como essa contribui para que a sociedade e as pessoas que dela fazem parte possam ter a chance de acreditar na possibilidade de mudança e contribuir para um futuro de homens com atitudes éticas, onde o respeito ao outro e às leis prevaleça. Isso é possível, apesar de muito estarem convencidos do contrário.

Mais vale respeitar para ser respeitado, para ver comportamentos pautados em valores saudáveis, do que conseguir o que ser quer ou precisa por meio de punição, sabendo que o que se consegue, neste caso, é medo e não respeito; evitação de conseqüências aversivas e não mudança de comportamento e de valores.
[1] Orientação e revisão da Profa Dra Maria Ester Rodrigues. Texto originalmente escrito como parte da avaliação da disciplina optativa “Formação de Professores: A Contribuição da Análise do Comportamento”; ofertada pela UNIOESTE em 2008.

[2] Graduanda da UNIOESTE – Campus Cascavel

[3] Graduanda da UNIOESTE – Campus Cascavel

Fonte: Rede Psi

Reflexão


"É gratificante ver como uma criança que chega com comportamentos disfuncionais no consultório, mostra, com toda sua destreza, seu poder de refinar comportamentos, mudar alguns e modificar o ambiente que se torna reforçador!"

Simone Barbosa Pasquini

Livro para criança: Trocando uma idéia

“Ao trocarem uma ideia os animais se questionam sobre tudo: o mundo, os sentimentos e a vida”.
Trocando uma Ideia é um livro cheio de reflexões filosóficas que norteiam o diálogo entre divertidos e contrastantes animais. A vida, o conhecimento e a inteligência, os sentimentos, a fé, a amizade, a beleza, uma gama de temas abordados de uma maneira surpreendente e bem humorada. Uma obra que irá introduzir a criançada ao mundo inquietante da filosofia, com muita diversão. Afinal, é natural do ser humano, desde a infância, querer compreender o mundo e a si mesmo. O livro é composto por 15 divertidos e surpreendentes diálogos sobre diversos assuntos ligados à vida. O Pinguim discute com o Urso Polar sobre suas cores prediletas. O Gafanhoto está apaixonado e tenta explicar isso a uma joaninha. A Minhoca tenta convencer a Galinha de que ela, na verdade, não é uma minhoca. A cada diálogo e a cada virar de página, um mundo de reflexões, de possibilidades e de diferentes pontos de vista. Um livro que deve ser oferecido às crianças para que elas cresçam rindo. E aos adultos, pela mesma razão!

Autor: Geert De Kockere
Ilustrador: Klaas Verplancke
Editora Brinquebook
Assunto abordado: Ética

Violência na TV e no cinema e os nossos filhos?


O efeito da violência na TV e no cinema sobre o comportamento das crianças e dos jovens é um tema que preocupa psicólogos e educadores, porque, ao mesmo tempo em que cresce o acesso de crianças e de jovens a esses meios de comunicação e de  entretenimento, cresce também o índice de cenas de violência exibidas ou praticadas nos programas de TV e filmes.

De forma geral, não existe constrangimento, por parte dos adultos, em assistir diante de crianças e adolescentes filmes ou reportagens com cenas de agressões entre pessoas, tiroteio, cenas de guerra reais ou de ficção. Os pais não se dão conta de que os programas de TV e os filmes fornecem modelos e exemplos a serem seguidos, mas crianças da cidade de Belo Horizonte (MG) revelaram, em entrevistas, que consideram como modelos, com os quais elas mais se identificam, os artistas de televisão e de cinema; e os cantores e os atletas.

Pergunta-se, então, diante dessa situação: Qual o impacto da mídia de massa no comportamento de interação social da criança e do jovem?

Para responder a questões como essas, um número muito grande de pesquisas científicas tem sido realizado. Uma dessas pesquisas investigou os efeitos que os filmes com cenas de violência têm sobre o comportamento agressivo de crianças. Um filme com cenas de violência (Mortal Kombat) e um filme considerado não-violento (Babe, um Porquinho Atrapalhado) foram exibidos a crianças de 9 a 11 anos de idade e o comportamento delas foi observado, em uma partida de futebol de salão. Verificou-se que, após assistirem ao filme Mortal Kombat, os meninos apresentaram mais agressividade do que antes da exibição do filme e maior, também, em relação ao apresentado após o filme Babe, um Porquinho Atrapalhado. Esse mesmo efeito não foi observado no comportamento das meninas. No entanto, em um outro estudo, no qual um filme que apresentava cenas de violência contra mulheres foi exibido, verificou-se aumento de agressividade em meninas.

