Educação de crianças e adolescentes: Como estabelecer limites


Cotidianamente ouvimos falar em dificuldades de agentes socializadores como pais e professores em gerenciarem limites em relação a crianças e adolescentes. Pais assoberbados pelas tarefas profissionais ou mesmo domésticas, tendem a passar menos tempo com os seus filhos e, frequentemente, delegam a responsabilidade de sua educação a terceiros, como a própria escola. Outros, tem tempo para seus filhos, porém, não sabem como gerenciar as dificuldades no estabelecimento de limites.

Tanto os pais quanto os professores têm dificuldades em entender tanto o comportamento de suas crianças como o seu próprio comportamento. Alguns, movidos pela 'culpa' em função do pouco tempo dispendido aos filhos, acabam por fazer concessões que podem desfavorecer o aprendizado de regras culturais e morais importantes. Há ainda, quem aja sob influência de orientações oferecidas em tempos passados, em que a educação caracterizada por limites muito severos era criticada, entendendo que dizer que 'não' aos filhos pode ser 'prejudicial'. A excessiva severidade, de fato, é desaconselhada, mas o 'laissez-faire' é igualmente prejudicial.

Ausência de regras e limites na educação de crianças pode trazer sérios problemas ao relacionamento pais e filhos, além de produzir adolescentes e adultos com falhas em seu desenvolvimento pessoal e social, entre eles, a ausência de resistência à frustração e a infelicidade pessoal; o favorecimento do envolvimento com drogas e outros comportamentos infratores como a delinquência juvenil ou, até mesmo, o desenvolvimento de 'psicopatias' ou 'sociopatias'.

A análise do comportamento e a psicologia possuem inúmeros estudos que comprovam a eficácia de algumas medidas razoavelmente simples, que os pais desconhecem ou encontram dificuldades adicionais em sua implementação. No entanto, a ausência de compreensão de termos técnicos e a ausência de 'tradução' ou disseminação em linguagem leiga podem dificultar a apropriação deste conhecimento pelos interessados. Tentaremos oferecer algumas orientações básicas a seguir:

Em primeiro lugar, é necessário definir quais limites se deseja estabelecer, ou seja, o que 'pode' e que 'não pode'ser feito, o que vale a pena proibir, quais regras vale a pena estipular ou não. Isso varia de acordo com a época histórica em que vivemos, com a cultura na qual estamos inseridos, com cada família e com a idade da criança ou do adolescente, bem como o seu nível de desenvolvimento. Uma vez estabelecidos quais limites respeitar (horário de dormir, das refeições, dos estudos, das saídas com amigos, gerenciamento da mesada etc.), é necessário explicitá-los antecipadamente por meio de uma conversa, deixando claras quais conseqüências se seguirão ao seu descumprimento. Qualquer limite deve ser o mais claro possível de modo a eliminar qualquer ambigüidade, deve ser breve e conciso de modo a eliminar intermináveis rodeios e justificativas, em outras palavras, deve-se ir direto ao ponto.

É importante agir com firmeza e sem hesitação. Uma criança identifica quando um não pode ser um talvez e, nesse caso, não irá cumprir o estipulado. Pais e professores inseguros em suas decisões geram crianças que testam suas possibilidades, de acordo com seus desejos, que nem sempre são os mais recomendáveis naquela situação .

A palavra 'consistência' é de extrema relevância na aplicação de limites anteriormente estabelecidos. Quando se define que algo não pode ser feito, a regra não deve ser 'furada' de acordo com o 'bom humor' do responsável pela criança e novas regras não devem ser estipuladas baseadas no 'mau humor' de que as aplica. Não se volta atrás em um limite anteriormente estabelecido sob pena de ensinar a criança ou o adolescente que regras servem para ser descumpridas. Alguns pais discordam em relação ao que é ou não permitido e, nesse caso, recomenda-se que conversem e entrem num acordo sobre o que é básico cumprir, evitando confusão ou manipulação por parte da criança.

As crianças não ficam infelizes com a imposição de regras e limites. Pelo contrário, sentem-se mais seguras sabendo o que podem ou não fazer, e podendo prever o que ocorrerá em caso de descumprimento. Pais que não toleram a frustração momentânea de seus filhos ensinam que deve-se obter tudo o que se deseja a qualquer custo e que qualquer sofrimento é intolerável. Um limite não deve ser quebrado porque a criança teve alguma reação negativa. É natural que ela teste os limites e é função do adulto manter o que foi combinado anteriormemte.

Os limites, uma vez colocados, devem ser respeitados. Como fazer isso? Fornecendo as conseqüências previstas para o seu descumprimento e das quais a criança já deverá ter sido informada anteriormente (não brincar por não ter estudado, ir para o quarto se estiver jogando tudo no chão, não ir ao shopping se a nota tiver sido baixa etc.)... Não se deve acenar com uma conseqüência que não se poderá fazer valer e nem estalebelecer limites que não valem a pena ser cumpridos.

É importante dizer que, além de prover consequências restritivas ao descumprimento de limites, conseqüências positivas devem se seguir ao cumprimento dos limites. A criança deve ser incentivada a cumprir acordos com elogios, atenção e afeto contingentes à adequação de seu comportamento no respeito aos limites. Mais e melhor do que punir o inadequado é reforçar o que é adequado.

Muito mais poderia ser dito sobre o assunto, mas vale enfatizar que os pais devem ser um modelo de comportamento para os filhos. Nesse caso, não vale o 'faça o que eu digo mas não faça o que eu faço'. Pais com dificuldades em seguir regras e limites, que fazem as próprias leis e que desrespeitam normas e acordos em seus relacionamentos pessoais e profissionais ensinam os filhos a fazerem o mesmo.

Algumas das orientações anteriores podem parecer fáceis e até ´óbvias', mas o fato é que adultos em geral tem uma grande dificuldade em implementá-las. Alguns tentam uma vez e não se concedem o direito de errar, desistindo em seguida. Mas o estabelecimento e o cumprimento de limites é uma aprendizagem para pais e filhos que vale a pena se permitir. Em caso de necessidade, vale a orientação de sempre: Procure um profissional especializado para ajudá-lo!

