Reflexão


“Existe na alma da criança um segredo impenetrável que se revela gradualmente enquanto se desenvolve. A consciência vem ao mundo como uma bola incandescente de imaginação. A imaginação está intimamente ligada à criatividade, à ingenuidade, às reações aos desafios da vida. O que imaginamos é o que criamos”.

Maria Montessori (1870-1952), educadora italiana, médica e feminista

O adolescente e a busca pela droga


Infelizmente pesquisas revelam que 20% dos jovens brasileiros de classe média já experimentaram drogas. Em pesquisa da OBID (Observatório Brasileiro de Informações sobe Drogas), o índice de meninas, de 12 a 17 anos, usuárias de álcool cresceu de 44,7% em 2001 para 50,8% em 2005. Outros dados impactantes na cidade de São Paulo são dos que já utilizaram psicotrópicos pelo menos uma vez na vida, sendo meninos e meninas concomitantemente: Maconha 8,4% e 5,2%; Crack 0,3% e 0,3%; Anfetamínicos 2,5% e 3,8%; Tabaco 21,5% e 30,2% e Álcool 66,1% e 73,8%. A pesquisa revela que 3,5% dos meninos e 2,8% das meninas entrevistados fazem uso frequente de algum tipo de droga.
 
Qual a postura de enfrentamento necessária para os pais diante de tamanha problemática social?

Sabemos que o uso de drogas causa prejuízos importantes e graves complicações na saúde de um indivíduo, além de produzir efeitos negativos nos aspectos pessoal, social e, futuramente, profissional. O uso de álcool em altas doses pode afetar grande parte do organismo, como sistema gastrointestinal, cardiovascular e nervoso, gerando, entre outros, déficits cognitivos e déficits de memória grave.

Ao mesmo tempo, o álcool e as drogas são poderosos socializadores, trocando a insegurança pela aceitação no grupo. De acordo com o modelo de aprendizagem social, beber é resultado destas influências sociais, seja de familiares ou colegas, são estas referencias que definem crenças e expectativas com relação ao álcool e seu uso.

O papel dos pais é determinante na manutenção ou eliminação de tal hábito. Um exemplo, pais que utilizam-se do álcool de forma exagerada, podem gerar nas crianças a necessidade por comportamentos semelhantes, esse modelo não se aplica somente a beber, mas também para o uso de uma substância que possa produzir o mesmo efeito. É importante ressaltar que atitudes radicais de pais abstinentes também são um risco aumentado para o desenvolvimento de problemas com bebidas.

Habitualmente encontramos em textos e artigos alguns comportamentos citados como denunciadores de possível uso de drogas, como falta ou excesso de apetite, afastamento social, queda no rendimento escolar, olhos avermelhados ou vidrados, falta ou excesso de sono, irritabilidade, isolamento familiar e gastos excessivos, porém, estes podem ser sérios enganadores. Vale lembrar que o uso de drogas tem início ocasional e somente quando o adolescente já apresenta uso ou abuso de determinada substância é que os pais começam a identificar sinais, além de que com as alterações físicas e emocionais típicas da adolescência, nossos jovens estão mais suscetíveis a estas exposições.

Nota-se que pais que mantém forte vínculo afetivo com seus filhos, apresentam maior facilidade para identificar problemas e mudanças comportamentais, lembrando que proximidade não significa controle e “xeretar” os pertences de seu filho não ajudará na situação, mas sim um diálogo aberto, demonstração de amor e até de preocupação.

Observa-se também que frequentemente os adolescentes que recorrem às drogas apresentam, desde pequenos, dificuldades em lidar com regras, o que os torna pouco resistentes à frustração. Portanto, além da comunicação eficaz e com afetividade, deve existir seriedade no cumprimento das regras estabelecidas pelos pais, demonstrando acolhimento, mas firmeza.

Sabemos que não existem receitas para a educação de nossos filhos, principalmente porque cada indivíduo é único e apresenta características próprias em suas relações interpessoais, mas uma educação pautada no amor, na segurança e na transparência gera benefícios na comunicação da família e, consequentemente, na proposta de uma vida social mais saudável.

Talita Marchetti
Psicóloga Comportamental – Cognitiva

Livro para criança: Somos todos diferentes


Felizmente somos todos diferentes, quer a nível físico, quer a nível emocional.

Este livro-brinquedo promete encantar os mais novos, mostrando crianças diferentes e dos vários cantos do globo.

No final, há uma surpresa – um espelho, para um exercício divertido de auto-descoberta, e também uma página onde cada criança pode registar as suas características especiais.

Uma obra feita de ternura, à imagem do mundo infantil.

Tema abordado: Diferenças

O uso de combinados e a promoção da cultura de paz

 
No dia a dia das escolas, é muito comum que os profissionais da educação manifestem várias queixas, como: "não consigo dar nenhuma aula sem perder muito tempo resolvendo questões de indisciplina", "os alunos conversam demais", "os alunos são agressivos, xingam-se um ao outro o tempo todo", "os alunos não fazem as tarefas", "os alunos depredam a escola", "os alunos não trazem o material pedido, não fazem trabalhos". Por outro lado, a equipe de direção das escolas também costuma fazer queixas com relação ao corpo docente, como faltas de professores, atrasos, não cumprimento de prazos, aulas não planejadas ou de má qualidade, falta de respeito às regras coletivas da instituição. E para completar o quadro, os professores muitas vezes manifestam insatisfação com relação ao trabalho dos seus líderes, reclamando da ausência, de falta de "pulso firme" ou de excesso de autoritarismo.

Tendo em vista esta realidade, o uso de combinados (pactos de convivência ou acordos coletivos) tem sido uma das soluções mais destacadas pelo Projeto Não-Violência para suprir as necessidades mais urgentes das escolas. Na literatura encontramos o livro Tá Combinado – Construindo um pacto de convivência na escola, de Feizi Milani, que constitui uma obra de referência no assunto e tem sido o nosso guia para reflexão e implantação destes acordos coletivos.

Sabemos que as escolas atualmente encontram muitas dificuldades de estabelecer um padrão de autoridade com relação ao cumprimento das normas. A tradição do autoritarismo presente na escola antiga e muito acentuada no regime militar, ainda permanece nas instituições de ensino atuais, ainda que de forma mais amena. A visão autoritária tende a utilizar o medo como forma de manter o controle. As regras são impostas aos alunos, que precisam obedecer cegamente. Quando a obediência não ocorre, estabelece-se uma punição. E não há praticamente diferenciação entre crianças e adolescentes, alunos do ensino fundamental ou do ensino médio, no sentido de que todos devem acatar as normas sem questionamentos.