A conclusão que estes e outros estudos científicos permitem formular é que a agressividade, assim como os demais comportamentos humanos complexos são mantidos, porque eles produzem efeito no ambiente: as ações que dão certo tendem a ser repetidas e as que não produzem esse efeito são eliminadas. Em outros termos, atos de violência que eliminam algo aversivo, que afastam pessoas ameaçadoras ou produzam certas conseqüências positivas tendem a ser repetidos.

A sociedade tem um importante papel no desenvolvimento de valores éticos e políticos. Se personagens de filmes, de novelas e de desenhos têm sucesso com atos de violência e são considerados heróis, as crianças e os jovens tendem a imitá-los e os valores éticos desses personagens passam a fazer parte do conjunto de valores e de regras que determinam as suas ações.

Psicólogos sugerem que é muito importante que se reduza a exposição de crianças e de adolescente à mídia com violência. Os pais são orientados a supervisionar a escolha dos programas a serem assistidos. Entretanto, impedir totalmente o contato com a mídia com violência é impossível, o que também não os prepararia para compreender o mundo real. Assim, sugere-se que pais e educadores atuem no sentido de desenvolverem atitudes críticas com relação à violência, começando a não usar a violência dentro de suas próprias casas e a mostrar que existem formas alternativas de lidar com as adversidades.

Além disso, mostrar que a mídia com violência não é uma forma apropriada de entretenimento, nem mesmo para o adulto, também pode ser um bom exemplo.

Por: Verônica Bender Haydu - Professora da Universidade Estadual de Londrina e Doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo

Reflexão


"Triunfar sobre a natureza e sobre si mesmo, sim. Mas sobre os outros, nunca."

(Skinner, B.F.)

Livro para Pais: Como falar para seu filho ouvir e como ouvir para seu filho falar

As autoras desenvolvem um método efetivo e respeitoso para o diálogo com as crianças. O livro é ilustrado com divertidos quadrinhos que demonstram situações concretas e oferecem soluções inovadoras para problemas comuns em famílias, como lidar com sentimentos negativos, expressar emoções, conseguir a cooperação das crianças e resolver conflitos.

Bullying em atividades esportivas gera jovens depressivos e agressivos

Especialistas explicam o papel dos pais e das escolas na resolução da questão


O esporte nas escolas tem papel de ensinar às crianças habilidades sociais e motoras relevantes. Algumas não têm o perfil atlético para realizarem atividades esportivas na escola. Atualmente, se discute como são afetadas as crianças que não se encontram no padrão. O Globo Educação ouviu especialistas que discutiram os problemas e soluções da questão.
 
Os alunos que não se encaixam no perfil ou não gostam de esportes são excluídos pelos colegas. Costumam ser escolhidos por último para participarem de atividades esportivas. Para Maria Ester Rodrigues, doutora em Psicologia da Educação e professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, essas crianças desenvolvem autoestima e autoconfiança baixas.

“Existem outros prejuízos, de ordem internalizante e de ordem externalizante. Os primeiros são mais sentidos pelo próprio indivíduo, como: sentimentos e pensamentos autodepreciativos, depressão, ansiedade, autoagressão, ideias de suicídio, raiva e revolta. Os demais, frequentemente acompanhados pelos primeiros e sentidos também por terceiros são: agressividade, ataque, depredação e o envolvimento em conflitos com a lei, seja em ataque ao patrimônio, seja em confronto direto com outros indivíduos”, explica Maria Ester.

Ela também acredita que a rejeição ou a exclusão, seja por qual motivo for, faz com que a criança deixe de absorver valores da escola e se identificar com seu ambiente:“A exclusão faz com que a criança não internalize os valores da escola e não se sinta inclusa, deixando de considerar a escola como ambiente no qual possa se inserir e seus valores como passíveis de serem internalizados.”