Por: Dra. Maria Ester Rodrigues
Fonte: Escritos Comportamentais

Reflexão: Definição de Adolescência por Carvalho


Ser adolescente é viver profundas transformações em todas as suas dimensões (tudo ao mesmo tempo, o agora). Mudanças no seu corpo, suas relações, sua sexualidade, sua força, seus desejos, sua capacidade própria para compreender e explicar o mundo e as suas coisas, suas emoções e sentimentos.
(Carvalho)

Livro para crianças: A verdadeira história dos três Porquinhos



Será que a história dos três porquinhos ocorreu daquele jeito mesmo?

Dando a palavra ao lobo, que naturalmente narra os acontecimentos do seu ponto de vista, Jon Scieszka consegue reforçar a “veracidade” da história original, contar uma história nova e engraçada e dar às crianças a chance de demonstrar que compreendem muito bem as coisas.

Editora: Companhia das Letrinhas

Crianças em idade escolar e atividade física

Portinari - Meninos soltando pipa
Entre as idades de 6 e 11, as crianças experimentam muitas mudanças físicas. Ocorre o aumenta de braços e pernas, desenvolvimento da coordenação, capacidade de usar seus dedos e mãos para o artesanato e melhora a escrita são nítidos, e seu interesse em jogos com regras e esportes organizados cresce. Infelizmente, muitos dos jovens de hoje não se exercitam o suficiente. Você sabia que:

•9 em cada 10 pais acreditam que seus filhos estão em boa forma física, mas na realidade, apenas 1 em cada 3 crianças?

•63% das crianças são fisicamente inativos pelo tempo que eles estão na escola?

•20% das horas (média) do tempo das crianças são gastos assistindo televisão?

•As crianças que são menos fisicamente ativas têm problemas de saúde crônicos do que as crianças sedentárias?

•Crianças fisicamente ativas têm maior auto-confiança e melhor auto-imagem?

Pais, professores e profissionais de fitness têm todos um papel a desempenhar na promoção da aptidão física entre as crianças. No entanto, o papel dos pais é o mais importante. Crianças seguem o modelo de comportamento de seus pais, por isso os pais devem ser fisicamente ativos também. Então, o que os pais podem fazer para promover a atividade física entre seus filhos?

Atividades de exercício "plano família" para que pais e filhos possam exercitar juntos e se divertir! Por exemplo:

◦passear (no shopping, no zoológico, com o animal de estimação da família)

◦ir em passeios de bicicleta e caminhadas pela natureza

◦executar corridas

◦pular corda

◦jogar jogos

◦nadar no verão e no inverno

◦criar uma pista de obstáculos


É importante certifique-se de que as atividades familiares são divertidas, não excessivamente competitivas. Dar às crianças muitos elogios e reforço.

•Vamos ajudar as crianças a fezer atividades. Eles vão se sentir melhor. Quando a atividade física é divertida, as crianças estão mais propensos a tornarem-se ativos. 

•Os ossos das crianças e os músculos ainda estão em desenvolvimento durante os anos do ensino fundamental, certifique-se que as atividades de fitness inclui um tempo de alongamento.

•Lembre-se sempre tomar as precauções de segurança, como usar um capacete quando andar de bicicleta e colocar protetor solar quando nadar.

•Se assistir televisão é uma preocupação, tente esta simples equação, onde as crianças ganham o seu tempo de televisão: uma hora de leitura / TV estudando = ½ hora ou 1 hora de jogo ativo = ½ hora TV

Divirta-se e ficar em forma como uma família!

Por: Amy Halliburton, Graduate Research Assistant, Desenvolvimento Humano e Estudos da Família, Faculdade de Ciências do Ambiente Humano, da Universidade de Missouri-Columbia e Sara Gable, Ph.D., Desenvolvimento Humano e Estudos da Família, Faculdade de Ciências do Ambiente Humano, da Universidade de Missouri-Columbia

Reflexão


Portinari - Futebol

"A aprendizagem de comportamentos sociais e de normas de convivência inicia-se na infância, primeiramente com a família e depois em outros ambientes como vizinhança, creche, pré-escola e escola. Essa aprendizagem depende das condições que a criança encontra nesses ambientes, o que influi sobre a qualidade de suas relações interpessoais subsequentes."
Zilda Del Prette e Almir Del Prette

Cientistas desenvolvem método que pode detectar dislexia antes da idade escolar

Ressonância magnética mostra atividade incomum do cérebro.
Dislexia compromete capacidade de leitura e escrita da criança.

Um estudo publicado na edição desta semana da revista científica “Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)” mostra que é possível identificar que uma criança é disléxica antes que ela entre no ensino fundamental.

Estima-se que entre 5% e 17% das crianças tenham dislexia, uma condição que compromete a capacidade de soletrar, prejudicando a leitura e a escrita. Quando há casos na família, a chance de que uma criança também seja disléxica é maior.

A dificuldade de leitura afeta o desempenho das crianças na escola, e muitas vezes elas são rotuladas como preguiçosas. Estudos anteriores apontam inclusive que a frustração causada por essa queda de rendimento pode levar a comportamentos agressivos e antissociais.

Quanto mais cedo a dislexia é diagnosticada, mais eficazes são os tratamentos disponíveis. Normalmente, esse diagnóstico não é feito antes da terceira série.

Os pesquisadores do Hospital Infantil de Boston, nos EUA, fizeram exames de ressonância magnética para observar o cérebro de 36 crianças de pré-escola enquanto elas realizavam tarefas em que tinham que decidir se duas palavras começavam com o mesmo fonema – essa também é uma dificuldade enfrentada pelos disléxicos.

Na comparação com o grupo controle, as crianças com histórico de dislexia na família apresentaram atividade reduzida em certas regiões do cérebro: as junções do lobo temporal com o lobo parietal e o occipital. As mesmas áreas também são afetadas pela dislexia nos adultos.

“Esperamos que identificar as crianças com risco de dislexia na pré-escola ou até mais cedo possa ajudar a reduzir as consequências sociais e psicológicas que essas crianças normalmente enfrentam”, afirmou Nora Raschle, que liderou a pesquisa, em material divulgado pelo Hospital Infantil de Boston.