Porém, o que percebemos é que esta autoridade baseada no medo não tem se sustentado na realidade atual. As crianças e adolescentes da nova geração estão recebendo um tipo de educação muitos menos rígida do que a educação militar dos anos da ditadura. Em função disso, não é possível simplesmente querer controlar os alunos através do medo, mas sim encontrar alternativas para lidar com estas crianças de maneira mais efetiva.

A idéia de fazer combinados entra como uma solução não repressiva para o problema da indisciplina e da crise de autoridade do professor. Sua proposta fundamental é construir coletivamente os "acordos" necessários para criar e manter um convívio de respeito e solidariedade entre profissionais, alunos e pais e, com isso, prevenir os problemas de violência e indisciplina na escola.


O pressuposto que fundamenta o uso de combinados é muito simples: quando participamos da construção das regras que regem um determinado ambiente temos muito mais facilidade de aceitar e cumprir o que é decidido. Quando recebemos as regras prontas, quando alguém nos impõe uma determinada norma, automaticamente surge um sentimento de rebeldia, de revolta. Por exemplo: se o (a) seu (sua) companheiro (a) se dirigir a você de forma imperativa, falando o seguinte "eu lavo a louça e você passa a roupa" – como é sua tendência de reagir? Normalmente sentimos que o outro está "dando ordens" e nos sentimos desrespeitados. Porém, se seu (sua) companheiro (a) propor uma conversa do tipo "vamos combinar uma divisão de tarefas domésticas em casa" – a reação não tende a ser diferente? Quando sentimos que nossa opinião é respeitada e podemos participar das decisões, tendemos a acolher e respeitar mais efetivamente as regras de convivência. Neste exemplo, através da conversa, o casal pode até chegar à mesma decisão que seria proposta de forma autoritária, porém independentemente do resultado é muito mais importante o processo, a forma como as coisas foram combinadas.

Assim, dentro de uma escola, os alunos certamente se sentirão mais respeitados e ouvidos se puderem participar da construção das regras de convivência em sala de aula. É claro que cada faixa etária possui um nível de maturidade e a capacidade de participação vai aumentando na medida em que o aluno fica mais velho. Crianças menores podem participar da construção de regras escolhendo frases ou figuras representando comportamentos que são importantes para um bom convívio em sala de aula. A partir da 5a série, os alunos podem escrever suas próprias frases e, com a ajuda do professor, construir um combinado próprio para a sala de aula. Adolescentes a partir da 8a série podem construir combinados mais específicos, participar de algumas decisões da escola, atuar em grêmios e projetos extra classe.


Fazer combinados não significa apenas captar a opinião dos alunos e construir um cartaz bonito com as responsabilidades do grupo. Significa também uma mudança de postura por parte do educador. O professor precisa abandonar os velhos métodos autoritários e se propor a construir uma relação afetiva com sua turma. Precisa estar disposto a ouvir, a respeitar cada criança, a conquistar a confiança da turma. Precisa estabelecer limites justos, que ajudem a criança a se desenvolver moralmente, em vez de causar apenas humilhação e revolta. Agindo assim, normalmente o professor leva mais tempo para conquistar o respeito da turma, porém, quando essa conquista ocorre ela é permanente, pois o professor atinge uma autoridade que não se baseia apenas no medo, mas numa verdadeira relação de confiança e admiração pelo mestre. Quando educamos as crianças para se comportar bem em função do medo de receber punição, corremos o risco de formar pessoas capazes de obedecer quando são vigiadas, mas que agem de forma anti-ética quando "ninguém está olhando". Os combinados ajudam a criar uma cidadania autêntica e não apenas um jogo de hipocrisia social onde o que vale é a aparência de bondade.

A prática de construir combinados tem sido realizada por diversos educadores e instituições de ensino, com sucesso. As teorias mais recentes sobre educação costumam apoiar esta idéia, defendendo um panorama mais democrático em sala de aula. Como não podemos voltar no tempo e ao mesmo tempo precisamos mudar para garantir uma relação de respeito entre educadores e educandos, acreditamos que investir na construção de combinados e lutar para mudar a concepção vigente sobre autoridade são condições essenciais para o fortalecimento da cultura da paz - tão almejada - na sociedade.

Construção de Combinados: relato de uma experiência

Os trabalhos iniciaram no Colégio Estadual Cecília Meireles no segundo semestre de 2005. Inicialmente um pequeno grupo de lideranças da escola estudou o livro 'Tá Combinado', recebendo orientação da equipe do PNV. No início do ano de 2006, durante a semana pedagógica – período de planejamento e capacitação dos professores - construímos o pacto de convivência dos profissionais da escola, um combinado voltado para ajudar a manter um ambiente de convívio pacífico entre os adultos da instituição.

Quando as aulas iniciaram, a primeira semana foi utilizada para construir os pactos de convivência entre os alunos. Ao invés dos professores iniciarem com suas disciplinas e conteúdos específicos, dedicaram-se a construir um bom vínculo com os alunos e um combinado que pudesse balizar a relação não só entre os alunos mas também entre alunos e professores. Cada professor representante coordenou uma série de atividades destinadas a sensibilizar os alunos para a importância dos combinados, estimular os alunos a darem sua opinião e construir um cartaz com direitos e deveres de estudantes e professores.


Apesar da construção de combinados ter sido efetuada de maneira relativamente tranqüila, sabemos que nenhum trabalho novo na área de educação costuma trazer resultados imediatos, pois naturalmente surgem problemas e dificuldades... Os alunos não estavam acostumados a opinar, por isso receberam a idéia sem tanto comprometimento e acabaram não aproveitando o espaço que tiveram. Os professores, por sua vez, acostumados a uma cultura de entregar tudo pronto aos alunos, tiveram dificuldade de manter as salas organizadas durante a construção e, mais tarde, também tiveram problemas para estimular os alunos a cumprirem os combinados. Muitos professores esqueceram ou deixaram de lado o acordo coletivo e continuaram impondo as regras como sempre fizeram... Em compensação, muitos professores também relataram que conseguiram trabalhar melhor com suas turmas, que o convívio e o respeito melhoraram.

Tão importante quando a construção do pacto é também a manutenção do pacto, ou seja, o trabalho diário com o combinado para que ele não seja apenas mais um cartaz grudado na parede, mas uma autêntica expressão das necessidades dos alunos e professores. Assim surgiu o "espaço permanente de diálogo", uma reunião quinzenal realizada pelos profissionais com o intuito de discutir as dificuldades de manutenção do pacto, compartilhar experiências e casos de sucesso. A criação desse espaço foi excelente para a integração da escola, pois os profissionais tornaram-se mais unidos, mais aptos e seguros para lidar com as dificuldades do cotidiano escolar, mais cientes do seu papel de educador e mais comprometidos com a escola.