O bullying afeta a criança da mesma forma que a exclusão, mas de forma mais grave. Para Maria Ester, “Utilizando a metáfora de uma arma, diríamos que tem maior poder ‘letal’”. O mais comum é que estudantes rejeitados e alvo de bullying simplesmente abandonem a escola ou permaneçam apenas de “corpo presente”. Em último caso, podem passam a atacar a escola e seus componentes com pichações, depredações, ameaças de agressão e agressões propriamente dita, chegando a atitudes extremas. “A chacina na escola Tasso da Silveira, em Realengo, é um exemplo disso”, diz Maria Ester.

Mais tarde, na adolescência, as crianças rejeitadas adquirem forte probabilidade de se engajarem em grupos antissociais. Segundo Maria Ester, “Os grupos antissociais são, normalmente, compostos de adolescentes com história semelhante à sua. A inserção nesses grupos contribui fortemente para o aumento da delinquência e abuso de substâncias, como o álcool e outras drogas, na adolescência, além do envolvimento em conflitos com a lei.”

Soluções

Segundo Maria Ester, para ajudar a resolver o problema, deveriam existir mais programas de socialização nas escolas. “Existem poucos programas de desenvolvimento de habilidade sociais em escolas ou mesmo programas de atendimento psicológico de caráter preventivo em instituições de ensino no Brasil. Isso poderia ser promovido com mais frequência”, diz.

Ela também defende que a atividade física deve ser repensada, no caso de a criança não possuir características favoráveis para realizá-la. Afirma: “A atividade esportiva escolhida pela escola deve ser redimensionada. Deve-se enfatizar o caráter lúdico da atividade esportiva em detrimento do competitivo.”

Cristina Montenegro, especialista em Psicologia Clínica, também acredita que deve haver um leque maior de atividades disponíveis nas escolas. “Talvez a aluna que não seja boa em voleibol, tenha ótimo desempenho em ginástica rítmica. Atualmente, não se leva em conta a heterogeneidade corpórea dos indivíduos. As atividades não abrangem tipos diferentes de corpos.”


Os pais tem papel muito importante na resolução do problema. Maria Ester afirma: “Pais que detectam rejeição do filho em ambiente escolar devem procurar a escola para juntos encontrarem uma solução”.

Ela também defende que a grande função dos pais nesse contexto é prover afeto aos filhos. “A escola também é um ambiente afetivo, especialmente para crianças pequenas. O afeto fornecido pela família não pode ser substituído por professores e colegas. Usualmente se fala no necessário estabelecimento de limites, mas esquece-se que esses limites devem ser fornecidos com afeto. As características dos pais, as práticas educativas positivas bem com a organização do ambiente familiar interferem enormemente no desenvolvimento das crianças”, diz ela.

Reflexão

Brincar é essencial para o desenvolvimento, pois contribui para o desenvolvimento cognitivo, físico, social, e bem-estar emocional das crianças e jovens.

Livro para Criança: Pra que dinheiro?


Pra que dinheiro?

Junim e a Turma do Menino Maluquinho se vêem às voltas com as dificuldades para administrar mesadas, despesas, cofrinhos e compras, pois o dinheiro nunca chega até o fim do mês.

São sete histórias em quadrinhos e 6 curiosidades, em que o Junim descobre como surgiu a moeda e como era feita a venda de mercadorias antigamente, como são as notas e moedas brasileiras, os mecanismos da oferta e da procura, como surgiu o salário, como funcionam os bancos e como fazer um orçamento doméstico.
De uma maneira divertida, a turma toda aprende a usar e a poupar melhor o dinheiro.

Deficiente, sim. Dependente? Não, necessariamente.


O nascimento de um filho é algo que mexe com rotinas e emoções de quem o concebe ou rodeia. Ao gerar uma criança, pais idealizam características físicas e tecem expectativas que, muitas vezes, nem eles conseguiram concretizar. Quando eles se deparam com alguma peculiaridade no filho desejado, como a deficiência intelectual, podem experimentar diversos sentimentos. O modo como os pais vão reagir à deficiência interferirá nas práticas parentais adotadas ao longo do desenvolvimento infantil, que podem propiciar uma reabilitação ou uma estagnação do quadro clínico.