Fonte: Portal G1


Livro para criança: Quando Mamãe Virou um Monstro


Este livro fala de forma divertida sobre obediência e boas maneiras. Ao receber a notícia de que os sobrinhos vêm lanchar, mamãe fica desesperada. A casa está uma bagunça, não há nada para servir para as visitas e a pobre mãe não sabe por onde começar... Enquanto isso, os filhos só pensam em brincar. Em vez de arrumar suas coisas, sempre encontram outras para desarrumar, um motivo para brigar e outro para chorar. De repente, uma coisa estranha acontece com Mamãe...

UFSCar discute os avanços para o tratamento do autismo

Celso Goyos explica o que é o autismo:

Reportagem, clique aqui:  EPTV

Professor Dr. Celso Goyos: Professor Adjunto do Departamento de Psicologia da UFSCar, Graduação em Psicologia pela PUC-SP, Mestrado em Applied Behavior Analysis (Western Michigan University), Doutorado em Psicologia Experimental (USP-SP), Pós-doutorado pela University of Wales (Bangor College), Prof. Visitante da Universidade de Oviedo (Espanha), Prof. Visitante da Universidade de Palermo (Itália), Michaelmas Term Seminar Lecturer, Trinity College - U. Dublin (Irlanda)

Autistas chegam ao mercado de trabalho

Como o maior conhecimento sobre o transtorno, terapias adequadas e diagnóstico precoce têm permitido às pessoas com autismo trabalhar

CONQUISTA
Fernanda Raquel desenvolveu a habilidade de desenhar para se comunicar.
Hoje trabalha como ilustradora
Um cenário impensável no passado. Na empresa dinamarquesa de testagem de softwares Specialisterne, 80 dos 100 funcionários têm autismo. Uma das pioneiras na contratação de mão de obra autista, ela é um exemplo do grande avanço ocorrido nos últimos anos no universo das pessoas que convivem com esse transtorno. Com a melhor compreensão sobre a síndrome, os autistas têm deixado a clausura do espaço privado e ganhado o espaço público. “O autismo é um conjunto muito heterogêneo de condições que têm como ponto de contato os prejuízos nas áreas da comunicação, comportamento e interação social”, explica o neurologista Salomão Schwartzman. Se durante muito tempo se falou apenas dessas dificuldades, atualmente começam a ser discutidas as habilidades associadas e como isso pode ser aproveitado em diferentes profissões. Tanto que já há uma primeira geração a chegar ao mercado de trabalho. “Eles têm boa memória, uma mente muito bem estruturada, paixão por detalhes, bom faro para encontrar erros e perseverança para realizar atividades repetitivas”, disse à ISTOÉ o fundador da Specialisterne, Thorkil Sonne.

 

Sonne resolveu investir no filão após o nascimento do filho autista Lars, hoje com 14 anos. A aposta deu tão certo que a empresa abriu unidades na Islândia, Escócia e Suíça e tem servido de inspiração para outras iniciativas. O empresário calcula entre 15 e 20 os projetos inspirados na matriz dinamarquesa em todo o mundo. Um deles é a Aspiritech, nos Estados Unidos, que, desde o ano passado, funciona com 11 engenheiros autistas trabalhando no teste de softwares. “Desde a década de 80, pesquisas mostram que essas pessoas têm uma capacidade muito maior de perceber pequenos detalhes visuais”, falou à ISTOÉ Marc Lazar, da Aspiritech. “Em testes para medir essa habilidade, eles cumprem o desafio em 60% do tempo gasto pelos demais e com grande acurácia.”

Para se chegar à observação dessas qualidades foi preciso superar um erro de interpretação. “Por muito tempo, o autismo foi encarado como uma deficiência intelectual”, diz Adriana Kuperstein, diretora da Re-fazendo, assessoria educacional especial de Porto Alegre. O que se percebeu posteriormente é que em apenas alguns casos há a associação com deficiências intelectuais. Muitos autistas têm o intelecto preservado, vários com inteligência superior à média, mas não conseguem interagir porque não sabem usar os canais normais de comunicação.

CONFIANÇAO dinamarquês Thorkil Sonne tem uma empresa que explora as habilidades dos autistas
“É como um computador sem os softwares necessários para realizar determinada tarefa”, compara a psicóloga Alessandra Aronovich Vinic, que pesquisa autismo. Em seu consultório, ela aplica o método do treino das habilidades sociais. Seus pacientes aprendem, por exemplo, a reconhecer as feições relacionadas a sentimentos, como tristeza e alegria, ou a fixar o olhar no outro enquanto conversam. Pode parecer prosaico, mas faz toda a diferença para quem tem autismo. “As pessoas se comunicam visualmente o tempo todo”, fala Júlia Balducci de Oliveira, 23 anos. Para a jovem, não conseguir olhar nos olhos era uma fonte de angústia só superada com terapia. Formada em cinema, hoje Júlia trabalha na direção de um documentário sobre o autismo.

Atualmente se sabe que quadros mais discretos também se incluem no chamado espectro autista, com boas possibilidades de tratamento. “Mas há 30 anos somente pacientes muito graves eram diagnosticados”, explica Ricardo Halpern, da Sociedade Brasileira de Pediatria. “Eles eram internados, sedados e alijados do convívio social.” A delimitação desse grupo maior de pessoas aprimorou os métodos de tratamento. “As intervenções começaram a ser feitas mais precocemente, gerando maior inserção social”, disse à ISTOÉ o brasileiro Carlos Gadia, professor do departamento de neurologia da Universidade de Miami e diretor-médico da ONG Autismo&Realidade. Os principais beneficiados foram os pacientes de quadros mais leves.

 

Foi o caso da jovem Fernanda Raquel Nascimento, 18 anos. A terapia ajudou a jovem a vencer os obstáculos que encontrava para interagir. Também progressivamente ela transformou em profissão o que era uma de suas formas de comunicação, o desenho. Hoje ela comemora seus primeiros trabalhos de ilustração para a Livraria Saraiva, em São Paulo. “Com o dinheiro, quero cursar faculdade”, diz. A jovem ainda trabalha em casa, mas o objetivo é que passe a dar expediente no escritório. “Ela realiza um trabalho de alta qualidade e com um ótimo atendimento da demanda”, fala Jorge Saraiva, proprietário da rede de livrarias. Depois do contato com Fernanda, a empresa iniciou um plano para a contratação de pessoas com diferentes tipos de transtorno, entre eles, o autismo. Que se torne um cenário comum.
 