Os conselhos de classe no Colégio Cecília Meireles também mudaram. Os critérios estabelecidos pelos combinados são usados como forma de avaliar profissionais e alunos. Tanto os professores avaliam suas turmas como as turmas avaliam os professores. E todos também realizam a auto-avaliação. As avaliações não têm o objetivo de gerar alguma nota ou conceito, mas de promover diretrizes para mudanças, para melhorar os comportamentos e tornar o convívio melhor.

Se a punição é algo que temos que reduzir numa cultura baseada no diálogo e no respeito, a recompensa, ao contrário, deve ser estimulada. Desta forma a escola passou a utilizar mais o reconhecimento como forma de estimular bons comportamentos. Alunos são reconhecidos não apenas pela nota, mas por serem participativos, bons ouvintes, respeitosos, criativos e por pequenas melhoras no comportamento. Os profissionais também são reconhecidos pelo seu trabalho, pela relação positiva que têm com os alunos, pelo seu respeito aos combinados. Isso contribui para um aperfeiçoamento crescente da prática pedagógica e para o comprometimento cada vez maior com a escola.

Enfim, com este trabalho, percebemos que os combinados constituem uma forma muito interessante de promover o espírito coletivo, fazendo com que a linguagem dos profissionais da escola seja mais uniforme – não no sentido de padronizada - mas de sintonizada. Ou seja, cada vez mais os profissionais tendem a compartilhar e praticar os mesmos princípios, potencializando o efeito da educação na vida dos alunos. Esperamos que os educadores possam cada vez mais compreender que sem uma mudança na maneira como pensamos a educação, a prática dificilmente se consolida, pois precisamos romper com as velhas amarras do tradicionalismo e buscar novos modelos para construir uma educação que tenha sentido e significado e que seja transformadora na vida dos alunos e gratificante para os profissionais.

Fonte: Projeto Não-Violência

Livro para crianças: Tico e os Lobos Maus


Para criança que tem medo de dormir este livro fala dos pesadelos de forma afetuosa e muito humor, são o tema presente nas ilustrações de Tico e os Lobos Maus.

Tico, um pequeno coelho de imaginação muito fértil, acorda de um terrível pesadelo repleto de lobos maus. Ao contá-lo para a mãe, vai deixando petrificados seus irmãos e irmãs, com os quais divide a cama.

Mas Mamãe Coelha não se deixa impressionar, "Cem lobos? Tem certeza?", e em pouco tempo a centena de terríveis lobos ferozes se torna apenas um pequeno bando.

Autor: Valeri Gorbachev
Ilustrador: Valeri Gorbachev
Editora Brinque Book
Tema: Hora de Dormir, Medo, Fantasia e Imaginação

Estresse infantil

Agenda cheia, reprovação dos pais, conflitos na escola. Pesquisas na área de neurociência e comportamento mostram como a exposição a fatores estressantes compromete o desenvolvimento das crianças e o que fazer para evitar danos futuros
 
 
Natação, inglês, equitação, tênis, futebol. É cada vez mais comum encontrar crianças que mal saíram da pré-escola e já cumprem agendas de “miniexecutivo”, com compromissos que se estendem ao longo do dia. A intenção dos pais ao submeter os filhos a essas rotinas é torná-los adultos superpreparados para o competitivo mundo moderno. O preço que se paga por tanto esforço, porém, pode ser alto. Ainda pequenas, essas crianças passam a apresentar um problema de gente grande, o estresse. “É uma troca que não vale a pena”, afirma o psicoterapeuta João Figueiró, um dos fundadores do Instituto Zero a Seis, instituição especializada na atenção à primeira infância. “Frequentemente essa rotina impõe à criança um sentimento de incompetência, pois lhe são atribuídas tarefas para as quais ela não está neurologicamente capacitada.” Como uma bomba-relógio prestes a explodir, o estresse infantil tem ganhado status de problema de saúde pública. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Academia Americana de Pediatria publicou, em dezembro, novas diretrizes para ajudar os médicos a identificar e tratar esse mal. O risco dessa exposição, alertam os cientistas, são danos que vão bem além da infância, como a propensão a doenças coronarianas, diabetes, uso de drogas e depressão.

Dos poucos estudos brasileiros sobre estresse infantil, se destaca um levantamento realizado pela pesquisadora Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR). A pesquisa, feita com 220 crianças entre 7 e 12 anos nas cidades de Porto Alegre e São Paulo, revelou que oito a cada dez casos em que os pais buscam ajuda profissional para seus filhos por causa de alterações de comportamento têm sua origem no estresse. “O estresse é uma reação natural do nosso corpo, o problema é esse estímulo atingir níveis muitos altos ou se prolongar por longos períodos”, diz Ana Maria.

Para ajudar pais e profissionais de saúde a identificar quando há risco, cientistas do Centro de Desenvolvimento da Criança da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, propuseram uma divisão: o estresse positivo, aquele em que há pouca elevação dos hormônios e por pouco tempo; o tolerável, caracterizado pela reação temporária e que pode ser contornada quando a criança recebe ajuda; e o tóxico, o que deve ser combatido, ligado à estimulação prolongada do organismo, sem que a criança tenha alguém que a ajude a lidar com a situação. “A origem pode estar em episódios corriqueiros que gerem frustração ou aflição frequentemente, como brigas na escola ou com familiares, ou em situações únicas, mas com impacto muito grande, como a morte inesperada de alguém próximo, abuso sexual ou acidente”, esclarece Christian Kristensen, coordenador do programa de pós-graduação em psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Quando exposto a quantidades muito grandes dos hormônios do estresse, o organismo sofre uma espécie de intoxicação. Cai a imunidade, deixando a pessoa mais exposta a infecções, há uma interferência nos hormônios do crescimento e até mesmo o amadurecimento de partes essenciais do cérebro, como o córtex pré-frontal, é afetado. “Essa região é responsável pelo controle das funções cognitivas, como a capacidade de moderar a impulsividade e a tomada de decisões”, explica o neurocientista Antônio Pereira, do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
SINAIS
Uma professora alertou Liliana para a dificuldade do filho Rafael em ler os enunciados.
No médico, descobriu-se o porquê: o garoto tem ansiedade e déficit de atenção
 