Na constatação da deficiência, os pais comumente vivenciam um quadro semelhante ao processo de luto. Simbolicamente, é mesmo um luto de sonhos idealizados que talvez não sejam passíveis de concretização, da rotina colorida de leves atividades cotidianas, do filho perfeito e sadio e de várias outras perdas. Assim, pais vivenciam etapas de choque, negação, tristeza e cólera, equilíbrio e reorganização, que os conduzem à adaptação gradativa da nova condição de vida.

A postura dos pais diante da deficiência será fundamental para o bem-estar futuro, não só da criança, mas de toda a família. Também repercutirá significativamente no modo como se caracterizarão enquanto pais. Estilo parental é o termo que designa o conjunto de comportamentos dos cuidadores que vão compor o perfil da interação entre eles e seus filhos. Suas categorias de classificação envolvem níveis de responsividade (que se refere ao afeto, envolvimento e participação dos pais na rotina dos filhos) e de exigência (ou seja, o estabelecimento de regras sociais e de limites comportamentais). Cabe ressaltar que essas não se adequam apenas aos pais de filhos com desenvolvimento típico.

Pais que ainda não se adaptaram diante da deficiência do filho comumente se comportam de forma peculiar, podendo se enquadrar em estilos específicos. O primeiro deles é o permissivo, que se refere à alta frequência de comportamentos afetuosos e pouco estabelecimento de limites. Esse afeto pode assumir a forma de superproteção, até mesmo apresentando “vínculo simbiótico” que, muitas vezes, representam a busca pela compensação em relação à deficiência do filho. No tocante à disciplina, esses pais agem de modo permissivo, acreditando que o estabelecimento de limites não é saudável, “afinal, elas já possuem muitas restrições”.

Há aqui um grande equívoco: crianças com deficiência também necessitam de orientação em relação a limites e regras, como qualquer outra. Disciplinar crianças deficientes, respeitando as restrições próprias da síndrome, não é crueldade: é inclusão social, pois todos os seres necessitam de regras e orientações para conviver em grupo. Caso não haja disciplina, estas podem apresentar comportamentos disruptivos (como agressividade, comportamento desafiador e opositor) que, ao contrário do que se pensa, não provém exclusivamente da deficiência, mas é facilitado pelo excesso de permissividade e pelo deficitário manejo dos pais quanto aos comportamentos inadequados das crianças.

Como resultado de uma desadaptação quanto à deficiência da criança, tem-se a negligência do genitor em relação ao filho. Nesse âmbito, comumente não há envolvimento nas necessidades básicas de afeto, higiene, alimentação e/ou segurança. No estilo parental negligente, os pais não agem como agentes responsáveis por moldar ou direcionar o comportamento dos filhos, embora tentem se comportar de forma não-punitiva e receptiva às necessidades da criança. Assim, não são exigentes, nem responsivos: estão cansados dos cuidados diários ou não aceitaram as responsabilidades da paternidade/maternidade. Não raro, encontramos esse perfil em pais, que muitas vezes abandonam o lar após o nascimento da criança deficiente ou que atribuem à mãe os cuidados principais, envolvendo-se minimamente na rotina do filho.

Uma pesquisa recente [1] comparou práticas e estilos parentais de pais de crianças com desenvolvimento atípico e típico, avaliando também níveis de estresse. Como resultado, constatou-se que os pais de filhos com deficiência intelectual são mais vulneráveis ao estresse e apresentam práticas educativas com características mais autoritárias, com tendência a pouca supervisão das ações do filho, a imposição de limites sem reflexão, e a pouca expressão de afeto. Se essas práticas forem frequentes, os pais apresentarão o estilo autoritário, que consiste, em linhas gerais, em alta exigência e pouco afeto, com uso frequente de medidas punitivas e coercitivas.

Destaca-se que o estilo parental mais adaptativo para o desenvolvimento infanto-juvenil é o estilo autoritativo ou participativo. Nesta categoria, os pais se envolvem na rotina dos filhos, acompanhando suas atividades, incentivando o diálogo e equilibrando afeto e exigência. Reconhecem cada ganho significativo (mesmo que mínimo) dos tratamentos realizados, fazem a estimulação cognitiva, incentivam e modelam comportamentos de autonomia relacionados às atividades da vida diária ou mesmo à convivência social. Não restam dúvidas de que as consequências de práticas participativas são crianças mais habilidosas socialmente, mais maduras e com melhor desenvolvimento emocional.