 
Por Rachel Costa
Fonte: Isto é
"Não considere nenhuma prática como imutável. Mude e esteja pronto a mudar novamente. Não aceite verdade eterna. Experimente."
(Skinner, BF)

Como restabelecer as regras para as crianças na volta às aulas.



Quando sou mãe sou muito séria.
 
É muito bom poder diminuir os compromissos e aproveitar os pequenos prazeres que normalmente não podemos usufruir por falta de tempo. E quando nossos filhos entram nas tradicionais férias escolares de certa forma também tiramos férias. Não precisamos reforçar a hora de fazer a lição de casa, das atividades extra-curriculares. Ou seja, não precisamos ser tão rígidos com as regras de maneira geral e temos mais tempo para curtir nossos filhos com mais tranquilidade. O problema está na hora de restabelecer o funcionamento do código de regras.

Se nós adultos temos dificuldade de reimprimir o rítimo após uma temporada de descanso na casa de praia, imaginem as crianças.

A partir do inécio de fevereiro, a maioria das escolas voltam a funcionar normalmente. Como sou mãe sei que esse período de readaptação não é dos mais fáceis nem para as crianças nem para os pais.

Conversei com a psicóloga comportamental Jaíde A. Gomes Regra, que trabalha com crianças e adolescentes, sobre quais são as melhores formas de fazer com que a volta as aulas sejam o menos estressante possível no ambiente familiar.

Jaíde defende uma divisão de três grupos familiares:

 - grupo 1 é o tipo que não abre mão das regras independente da relação acadêmica;
 - grupo 2, não tão firme quanto o primeiro, tem os limites e regras como algo frágil, facilmente quebráveis.
 - grupo 3 é o mais permissivo, no qual a família mantém um alto limiar com relação as regras, como se fossem férias o tempo todo.

As famílias que adotam características do grupo 1 tem muito menos dificuldade em reorganizar a rotina das crianças por ser um contínuo do dia-a-dia. As crianças desse grupo enfrentam melhor a frustração, tornando a convivência mais fácil. As do grupo 2 já sentem uma certa dificuldade na hora de arrumar as ordens do dia. Já o grupo 3, Jaíde sustenta que até durante as férias a família passe por momentos de estresse, afinal as crianças não se acostumaram a lidar com as frustrações de um "não". Geralmente são crianças que fazem birra e choram muito para tentar, até o último instante, fazer com que os pais cheguem nos seus limites pessoais e desistam de manter suas atitudes.

É importante que os pais determinem quais dos grupos eles se encontram para poder saber se o problema está nas crianças ou neles mesmo. No livro "Pais Liberados. Filhos Liberados", Adele Faber e Elaine Mazlish mostram o quanto nós pais somos o reflexo da auto-imagem da criança. Muitas vezes nós mesmo construímos todos os comportamentos que não gostamos nas crianças e de maneira tola. Sem parar para observar as nossas pequenas atitudes que são capazes de instalar grandes e duradouros problemas nos nossos filhos. A exemplo dos rótulos, que mesmo quando são usados por nós na brincadeira, a criança absorve aquela visão e passa a agir como tal.

Na relação pais e filhos, bem como em outras áreas da vida, é preciso alinhar o discurso e a concretização dele. Isso gera confiança da criança em relação aos pais e clareza dos seus limites. Afinal as crianças são muito inteligente, sabem muito bem quem são as pessoas que elas podem levar na sua manha com manipulações conscientes ou inconscientes. Para Jaíde o ato de brigar deve sempre ser substituído pelo brincar. A briga ou o castigo levam a criança a diminuir o seu senso de autocrítica, vitimar-se e culpar o punidor, aumentando a tensão entre a relação. No entanto, a brincadeira, o reforço positivo para as atitudes das crianças atinge uma "área de recompensa no cérebro" levando a criança a se sentir satisfeita com suas próprias atitudes.

Dicas para levar seu filho numa boa

A psicóloga diz que o castigo pode ser substituído pelo que ela chama de "combinado". Ou seja, é possível fazer acordos com a criança. "Não se deve mandar a criança ir fazer a tarefa na hora em que ela está assistindo ao seu desenho favorito. O que geraria uma enorme insatisfação e aumentaria a impulsividade comprometendo o autocontrole. Se ela souber que pode assistir ao desenho assim que acabar a tarefa, é possível que ela se esforce muito mais pela consequência dos seus atos" diz Jaíde.

Fixar um quadro de regras e comportamentos no quarto também é uma maneira de tornar as atitudes da criança numa brincadeira e estabelecer visualmente para ela qual é a quantidade de erros e acertos e quais as consequências que isso gera nos acordos. "Se a criança faz uma coisa certa, a mãe pode fazer uma brincadeira rápida de 2 minutos dando assim uma qualidade de atenção ao feito da criança." explica.

A Escola

É muito importante que os pais tenham um contato sólido com a escola no sentido de alinhar funcionamentos e diminuir espaços na atuação da criança. A dica é procurar a professora depois de aproximadamente 20 dias após a volta das atividade escolares para saber como está o comportamento do seu filho e fazer com que ele saiba que tem a responsabilidade de sustentar as suas atitudes tanto em casa quanto na escola.

Nós pais amamos nossos filhos e a eles só queremos o melhor, então não podemos esquecer que é muito mais fácil para nós brincar com eles, do que para eles sustentar uma briga conosco. A minha dica é: vire criança com o seu filho! Mesmo que você chegue cansado, ele vai ajudar lhe a relaxar e ainda vai ganhar uma excelente qualidade de atenção e comunicação com você, estreitando laços. Além do mais, dedicar um tempinho para ser criança nos ajuda a rejuvenescer.

**Jaíde Aparecida Gomes Regra possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1968) , mestrado em Psicologia (Psicologia Experimental) pela Universidade de São Paulo (1973) e doutorado em Psicologia (Psicologia Experimental) pela Universidade de São Paulo (2003) . Tem experiência na área de Psicologia , com ênfase em Psicologia do Ensino e da Aprendizagem. Atuando principalmente nos seguintes temas: Sessões, Emoçes, Aprendizagem.