Mas o que tem tirado as crianças do eixo tão prematuramente? No estudo realizado pelo Isma-BR, em primeiro lugar aparecem a crítica e a desaprovação dos pais, seguidas pelo excesso de atividades, o bullying e os conflitos familiares. Esse último fator mereceu atenção especial em uma pesquisa realizada na Universidade de Rochester, nos Estados Unidos. E o resultado comprovou uma suspeita antiga. “Em nosso estudo demonstramos que o ambiente estressante está associado à ocorrência mais frequente de doenças nas crianças”, disse à ISTOÉ a pediatra Mary Caserta, coordenadora do trabalho, que envolveu 169 crianças entre 5 e 10 anos. Muitas vezes, os pais nem desconfiam que a enfermidade do filho pode ter raízes no estresse. “Passa tão batido que às vezes a criança é medicada de modo errado”, diz Marilda Lipp, diretora do Centro Psicológico de Controle do Stress e professora da PUC-Campinas. Encontrar reações físicas intensas, mas sem nenhuma doença de fundo não é mais novidade para os médicos. “Cefaleias e dores abdominais causadas por estresse são as queixas mais comuns”, diz Ricardo Halpern, presidente do departamento de comportamento e desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Outro perfil que se tornou comum nos consultórios é o da criança estressada pela superproteção dos pais. São os “reizinhos mandões”, como apelidou a psicopedagoga Edith Rubinstein. “Esses meninos e meninas têm muita voz dentro de casa e dificuldade de lidar com o esforço”, diz a especialista. Não deixar a criança aprender a contornar situações difíceis é extremamente prejudicial. Isso porque uma característica importante para evitar os quadros de estresse tóxico é justamente a resiliência – a capacidade de a pessoa se adaptar e sair de situações adversas. “Quando a criança é sempre tirada pelos pais do apuro, ela não desenvolve essa habilidade e se torna mais suscetível ao estresse”, diz a psicanalista infantil Ana Olmos.

Com a evolução científica, o que se tem constatado é que não só no comportamento as reações ao estresse são distintas. Estudando um grupo de 210 crianças de 2 anos, pesquisadores da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, notaram que comportamentos diferentes estão associados a níveis distintos de cortisol no sangue. Os pequenos voluntários foram divididos em dois grupos: as “pombas” (crianças cautelosas e dóceis) ou os “falcões” (atrevidas e assertivas). Enquanto as “pombas” apresentavam uma elevação abrupta na quantidade de cortisol circulando na corrente sanguínea quando expostas a situações estressantes, nos “falcões” a concentração desse hormônio permanecia praticamente inalterada. E isso trazia consequências diversas para os dois grupos: “pombas” demonstraram mais chances de desenvolver depressão e ansiedade. Já os “falcões” estavam mais suscetíveis a comportamentos de risco, hiperatividade e déficit de atenção. “É importante reconhecer essas diferenças para intervir”, disse à ISTOÉ Melissa Sturge-Apple, coautora da pesquisa.
MÉTODO
Edmara de Lima coordena os professores e funcionários da Prima Escola
Montessori para diagnosticar as mudanças emocionais dos alunos
 
“O estresse é um fator de risco importante para a grande maioria das doenças mentais”, diz Guilherme Polanczyk, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. “E seu efeito sobre o organismo é bem maior em sistemas menos maduros, como o das crianças.” Prova disso foram os dados apresentados por pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. A exposição à violência, ainda que moderada, foi capaz de gerar modificações no comportamento em 90% das 160 crianças entre 4 e 6 anos analisadas no estudo. As principais alterações eram pesadelos, voltar a fazer xixi na cama e a chupar o dedo. Em um terço dos pequenos voluntários, a consequência foi mais grave: ocorreram crises de asma, alergias e déficit de atenção ou hiperatividade. E 20% deles desenvolveram transtorno do estresse pós-traumático. “Quanto mais estresse na infância, maior a chance de se ter alterações físicas e psicológicas quando adulto”, disse à ISTOÉ Sandra Graham-Bermann, autora da pesquisa.

Foi após dois eventos estressores que a menina R., 14 anos, desenvolveu o transtorno obsessivo compulsivo (TOC). Na mesma semana, em 2009, ela viu o som do carro da mãe ser roubado e o pai escapar, por pouco, da tragédia no voo 3054 da TAM (que se chocou contra um hangar do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, matando todos a bordo). Depois dos sustos, começou a manifestar manias de repetição. “O ritual de repetição me deixa muito ansiosa e me abate muito”, diz a menina. “Para os pacientes de TOC, a própria doença é considerada estresse crônico”, avalia o psiquiatra Eduardo Aliende Perin, membro do Consórcio Brasileiro de Pesquisa em TOC.

RECOMEÇO
Em Realengo, o desafio é apagar da memória de alunos, funcionários e
pais a experiência negativa de ver estudantes mortos dentro da sala de aula
Estresse e transtornos mentais também vêm juntos quando falta diagnóstico. Foi o que ocorreu com o psiquiatra Jorge Simeão, 38 anos. Sem saber o que tinha, ele sofreu durante toda a sua adolescência e juventude. Muitos o consideravam um rapaz distraído, que não se preocupava com os outros. Foi preciso se formar na faculdade como médico psiquiatra para Simeão finalmente descobrir que os traços de comportamento que o acompanhavam não eram uma falha de caráter, mas uma alteração no funcionamento do seu cérebro. Ele tem transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). “O esforço que precisava fazer para me concentrar e a falta de compreensão de colegas me geraram uma tensão muito forte, a vida toda.” Histórias como a de Simeão são bem mais comuns do que se imagina. Pelos cálculos da Organização Mundial da Saúde, uma em cada cinco crianças tem alguma desordem psiquiátrica e a grande maioria leva anos até receber o diagnóstico. A mais comum, de acordo com pesquisas do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, é a ansiedade, presente em 8% dos meninos e meninas abaixo dos 18 anos. Em seguida, aparecem a depressão (7,8%), os distúrbios de conduta (5,6%) e o TDAH (5%).

ATENÇÃO
Várias crianças atendidas pelo psiquiatra Guilherme Polanczyk
apresentam estresse como sintoma de um transtorno mais grave
Ainda há poucas ações voltadas para a saúde mental infantil, mas algumas já demonstram bons resultados. Edmara de Lima, coordenadora pedagógica da Prima Escola Montessori, em São Paulo, orienta uma dessas. “Observamos as crianças sob três ângulos: primeiro analisamos o corpo, se ela enxerga e fala bem e se está com os hormônios em níveis adequados. Depois analisamos a inteligência, se está adequada à idade. Por último vemos as questões emocionais.” No Rio, o neurologista do comportamento Alexandre Ghelman ajusta os últimos detalhes para iniciar, no próximo semestre, um trabalho com alunos do terceiro ano do ensino médio para evitar a tensão, em especial a gerada pelo vestibular. “Vamos ensinar-lhes técnicas para que lidem melhor com as situações estressantes”, diz Ghelman. Entre as lições, os jovens vão aprender como identificar o que os tira do sério, quais são os sentimentos que os dominam nessa hora e como relaxar diante dos fatores estressores. A escola tem mesmo muito que contribuir. Foi graças ao alerta de uma professora que a editora gráfica Liliana Franco, 48 anos, levou o filho Rafael, então com sete anos, ao médico. “Ela me disse que ele estava lendo só a primeira linha dos enunciados das perguntas antes de responder às questões”, afirma Liliana. No psiquiatra, se descobriu que Rafael tem TDAH e ansiedade. Com o treino cognitivo-comportamental e o tratamento medicamentoso, porém, o garoto, hoje com 15 anos, conseguiu reverter vários sintomas e se prepara para prestar vestibular.