Esclarecidos esses âmbitos, vejamos então quais são as variáveis que prejudicam práticas educativas mais saudáveis na educação de crianças com deficiência. A primeira delas é o mito sobre a suposta ignorância das crianças em virtude de sua deficiência, qualquer que seja ela. Por exemplo, “ele tem paralisia cerebral, não fala, então não adianta falar com ele, ele não entende”. Por mais que haja uma limitação, de forma alguma pode-se subestimar as outras habilidades que os deficientes apresentam. Assim, por exemplo, embora haja prejuízos cognitivos, a criança entende, sente, cheira, vê, escuta, dentro de suas limitações.

Mesmo que a criança não oralize, ela pode se comunicar por meios alternativos (gestos, murmúrios, por meio de pranchas com símbolos) e cabe à família estar sensível e disponível para esse contato não-usual, estabelecido pelo toque, contato visual ou sons. O que não pode é esquivar-se da responsabilidade de estimular a comunicação alternativa ao falar pela criança, pois isso restringe o modo autônomo de ela operar no ambiente através da linguagem.

Outra questão é o despreparo que acompanha a maior parte dos pais e que parece ser especialmente difícil em casos de crianças deficientes: a educação para a autonomia. A crença errônea de que a criança especial será sempre dependente precisa ser avaliada com cautela, uma vez que, dentro de suas limitações biológicas e/ou cognitivas, pode se adaptar ao ambiente adequadamente, se assim foi estimulada. Quanto mais desenvolvidos forem os filhos, melhor, pois a finitude da vida não permite a eterna companhia dos pais. Sendo orientadas para a autonomia, as crianças podem conquistar espaços sociais mais expressivos, como a inclusão escolar, o lazer e o emprego quando for adulto.

Pais superprotetores ou que subestimam a capacidade dos filhos, acreditando que o filho não pode, não sabe, não fala e que, assim, fazem tudo por ele, em nada ajudam a desenvolvê-los. Ao contrário, restringem o repertório comportamental infantil, provocando dependência dos adultos que o cercam. É necessário incentivo, estimulação incessante e, sobretudo, muito preparo emocional dos pais diante dos voos que as crianças deficientes podem alcançar.

Verifica-se ainda que, muitas vezes, os pais não constatam o crescimento biológico dos filhos, sobretudo quando estes apresentam limitação física. Nestes casos, que geralmente envolvem múltiplas deficiências, o atrofiamento corporal proporciona uma falsa sensação de que a criança é ainda um bebê, por ser carregado no colo, pela aparência física ou mesmo pela dieta alimentar. Somente quando aparecem os sinais da puberdade é que os pais se conscientizam da passagem do tempo e, até esse momento chegar, já foi moldado todo um repertório comportamental, que pode estar deficitário às necessidades da sua faixa etária em virtude dos cuidados anteriormente conferidos.

Assim, práticas parentais adequadas resultam em um melhor desenvolvimento da criança, o que reflete nos contextos em que ela está inserida, repercutindo ainda na sua qualidade de vida. Já disse Khalil Gibran: “Seus filhos não são seus filhos, são filhos da Vida desejando a si mesma. Eles vem através de vocês, mas não são de vocês. E embora estejam com vocês, não lhe pertencem. (…) Vocês são o arco de onde seus filhos são lançados como flechas vivas”. Para encerrar, reflita: como é o arco que está lançando essa flecha especial? Em qual direção a sua fecha viva está indo?

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[1] Minetto, M.F. et al (2012). Práticas educativas e estresse parental de pais de crianças pequenas com desenvolvimento típico e atípico. Educar em revista, n.º43, 117-132.
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Juliana de Brito Lima é Psicóloga (CRP 11ª/05027), formada pela Universidade Estadual do Piauí e especializanda em Análise Comportamental Clínica pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento – IBAC. É membro da Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental – ABPMC e Psicóloga do Centro Integrado de Educação Especial – CIES e da Clínica Lecy Portela, em Teresina-PI. Tem experiências acadêmicas (linha de pesquisa “Desenvolvimento da criança e do adolescente em situações adversas” do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná/ NAC-UFPR) e profissionais na área clínica (atendimento a criança, adolescente e adulto), jurídica e educação especial, na orientação de pais.
Fonte: Instituto de Psicologia Aplicada - InPA
Telefone - (61) 3242-1153