Livro para Crianças: O homem que amava caixas



Este livro fala de maneira simples e bonita sobre o relacionamento entre pai e filho. Com ilustrações alegres e muita sensibilidade, O Homem que Amava Caixas conta a história de um homem que era apaixonado por caixas e por seu filho. O único problema é que, como muitos pais, ele não sabia como dizer ao filho que o amava.
Autor: Stephen Michael King
Ilustrador: Stephen Michael King
Editora: Brinque Book
Assunto abordado: Relacionamento Pai e Filho, Amor incondicional, Dificuldade de Expressão, Diversidade de Personalidade, Respeito as Diferenças

Livro para Criança: Meu filho Pato


Ao longo do seu desenvolvimento, toda criança vivencia situações de perda - como quando muda de casa, quando nascem os irmãos, quando adoece ou morre um ente querido. Essas situações podem gerar sentimentos e reações fortes. Se esses momentos representam vivências difíceis, por outro lado podem nos ajudar a crescer. Para que as crianças possam enfrentar esses desafios é muito importante que consigam expressar seus sentimentos, em conversas e brincadeiras ou através de histórias ficcionais.

Pensando na dificuldade que muitos adultos têm em falar com seus filhos sobre a morte, o escritor Ilan Brenman, autor de inúmeros livros de sucesso destinados ao público infantil, e a equipe de psicólogas do Instituto 4 Estações, especializadas em lidar com situações de perda, resolveram convidar seis escritores de renome para criar histórias para os pequenos sobre esse assunto. O resultado é um livro tão variado em estilos - há contos de humor, outros mais tristes, um mais psicodélico, cordel e poesia - quanto em conteúdo - muitas possibilidades para que as crianças possam falar sobre a morte e entendê-la como um fenômeno inerente à vida.

A importância de um pai na vida de um filho

Vídeo que mostra a importância de um pai na vida de um filho.


É importante refletir!

Agressividade de crianças não pode ser recompensada, diz especialista

Se a criança usa a violência para chamar atenção, é preciso ter cuidado.
Brian Iwata pesquisa comportamentos problemáticos.

Há momentos em que ignorar uma criança é a melhor maneira de evitar que ela se torne violenta. A premissa é de Brian Iwata, da Universidade da Flórida, nos EUA, especialista em comportamentos problemáticos.
“O que consideramos comportamento problemático é a agressividade e as autoagressões”, explica o pesquisador, que veio ao Brasil para participar do congresso “Avanços na Pesquisa e no Tratamento do Comportamento Autista”, da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA).

Iwata não trabalha apenas com crianças autistas, mas elas são parte importante do grupo que é estudado. Ele estima que cerca de 15% dos autistas apresentem comportamento agressivo, e que outros 15% pratiquem autoagressões – “eles se batem, se mordem e se arranham”, esclarece.

Recompensa
“Há uma tendência na psicologia e na psiquiatria de colocar a causa do comportamento dentro da pessoa. Nós [da corrente de pesquisa de Iwata] tendemos a procurar fora da pessoa e descobrir o que, no meio ambiente, está mantendo esse comportamento. Quase sempre há algo no meio ambiente”, aponta.

Para Iwata, o que faz com que a criança continue com o comportamento problemático é o que ele chama de “recompensa”.
“Quando as crianças se machucam, os pais têm que dar atenção. O que os pais professores fazem com frequência é dar atenção demais em resposta a esse comportamento. E dão outras coisas: lanches, histórias, jogos”, conta.
Além da recompensa, existe outro processo, que Iwata chama de "fuga". Se a criança não quer fazer uma ação, pode se tornar agressiva ou se machucar para não ter que obedecer.
“Em geral, ou é algum tipo de recompensa ou é algum tipo de fuga”, diz o especialista. “Nós tentamos descobrir qual é o caso para depois descobrir qual deve ser o tratamento”.
Segundo Iwata, os métodos de tratamento estão cada vez mais precisos e específicos para cada tipo de comportamento e local onde é apresentado – em casa ou na escola. Ele considera também que as avaliações estão sendo feitas com mais rapidez, o que faz com que o comportamento das crianças seja tratado com mais facilidade.
Fonte: G1

Reflexão


"A escolha é clara: ou não fazemos nada e permitimos que um futuro miserável e provavelmente catastrófico nos alcance, ou usamos nosso conhecimento sobre o comportamento humano para criar um ambiente social no qual poderemos viver vidas produtivas e criativas, e fazemos isso, sem pôr em risco as chances de que aqueles que se seguirão a nós serão capazes de fazer o mesmo."
(Skinner, B.F., 1978, p66)

Livro para pais: Pais liberados, Filhos liberados


Baseadas no método desenvolvido pelo renomado educador Haim Ginott, as autoras, Adele Faber e Elaine Mazlish, mostram neste livro como criar um relacionamento melhor e mais humano entre pais e filhos. O método tem como objetivo tornar os filhos mais livres, autênticos e confiantes. As técnicas e orientações apresentadas, com humor e honestidade, descrevem as dificuldades enfrentadas na tentativa de superar velhos comportamentos derrotistas - a acusação, o xingamento, os sermões, o sarcasmo - convidando os filhos à cooperação, ao invés da imposição.

A importância do brincar com Kristina Speakes

Em 02/12/2011 ocorreu uma palestra que abordou o tema "A importância do bricar na vida das crianças", parceria da Joanninha com Mamatraca no Espaço Vila da Arte. Fui uma das convidadas para discutir este assunto e junto havia uma educadora espetacular, Kristina Speakes, a qual tive o prazer de dividir o espaço e brincar. Foi uma tarde fabulosa e por isso quero dividir um pouco com vocês  a entrevista que a Mamatraca realizou com Kristina.


Ela tem a capacidade de fazer com que adultos e crianças mergulhem no mundo das brincadeiras sem ver o tempo passar. Americana que vive no Brasil desde 2001, Kristina Speakes tem uma formação de peso: é graduada em ciências políticas e japonês na Phillips University (Oklahoma) e tem mestrado na University of Arizona, além de formação continuada no programa WIDE World da faculdade de educação de Harvard.

É idealizadora do movimento Project Kids (http://projectkids.wordpress.com/), um programa itinerante de brincadeiras sócio-educativas para estimular momentos de diversão e desenvolvimento entre pais e filhos. Na semana passada, ela agitou as convidadas do evento realizado pelo Mamatraca em parceria com a Joanninha e hoje ela dá essa entrevista mais do que relevante sobre a importância do brincar.