Nem todos, porém, têm a sorte de receber um diagnóstico precoce. Daí advêm as complicações. “Podemos fazer um paralelo entre os transtornos mentais e a diabete. Em ambos, você não vai curar a pessoa, mas quanto mais cedo é a intervenção, maiores as chances de reduzir seus impactos”, avalia o psiquiatra Christian Kieling. “A lacuna entre quem tem algum transtorno mental e aqueles que recebem o atendimento especializado é muito grande”, avalia Dévora Kestel, assessora regional de Saúde Mental da Organização Panamericana de Saúde (Opas). No Brasil, o governo federal planeja os primeiros passos. “Estamos começando a pensar uma política integrada entre os ministérios para cuidar da saúde mental na infância”, informou Paulo Bonilho, coordenador nacional de Saúde da Criança do Ministério da Saúde. Medida mais que necessária para desarmar a bomba-relógio do estresse infantil.
INCOMPREENSÃO
Sem um diagnóstico, o psiquiatra Jorge Simeão cresceu sob a tensão de
não conseguir ser “normal” como os outros. A dificuldade em se lembrar

de coisas e o esforço para se concentrar eram constantes fontes de estresse
 
Massacre traumático

Até um ano atrás, um estudante armado invadir um colégio e atirar contra seus colegas era algo distante do imaginário brasileiro. A cena era usualmente associada a alguma tragédia americana – país que concentra 70% de ataques desse tipo. Desde 7 de abril de 2011, porém, o Brasil passou a integrar essa estatística. Wellington de Oliveira, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, invadiu o colégio e disparou contra alunos e funcionários, deixando 12 mortos. “É preciso atenção após tragédias, pois elas são importantes gatilhos para os transtornos mentais, em especial o do estresse pós-traumático”, avalia Fábio Barbirato, chefe do setor de psiquiatria da infância e adolescência da Santa Casa do Rio. Por isso, desde o massacre há um esforço coletivo para apagar essas marcas. No atendimento psicológico, que se iniciou no dia seguinte ao incidente, já passaram 90 crianças e 100 adultos. Cerca de metade deles segue em tratamento. Caíque, um menino de 3 anos que perdeu a tia Jéssika Guedes no massacre, ficou durante muito tempo perguntando quando a jovem voltaria para a casa. “Ele perguntava para quem ia à escola se Jéssika estava lá.” Com apoio psicológico, está aos poucos assimilando que a tia não voltará mais. Como ele, várias crianças e famílias ainda sofrem com a tragédia. “Pode demorar anos para esses efeitos negativos serem contornados”, disse à ISTOÉ o psiquiatra Timothy Brewerton, um dos responsáveis pelo atendimento às vítimas do massacre de Columbine, ocorrido em uma escola americana em 1999. Para ele, à medida que se aproxima o marco de um ano da tragédia, é preciso mais cuidado. “A efeméride é uma espécie de gatilho para novas reações emocionais.”




Por: Rachel Costa
Fonte: Isto é

Bullying: Carta de adolescente divulgada expondo agressão sofrida

Uma carta escrita por Ricardo, adolescente de 15 anos, que foi divulgada pela imprensa esta semana, chamou a atenção pela sua dramaticidade. Ele mora no interior do Rio Grande do Sul, assumiu sua homossexualidade para a família e sofreu preconceito, humilhação, bullying e homofobia na escola. Ana Maria Braga falou sobre o caso no Mais Você desta quinta, 22 de março. A apresentadora recebeu o adolescente, bem como um psiquiatra infantil.

No último dia 13, ele foi ameaçado por um colega e pediu ajuda a um professor, mas não foi ouvido. Depois da aula, foi espancado. É um caso de dupla violência: bullying e homofobia. “Quem está aqui comigo é o psiquiatra infantil Gustavo Teixeira. Ele trabalha orientando professores, pais e alunos sobre o bullying dentro das escolas”, anunciou Ana Maria.

Adolescente conversa com Ana

O adolescente conversou, ao vivo, com Ana Maria Braga na casa. “Não sei exatamente como estou me sentido. Por um lado esta divulgação é boa, porque pode prevenir que outras pessoas sofram o que sofri”, destacou ele. “Estou com muito medo de sair na rua. Teve gente que disse que queria me bater se eu saísse na rua. Fiquei em uma cidade vizinha por um dia, depois tive que voltar para a cidade e mudei de escola”, contou.

“Na nova escola, nem mencionei que sou o menino que sofreu bullying, mas acho que todo mundo já sabe. Nesta escola, estou sendo bem tratado”, relatou. “Eu já sofria preconceito antes de falar isso, ninguém está imune ao bullying. Qualquer pessoa pode sofrer, por ser bonito, por ser feio. Tanto o aluno CDF quanto o aluno do fundão pode sofrer bullying e isso tem que acabar”, desabafou.
 
“No início, era uma carta de suicídio, mas depois me recuperei, alterei algumas coisas para poder ajudar outras pessoas e mandei para uma ONG gay”, se emocionou o jovem rapaz. “Os meus pais me dão muito apoio, eles são pessoas inteligentes e cultas. São pessoas abertas, que toleram as diferenças”, discorreu. “Se eu não tivesse denunciado, hoje não estaria aqui, estaria no túmulo”, analisou.
 
Psiquiatra infantil analisa o caso
Na casa, Ana recebeu Gustavo Teixeira, especialista neste tipo de situação. “As escolas precisam vestir a camisa do tratamento. É necessário que haja um casamento entre a família e a escola. Ela deve saber, primeiramente, o que é o bullying, e identificar as crianças que possam vir a sofrer este tipo de violência”, ressaltou o psiquiatra.
 
“Um de cada três estudantes está envolvido ou como autor, ou como alvo destas agressões. O agressor vai procurar o que ele considera uma vulnerabilidade, na verdade é uma desculpa, A primeira coisa a fazer é pedir ajuda. A família deve dar uma mensagem clara”, orientou o especialista.
 
Ele também contou que os alunos mostram sinais de que estão sofrendo este tipo de violência. “No domingo, ele já tem dores no corpo e não quer ir para a escola. No recreio, ele sempre fica sozinho”, exemplificou. Sobre o caso de Ricardo, o especialista aconselhou o adolescente a procurar ajuda psicológica e destacou que o apoio da família é fundamental.
 
“Sozinho, ele não vai conseguir resolver este problema. Ele é habilidoso, mas a escola vai ter que vestir a camisa deste aluno. Se o professor não faz nada, está legitimando o agressor a continuar”, enfatizou.
 
Fonte: Mais Você

Livro para criança: O Cachecol


A mudança da avó e da neta do sítio em que moravam para a cidade é narrada de forma diferente pelas duas personagens.

O que sente e pensa a neta é muito diferente daquilo que a avó sente e pensa, revelando que cada pessoa vê, entende e vive as situações segundo sua própria história de vida.

Os sentimentos da neta, entusiasmada com as novidades da vida na cidade, levam-na a pensar que o mesmo ocorre com a avó.

O medo que sente a avó, assustada com o movimento e o barulho da cidade, levam-na a pensar que a neta também está sofrendo.

Curso: Terapia Relacional Sistêmica - indivíduo, casal, família, grupos e técnica

Em dez anos, triplica número de atendimentos em hospital de SP a crianças que sofreram abuso sexual

Hospital Estadual Pérola Byington também registrou crescimento da procura pelo serviço entre adolescentes de 12 a 18 anos

Abuso sexual infantil: em dez anos, atendimento a crianças triplica em hospital de São Paulo (ThinkStock)

Segundo levantamento da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, o número de crianças atendidas no Núcleo de Violência Sexual do Hospital Estadual Pérola Byington triplicou nos últimos dez anos. Os dados, que se referem ao período entre 2001 e 2011, também mostram que houve crescimento dos adolescentes entre 12 e 18 anos que procuraram o serviço.
 
Todas as pessoas recebidas pelo núcleo são vítimas de algum tipo de crime sexual. Esse serviço do hospital, que é referência em atendimento à mulher e a vítimas desse tipo de violência, oferece acompanhamento psicológico por tempo indeterminado aos pacientes, além de diagnóstico e, se preciso, tratamento para doenças sexualmente transmissíveis e para as complicações de danos físicos.
 
De acordo com o levantamento, 1.088 crianças de até 12 anos foram tratadas pelo serviço do hospital em 2011. Dez anos antes, em 2001, esse número foi de 352 atendimentos. Embora menos, a quantidade de adolescentes acolhidos pelo núcleo também cresceu: em 2001, foram registrados 498 casos e, em 2011, 759, representando um aumento de 52%.
 
No entanto, de acordo com Jefferson Drezett, coordenador do Núcleo de Violência Sexual do Pérola Byington, o aumento do atendimento de crianças vítimas de abuso sexual não significa que a incidência desse tipo de crime tenha crescido, mas sim que a procura pelo tratamento e acompanhamento adequado tem se tornado mais frequente. "Hoje em dia é dada muito mais importância aos casos de abuso sexual na infância do que há anos atrás. Familiares, profissionais de saúde e de educação estão, ao que parece, mais conscientes sobre os sinais apresentados por um jovem que passou por isso. As pessoas estão aprendendo, cada vez mais, a identificar e notificar esses casos", afirma Drezett.
 
Meninos — A pesquisa também mostrou que o atendimento feito a crianças do sexo masculino vítimas de abuso sexual aumentou mais do que o feito às jovens do sexo feminino. Entre os meninos, esse crescimento foi de 37%, enquanto, entre as meninas, foi de 26,4%. De acordo com Drezett, esse dado mostra que a procura por ajuda, e não a incidência de abuso sexual, entre meninos está aumentando. "Por motivos de preconceito e pressão familiar, os meninos acabam falando menos sobre terem sofrido abuso sexual do que as meninas", explica.

Segundo o coordenador, atualmente, o sexo masculino representa entre 20% e 25% de todos os atendimentos feitos a crianças vítimas de abuso sexual no hospital. Estima-se que, de todos os casos de crime sexual infantis, entre 25% e 35% são contra rapazes. "Esse maior crescimento no atendimento dos meninos não nos surpreende, já que mostra que a porcentagem de procura pelo serviço está se aproximando do total de casos que de fato acontecem", afirma o coordenador.
 
O levantamento ainda indicou que o número de adultos maiores de 18 anos que procuraram pelo serviço, por outro lado, diminuiu em 40% nesse período. "Como houve maior desenvolvimento dos serviços de saúde especializados em mulheres adultas, com profissionais aptos a ajudarem aquelas que sofreram abuso sexual, pode ser que as vítimas estejam procurando outros centros de referência que não o Pérola Byington. No entanto, não há estabelecimentos pediátricos especializados em abuso sexual em São Paulo, então as vítimas infantis acabam se concentrando aqui", diz Drezett.
 
Recomendações — Apenas entre 10% e 20% de todos os casos de abuso sexual que acontecem chegam ao conhecimento de profissionais de saúde ou de policiais. De acordo com Drezett, como crianças têm menos autonomia para procurar por ajuda, os adultos que estão a sua volta devem ficar atentos a alguns fatores, como mudanças abruptas de comportamento e queda do rendimento escolar. Se essas alterações comportamentais ocorrerem, o ideal é estabelecer um diálogo sutil e discreto com a criança e, sob suspeita de ter ocorrido abuso sexual, denunciar o caso para o Conselho Tutelar mais próximo e procurar ajuda especializada.

Fonte: Veja online

Definição de autismo está a ser revista e poderá reduzir número de diagnósticos


O autismo, uma perturbação do desenvolvimento que se manifesta normalmente durante a infância, passou de uma doença quase desconhecida a um “surto” de diagnósticos. Motivo que está a levar a Associação Americana de Psiquiatria a reformular a definição de autismo e de outras patologias do mesmo espectro. A mudança deverá traduzir-se numa redução do número de diagnósticos – o que segundo os especialistas pode ser um passo positivo. Porém, a ser assim os apoios escolares que dependem deste diagnóstico também ficariam em causa.
Problemas na interacção social, atrasos no desenvolvimento da linguagem, comportamentos repetitivos e adesão inflexível a rotinas são apenas alguns dos pontos que actualmente fazem parte dos critérios de diagnóstico do autismo ou de outras patologias do mesmo espectro. Mas a variedade de sintomas e formas de manifestação são tão diversas que o autismo ou outras perturbações mais ligeiras, como a Síndrome de Asperger, esbarram em dois problemas: ou não são reconhecidos pelos médicos ou são diagnosticados sem haver um quadro clínico que o justifique.
As principais linhas orientadoras para a nova definição – que será concluída até final de 2012, no âmbito da quinta revisão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Perturbações Mentais, que serve de referência mundial – foram apresentadas na quinta-feira num encontro da Associação Médica da Islândia e passam por abolir a palavra “autismo” ou “Asperger”, falando-se só em “perturbações do espectro do autismo”, refere o New York Times.