Faz diferença para os pequenos quando os pais brincam junto com eles? Como?

Faz diferença, sim. Em primeiro lugar, pesquisas demonstram que ninguem tem o mesmo interesse no desenvolvimento de uma criança que sua mãe ou seu pai tem. Quando você passa tempo brincando com seu filho, ele se sente valorizado e ele tem um modelo muito importante para as habilidades e atitudes que o brincar pode proporcionar: negociação, troca de vez, limites, tomada de decisões, entre outros. Mas quanto falamos em brincar com seu filho, isso significa brincar mesmo, de verdade. Tem que sentar no chão e mergulhar no mundo da criança. Inicialmente quem não está costumado pode se sentir fora da sua zona de conforto. Não se preocupe, se estiver disposta a brincar junto ao seu filho, rapidinho você estará rindo o mesmo tanto que ele.

Quais são as brincadeiras que ajudam a família a estreitar laços e colaboram para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças?

As atividades mais importantes são as que estimulam a criatividade, a exploração e a resolução de problemas. Nada de muito pronto e decidido já. Ofereça materiais de artes sem dar muitas instruções. Junte numa caixa vários objetos e deixe no chão para seu filho de 18 meses explorar. As possibilidades são ilimitadas. Faz-de-conta, com papai ou mamãe assumindo o papel determinado pela criança, é um dos mais indicados. Vai com cuidado, deixando seu filho guiar a brincadeira ao máximo que for possível. Seu filho quer servir batata frita com pudim no restaurante? Por que não? Sua filha quer tornar a mesa de jantar numa fortaleza e brincar de bonecas por baixo? Pode acabar sendo uma memória que dura anos.

A forma como pais brincam com seus filhos varia conforme a cultura ou diferentes regiões dentro de cada país? Por que?

Tudo varia de acordo com a cultura local e a brincadeira não é uma exceção. E cada cultura passa seus valores para futuros gerações através das suas brincadeiras. O que não varia são as etapas de desenvolvimento e o fato que as crianças aprendem brincando.

As novas tecnologias que nos fazem ficar conectados 24h por dia atrapalham o tempo que os pais poderiam estar brincando com os filhos?

Na verdade, a tecnologia não atrapalha. O que atrapalha são as escolhas que o pai ou mãe fazem com aquela tecnologia. Crianças são bem espertas e reparam em tudo. Se estiver mandando SMS ou surfando no tablete enquanto brincar com seu filho, ele vai sentir seu distanciamento. Ao invés de brincar de “faz-de-conta” você vai fazer de conta que está brincando. Deixe seu celular na prateleira. Não tem nada tão importante que não possa esperar por 30 minutos.

Piaget diz que a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais das crianças, mas pesquisas indicam que hoje os pequenos passam quase todo tempo sendo supervisionados, sem tempo para a brincadeira livre e muitas vezes recebendo os brinquedos prontos, de forma que elas exerçam menos a capacidade de criar. De que forma isso pode afetar o amadurecimento?

Quando está tudo muito preparado para a criança, tira dela a possibilidade de fazer escolhas e tomar decisões. No curto prazo, isso pode atrapalhar sua vida escolar, pois não desenvolve adequadamente estas habilidades tão importantes. Além disso, pesquisadores na Universidade de Harvard estão conseguindo demonstrar que os jovens universitários hoje tem menos capacidade de trabalhar em equipe, resolver disputas e solucionar problemas do que gerações passadas. A ligação entre o tipo de brincadeira desenvolvida na infância e o sucesso na vida adulta está cada vez mais clara. As crianças precisam brincar e suas brincadeiras precisam ajudar elas a aprender conviver no mundo, tomando decisões e interagindo com seus pares.

As crianças que não têm brinquedos ou têm uma menor quantidade acabam desenvolvendo mais a sua capacidade criativa e de improviso?

Mais importante do que o brinquedo é o que se faz com ele. Pode ser um jogo que é muito chique, caro, importado da Europa. Ou pode ser um par de meias amarrado no meio. Se aquele brinquedo servir para estimular de forma lúdica a criatividade da criança e sua capacidade de resolver problemas, então é um brinquedo que vale a pena ter em casa. A pesar de jogos eletrônicos e videogames terem seu lugar, brinquedos que não necessitam pilhas nem cabo de fonte tendam a estimular mais a mente da criança.

O ato de brincar é intrínseco à criança ou ela aprende por imitação?

O brincar é intrínseco, sim. Crianças não precisam ver um modelo para pegar uma colher de pau e uma panela da mamãe para juntar os dois e criar um tambor muito divertido. Crianças são exploradores naturais e gostam de experimentar com jogos imaginários, materiais e texturas, sensações táteis. Crianças não precisam imitar um adulto para saber brincar. Dito isso, o modelo de habilidades e atitudes que o adulto mostra enquanto brincar junto com uma criança é muito importante.

Fonte: Mamatraca

As crianças estão mais ansiosas e deprimidas do que nunca. Por quê?

O aumento dramático de Ansiedade e Depressão em Crianças e Adolescentes:

Estará ligado declínio de Jogos e brincadeiras e o aumento da escolaridade?

Taxas de depressão e ansiedade entre os jovens nos Estados Unidos aumentou nos últimos 50-70 anos. Hoje estudantes colegiais e muitos universitários preenchem os critérios para o diagnóstico de depressão maior e/ou transtorno de ansiedade como era verdade meio século ou mais atrás. O aumento desta psicopatologia não é justificado devido a mudança nos critérios de diagnóstico, que detém mesmo quando as medidas e critérios são constantes.

A evidência mais recente para a forte subida de gerações de jovens da depressão, ansiedade e outros transtornos mentais vem de um estudo recém-lançado liderado por Jean Twenge, em San Diego State University. Twenge e seus colegas se aproveitou do fato de que o MMPI - o Minnesota Multiphasic Personality Inventory, um questionário utilizado para avaliar uma variedade de transtornos mentais - foi dado a grandes amostras de estudantes universitários nos Estados Unidos em 1938, e do MMPI-A (a versão usado com adolescentes mais jovens) foi dada a amostras de estudantes do ensino médio em 1951. Os resultados são consistentes com outros estudos, usando uma variedade de índices, que também apontam para um aumento dramático na ansiedade e depressão - em crianças, bem como em adolescentes e adultos jovens - nos últimos cinco ou mais décadas.