O problema é que os critérios passam a ser mais apertados para separar o “pouco usual” de uma verdadeira “perturbação”, e as crianças têm obrigatoriamente de apresentar, por exemplo, dois comportamentos repetitivos (um dos estereótipos mais associados a este distúrbio mas que nem sempre estão presentes).

Contactada pelo PÚBLICO, a pedopsiquiatra portuguesa Áurea de Ataíde, explica que, na prática clínica, existe desde “há muito o conceito de ‘perturbações do espectro do autismo’”. Há também, prossegue a mesma médica, dificuldades em distinguir as várias perturbações, “principalmente quando se trata de crianças muito pequenas”. Por isso, a redefinição do conceito – que irá demorar um ano – poderá vir a facilitar a vida dos médicos.

Por outro lado, a especialista salienta que “a eterna dificuldade em Psiquiatria em estabelecer a linha entre o que é invulgar e o que é perturbação vem talvez ser acentuada pelo desaparecimento das diferentes categorias actualmente existentes, nomeadamente da Síndrome de Asperger, na qual se enquadram muitos dos casos em que as capacidades cognitivas, de linguagem e nível de funcionamento” são menos afectadas.

Áurea de Ataíde defende, assim, que o mais importante é uma aposta num diagnóstico precoce bem feito e com a colaboração de pais e educadores para, se necessário, se poder começar uma intervenção especializada, da qual “depende a evolução e o prognóstico das alterações”. Mas alerta, também, que o trabalho deve ser cauteloso: “Não podemos esquecer que pode ser muito grave para uma família a realização ‘leviana’ de um diagnóstico como este, que tem um peso emocional, familiar e social importantíssimo”.

Na sequência do encontro da Islândia, foi dado a conhecer um estudo da Universidade de Yale que estima que o número de pessoas que reúnem os critérios para um diagnóstico do espectro do autismo seja reduzido para metade, o que pode ter sérias implicações nos apoios sociais às famílias, em especial para as crianças em idade escolar. No caso concreto dos Estados Unidos, onde a maior parte da população depende de seguros privados de saúde, a mudança poderá ter impactos desastrosos nas famílias, que verão as suas apólices recusarem apoios a terapias de crianças com necessidades especiais mas sem o nome autismo. Actualmente, estima-se que naquele país uma em cada 100 crianças tem um diagnóstico do espectro do autismo. Catherine Lord, da Associação Americana de Psiquiatria, citada por diferentes jornais americanos, garantiu que o único objectivo é clarificar os casos e que ninguém deixará de ter ajudas.

Áurea de Ataíde assegura que a situação em Portugal é muito diferente, por que existe um sistema público de saúde e de educação. A especialista concretiza que em Portugal não é necessário o nome “autismo” para conseguir que uma criança tenha apoio na escola e que consegue encaminhar, por exemplo, casos de défices de atenção, apesar de se assistir a alguma “estagnação” nos recursos disponíveis e haver “um longo caminho a percorrer”, sobretudo no que diz respeito a assimetrias nacionais.Uma opinião corroborada pela presidente do conselho executivo da Federação Portuguesa de Autismo, Isabel Cottinelli Telmo, que considera “necessária” a mudança do conceito de autismo, para não se cair em “diagnósticos empolados” quando se incluem “todas as pessoas excepcionais ou com idiossincrasias por exemplo na Síndrome de Asperger”. Sobre a realidade portuguesa, a mesma responsável lamenta que não existam estudos epidemiológicos nacionais, mas acredita que os números são inferiores aos dos Estados Unidos. Para Isabel Cottinelli Telmo “o que interessa são as necessidades das pessoas, mais do que os rótulos”.

Fonte: Público Pt

Dia 21/03 - Dia Mundial da Síndrome de Down

A propaganda "Carlinhos", como ficou conhecido o comercial institucional da Fundação Síndrome de Down, tornou-se popular na década de 90 e é lembrada até hoje pela suavidade com que tratou o tema.



"Down. A pior síndrome é o preconceito!"

Entenda porque os autistas rejeitam toque social


Ryan Mcginnis

Um dos maiores desafios para as famílias que enfrentam o autismo é o problema do toque. Muitas vezes, as crianças autistas resistir abraços e outros tipos de contato físico, causando sofrimento ao redor.

Agora, um novo estudo oferece uma visão sobre por que algumas pessoas rejeitam toques físicos e como as famílias afetadas pelo autismo podem aprender a compartilhar abraços sem sobrecarregar os sentidos uma criança autista.


Neurocientistas de Yale recrutaram 19 jovens e fotografaram a atividade cerebral quando o antebraço dos pesquisados era tocado suavemente com um pincel aquarela. Em alguns casos, o toque foi rápido, e em outros lento: estudos mostraram que a maioria das pessoas percebem o contato leve como afetuoso, enquanto o mais rápido é sentido como menos agradável e até cócegas.

Nenhum dos participantes do estudo tinham autismo, mas os pesquisadores avaliaram traços autísticos. Eles descobriram que os participantes com os mais altos níveis de traços de autismo tiveram uma menor resposta nas principais regiões do cérebro social - sulco temporal superior (STS) e córtex orbitofrontal (OFC) - para o lento escovação.


De acordo com Marta Kaiser, autora sênior do estudo e diretora associada do Laboratório de Neurociência da Criança no Centro de Estudos da Criança Yale, o STS é um centro crítico do cérebro na área social. "Essa região é importante para perceber as pessoas ao nosso redor, para estímulos sociais e visuais para percepção dos sons social versus não-social", diz ela.


Os resultados atuais sugerem que a região também está envolvida no processamento de contato social e que sua resposta está ligada à capacidade social do indivíduo, diz ela.


A OFC, ao contrário, ajuda o cérebro a avaliar as experiências - se algo é provável que seja bom ou mau e se envolve prazer ou dor. "Os cérebros de pessoas ricas em traços autistas não codificaçam o toque como socialmente relevante, que é uma interpretação", diz Kaiser de suas descobertas. "A OFC é muito importante para a codificação de recompensa talvez por isso eles estão sentindo o toque, mas nestes indivíduos, seus cérebros não fazem a codificação do tipo de toque como sendo tão gratificante como em indivíduos com menos traços autistos".