Gostaríamos de pensar a história como progresso, mas se o progresso é medido na saúde mental e felicidade dos jovens, então estamos voltando passos para trás pelo menos desde o início dos anos 1950. A questão que quero abordar aqui é o porquê.
 
O aumento dessas psicopatologia parece não ter nada a ver com os perigos realista e incertezas no mundo. As mudanças não se correlacionam com os ciclos econômicos, guerras, ou qualquer um dos outros tipos de eventos mundiais que muitas vezes as pessoas falam sobre como afetando o estado mental das crianças. Taxas de ansiedade e depressão entre crianças e adolescentes eram muito mais baixos durante a Grande Depressão, durante a Segunda Guerra Mundial, durante a Guerra Fria, e durante os turbulentos anos 1960 e início dos 70 do que são hoje. As mudanças parecem ter muito mais a ver com a maneira como os jovens vêem o mundo do que com a forma como o mundo realmente é.

Declínio nos jovens o sentido de controle pessoal sobre seu destino

Uma coisa que sabemos sobre a ansiedade e a depressão é que se correlacionam significativamente com o sentimento de controle ou falta de controle sobre suas próprias vidas. Pessoas que acreditam que eles estão no comando de seu próprio destino são menos propensos a tornar-se ansiosos ou deprimidos do que aqueles que acreditam que eles são vítimas de circunstâncias além de seu controle. Você pode pensar que o sentido de controle pessoal teria aumentado ao longo das últimas décadas. Progresso real tem ocorrido em nossa capacidade de prevenir e tratar doenças, os velhos preconceitos que as opções de pessoas limitadas por causa de raça, gênero ou orientação sexual têm diminuído. No entanto, os dados indicam que a crença dos jovens que eles têm controle sobre seus próprios destinos diminuiu drasticamente ao longo das décadas.

A medida padrão de senso de controle é um questionário, desenvolvido por Julien Rotter no final de 1950, o chamado Locus Interno-Externo da Escala de controle. O questionário é composto por 23 pares de declarações. Uma declaração de cada par representa a crença em um lócus de controle interno (controle por parte da pessoa) e o outro representa a crença em um lócus de controle externo (controle por circunstâncias fora da pessoa), e a pessoa que faz o teste deve decidir qual instrução em cada par é mais verdadeiro. Um par, por exemplo, é o seguinte: (a) Eu descobri que o que vai acontecer vai acontecer. (b) Confiar ao destino nunca acabou bem para mim, como tomar uma decisão para fazer um curso de ação definido. Neste caso, a escolha (a) representa um locus de controle externo e (b) representa um locus de controle interno.

Muitos estudos ao longo dos anos têm mostrado que pessoas que marcam o controle interno sobre tarifa escala Rotter é melhor na vida do que aqueles que pontuam o controle externo. Eles são mais propensos a conseguir bons empregos, cuidar da saúde, desempenham um papel ativo em suas comunidades e eles são menos propensos a tornar-se ansioso ou deprimido.

Em um estudo publicado há alguns anos atrás, Twenge e seus colegas analisaram os resultados de muitos estudos anteriores que utilizaram Escala Rotter com os jovens ao longo dos anos a partir de 1960 a 2002. Descobriram que durante este período pontuações médias mudou dramaticamente - para crianças de 9 a 14, bem como para estudantes universitários - longe do Interna para o controle Externo da escala. Na verdade, a mudança foi tão grande que o jovem médio em 2002 foi mais do que externas foram de 80% dos jovens na década de 1960. O aumento da Externalidade na escala de Rotter sobre o período de 42 anos mostrou a mesma tendência linear assim como o aumento da depressão e ansiedade.

É razoável sugerir que o aumento da Externalidade (e declínio da Internalidade) é causalmente relacionada com o aumento da ansiedade e depressão. Quando as pessoas acreditam que têm pouco ou nenhum controle sobre seu destino eles se tornam ansiosos. "Algo terrível pode acontecer comigo a qualquer momento e eu não serei capaz de fazer nada sobre isso." Ansiedade e sentimento de impotência tornam as pessoas mais deprimidas. "Não adianta tentar, estou condenado."

Mudança na direção de Metas Extrinsecos, longe de objetivos intrínsecos

A teoria Twenge diz que o aumento de gerações na ansiedade e depressão estão relacionados com uma mudança de metas "intrínseca" para "extrínsecos". Objetivos intrínsecos são aqueles que têm a ver com o próprio desenvolvimento como pessoa -. Tais como tornar-se competentes nos esforços da sua escolha e desenvolver uma significativa filosofia de vida. Objetivos extrínsecos, por outro lado, são aqueles que têm a ver com recompensas materiais e julgamentos de outras pessoas. Eles incluem metas de alta renda, status, e boa aparência. Twenge cita evidências de que os jovens de hoje são, em média, mais orientado para objetivos extrínsecos e menos orientado para objetivos intrínsecos do que eram no passado. Por exemplo, uma pesquisa realizada anualmente dos calouros da faculdade mostra que a maioria dos estudantes listam "estar bem financeiramente", como mais importante para eles do que "o desenvolvimento de uma filosofia de vida significativa", enquanto que o inverso era verdade na década de 1960 e 70. 
A mudança em direção a objetivos extrínsecos poderia muito bem estar relacionado causalmente com a mudança para um locus externo de controle. Temos muito menos controle pessoal sobre o alcance das metas extrínsecas do que objetivos intrínsecos. Eu posso, por meio de esforço pessoal, muito definitivamente melhorar a minha competência, mas que não garante que eu vou ficar rico. Eu posso, através de práticas  espirituais ou filosóficas, encontrar meu próprio senso de significado na vida, mas isso não garante que as pessoas vão me achar mais atraentes ou elogiar-me. Na medida em que o meu sentido emocional de satisfação vem do progresso em direção a objetivos intrínsecos posso controlar o meu bem-estar emocional. Na medida em que a minha satisfação vem de julgamentos dos outros e recompensas, eu tenho muito menos controle sobre o meu estado emocional.

Twenge sugere que a mudança do intrínseca aos objetivos extrínsecos representa uma mudança geral em direção a uma cultura de materialismo, transmitida através da televisão e outras mídias. Os jovens estão expostos desde o nascimento para propagandas e outras mensagens que implica que a felicidade depende de boa aparência, popularidade, e os bens materiais. Meu palpite é que Twenge é pelo menos parcialmente correta sobre isso, mas eu vou sugerir aqui uma causa maior, que eu acho que é ainda mais significativo e básico. Minha hipótese é que o aumento das gerações no Externalidade, objetivos extrínsecos, ansiedade e depressão são causados ​​em grande parte pela queda, no mesmo período, em oportunidades de brincadeira livre e o aumento do tempo e o valor dado à educação.

Como o declínio da brincadeira livre pode ter causado um declínio na sensação de controle e em objetivos intrínsecos, e um aumento da Ansiedade e Depressão

Dar as crianças a liberdade para brincar e explorar por conta própria, independente da orientação de adultos direta, diminuiu muito nas últimas décadas. Jogo livre e exploração são, historicamente, os meios pelos quais as crianças aprendem a resolver seus próprios problemas, controlar suas próprias vidas, desenvolver seus próprios interesses, e tornar-se competentes em busca de seus próprios interesses. Na verdade, o jogo, por definição, é uma atividade controlada e dirigida pelos jogadores, e jogar, por definição, é direcionado para intrínsecos ao invés de extrínsecos objetivos.


Por privar as crianças de oportunidades de jogar e brincar por conta própria, longe da supervisão de um adulto que diriciona e controla, estamos privando-os de oportunidades para aprender a assumir o controle de suas próprias vidas. Podemos pensar que estamos protegendo-os, mas na verdade nós estamos diminuindo a sua alegria, diminuindo o seu sentido de auto-controle , impedindo-os de descobrir e explorar e aumentando a chance de sofrerem de ansiedade, depressão , e vários outros transtornos mentais.

Como Escolaridade coercivas priva as pessoas jovens de Controle de Pessoal, os direciona para os objetivos extrínsecos, e promove a Ansiedade e Depressão

Durante o mesmo meio século ou mais que o jogo livre diminuiu, escola e atividades extra curricular (tais como aulas fora da escola e adultos direcionado esportes ) têm aumentado continuamente em sua proeminência. As crianças de hoje passam mais horas por dia, dias por ano, e anos de sua vida na escola do que nunca. Mais peso é dado para testes e as notas do que nunca. Fora da escola crianças passam mais tempo do que nunca em locais onde eles são direcionados, protegidos, atendidos, classificados, julgados e recompensados ​​por adultos. Em todos esses adultos configurações estão no controle, e não crianças.

Na escola, as crianças aprendem rapidamente que as suas próprias escolhas de atividades e os seus próprios juízos de competência não contam, o que importa são as escolhas dos professores e julgamentos. Os professores não são totalmente previsíveis. Você pode estudar muito e ainda obter uma nota baixa, porque você não descobriu exatamente o que o professor queria que você estudasse ou adivinhasse corretamente as perguntas que ele ou ela iria perguntar. O objetivo em sala de aula, nas mentes da grande maioria dos estudantes, não é competência, mas boas notas. Dada uma escolha entre a aprendizagem realmente de assunto e obter um A, a grande maioria dos estudantes que, sem hesitação, escolher o último. Isso é verdade em todas as fases do processo educativo, pelo menos até ao nível de pós-graduação. Isso não é culpa dos alunos, e sim nossa culpa. Nós configuramos dessa a situação desta maneira. Nosso sistema de testes de avaliação constante e nossas escolas - que se torna cada vez mais intensa com o passar dos anos - são um sistema que de forma claramente recompensas extrínsecas. É um sistema que é quase projetado para produzir ansiedade e depressão.

Escola é também um lugar onde as crianças têm pouca escolha sobre com quem pode associar. Eles são levados para espaços cheios de outras crianças e passam uma boa parte de cada dia nesses espaços. Em jogo livre, crianças que se sentem perseguidos ou intimidado pode deixar a situação e encontrar um outro grupo que é mais compatível, mas na escola eles não podem. Se os bullies são outros estudantes ou professores (que é muito comum), a criança geralmente não tem escolha, mas enfrentar cada dia e cada pessoa. Os resultados são por vezes desastrosas.

Alguns anos atrás, Mihaly Csikszentmihalyi e Jeremy Hunter conduziu um estudo de felicidade e infelicidade em alunos de escolas públicas. Cada um dos 828 participantes, de 33 diferentes escolas em 12 diferentes comunidades em todo o país, usava um relógio de pulso especial para uma semana, o que foi programado para fornecer um sinal em momentos aleatórios 07h30 - 22:30. Sempre que o sinal era emitido os participantes preenchiam um questionário indicando onde estavam, o que estavam fazendo, e como se sentiam naquele momento (feliz ou infeliz). Os níveis mais baixos de felicidade, de longe, (surpresa, surpresa) ocorreu quando as crianças estavam na escola, e os níveis mais altos ocorreu quando eles estavam fora da escola e conversando ou jogando com os amigos. Felicidade média aumentou nos finais de semana, mas depois despencou nas tardes de domingo e permaneceu à noite, antecipando a semana que vem.

Como sociedade, temos chegado à conclusão de que as crianças devem gastar quantidades cada vez maiores de seu tempo em cenários que também proporcionam grandes aprendizados e experiências como jogos livres. O custo dessa crença, como medido pela felicidade e saúde mental dos nossos filhos, é enorme. É hora de repensar a educação .

Another Way

Qualquer um que olha com honestidade as experiências dos alunos nas escolas Sudbury modelo democrático e de unschoolers - onde a exploração da liberdade, brincar, e auto-dirigida prevalecer - sabe que há outra maneira. Nós não precisamos educá-los precocemente e loucamente. Dada a liberdade e oportunidade, sem coerção, os jovens se educam. Eles fazem isso com alegria, e no processo que eles desenvolvem valores intrínsecos pessoal, auto-controle e bem-estar emocional. É hora da sociedade dar uma olhada honesta.

Fique atento.

Por Peter Gray