Se for esse o caso, encontrando maneiras de tornar a experiência social - incluindo o toque - mais gratificante pode ser uma maneira de ajudar as pessoas autistas se conectar melhor com os outros.

Uma melhor compreensão de como contato social é processado de forma diferente por pessoas não-autistas e autista pode levar ao desenvolvimento de estratégias para os membros da família e entes queridos para tocar as pessoas com autismo em uma maneira que acalma e estimula sentimentos de conexão, em vez de rejeição.


Kaiser e seus colegas já estão estudando as pessoas com perturbações do espectro autista para explorar essas questões, principalmente em crianças. Fazer contato social gratificante no início do desenvolvimento pode ajudar ainda mais  as crianças autistas a aprenderem habilidades sociais, pois o aprendizado é fortemente dependente de prazer. Já que o desenvolvimento posterior depende de experiência precoce, tal estratégia pode melhorar o seu desenvolvimento global. "Acho que há uma série de aplicações potenciais do tratamento para este trabalho", afirma Kaiser.


O estudo foi publicado na Social Cognitive and Affective Neuroscience.
Fonte: Healthland

Reflexão


"Ensinar é saber que num mesmo lugar estarão mentes brilhantes e gênios indomáveis."

Alda Marmo

Curso - Aprendendo a Terapia Analítico Comportamental Infantil


O curso de Terapia Analítico-Comportamental Infantil - TACI - tem como objetivo desenvolver no aluno habilidades essenciais para o atendimento a crianças segundo este modelo terapêutico, tais como obter dados relevantes para a análise funcional à partir da anamnese; realizar a análise funcional dos comportamentos infantis por meio de jogos e brincadeiras e efetuar diagnóstico comportamental da relação pais-crianças a partir dos dados obtidos com as sessões de orientação de pais e nas sessões com a criança. Objetiva ainda estabelecer repertório comportamental no aluno para interpretar casos clínicos infantis a partir da perspectiva analítico-comportamental; estabelecer e manejar a relação terapêutica com a criança e sua família; além de aprender estratégias e técnicas da Análise do Comportamento a serem usadas no atendimento infantil, tornando-se apto a compreender a relação familiar e planejar sessões para melhorar esta relação.


Público-alvo:
Estudantes ou profissionais de Psicologia, Psicopedagogia e Medicina especialmente nas áreas de Psiquiatria, Neurologia e Pediatria interessados em desenvolver competências no atendimento de Terapia Infantil na abordagem Analítico-Comportamental.

Instrutoras:
Elayne Esmeraldo - CRP: 11/6336: Psicóloga clínica e professora de Análise do Comportamento.
Natalie B. Araripe - CRP: 11/6605: Psicoterapeuta e consultora escolar.

Carga Horária:
40h de curso dividido em aulas online em tempo real e atividade extraclasse.

Início das Aulas:
17 de março de 2012.

Investimento:
Estudantes - R$ 230,00 (duzentos e trinta reais).
Profissionais - R$ 270,00 (duzentos e setenta reais).

Informações:
www.inpaonline.com.br ou ead@inpaonline.com.br

O Brincar e a Educação Auto-reguladora


É na infância que nos programamos para a vida adulta. Carregamos conosco medos, críticas, inseguranças, desconfianças, etc, que determinam nossa maneira de ser e de agir como adultos. Essas sensações se impregnaram em nossas mentes, corações e também em nossos corpos. Com isso nos encouraçamos e esquecemos de nossa essência. Esses mecanismos de defesa nos dão uma falsa idéia de segurança, nos afastando do mundo real, e às vezes até de nós mesmos. Assim não damos espaço para a espontaneidade e para o bem-estar em nossas vidas.

E se não estivermos atentos, a tendência natural é que introjetemos em nossas crianças as mesmas programações que herdamos de nossos pais, transformando-as desde cedo em seres rígidos, tensos e manipulados, não restando espaço para o prazer de ser verdadeiramente criança. É aí que reside a necessidade de revermos nossos conceitos em relação ao que é realmente educar.

Por não podermos ou não querermos dar atenção aos nossos filhos, muitas vezes os sobrecarregamos de atividades, compromissos, cursos, etc, não sobrando tempo para o brincar espontâneo e verdadeiro, que inclui a obtenção de prazer, de bem-estar e de alegria.

A criança gosta e quer conhecer o mundo com e através de seu corpo e de seus sentidos, mas cada vez mais impedimos que isso aconteça por acharmos que não é um comportamento adequadamente aceito pela sociedade.

O brinquedo é a forma de auto-expressão da criança, onde projeta suas fantasias e onde pode re-vivenciar situações que para ela foram traumáticas, traduzindo-as para si mesma e elaborando essas situações. É com o brincar que essa criança organiza seu universo interior, seus problemas, dúvidas e conflitos, coisas que muitas vezes não consegue expressar de outra forma. Também nas brincadeiras ela imita a vida adulta, “ensaiando” através de jogos e encenações a vida que terá no futuro. Restringir seu brincar impede, na maioria das vezes esse trabalho interior e consequentemente trará problemas ao seu desenvolvimento, tornando-a um adulto neurótico e encouraçado.

Também a auto-valorização e a auto-regulação permitem o desenvolvimento saudável da criança. Isto não significa negligenciá-la e não impor nenhum limite, mas aprender a respeitar os limites que muitas vezes a criança sabe impor a si mesma sem que os pais precisem interferir, fazendo-o somente quando realmente for preciso. Devemos deixar simplesmente a criança experimentar “ser” no mundo da forma e do jeito dela.

A autoridade é necessária e os limites também. Mas sempre com amor, diálogo e respeito. Não podemos ter medo de dizer não, desde que seja verdadeiramente necessário. Firmeza sim, imposição e autoritarismo não! Para isso o diálogo entre pais e filhos é fundamental.

É importante que a criança perceba que estamos ao seu lado quando ela precisar, mas nunca impondo nossa vontade sem nem sequer deixá-la questionar o porque dessa ou daquela atitude que tomamos em relação à sua vida.Lembre-se de que os problemas dela por menor que possam nos parecer, tem a mesma dimensão emocional que os “grandes” problemas que enfrentamos em nosso dia-a-dia.

O respeito também deve ser a base do relacionamento com nossas crianças. Ela precisa saber que é aceita como realmente é: como uma criança. Valorizando-a estamos promovendo também sua auto-valorização. Se acreditarmos em seu potencial ela também acreditará em si mesma, crescendo como um ser saudável, desencouraçado, auto-regulado e pronto para a vida!