Crianças e jovens na internet

Desde muito novos, as crianças e os jovens de hoje aprendem a usar o computador e a acessar a internet. No mundo online, eles conversam com os amigos, jogam, pesquisam, compram, fazem trabalhos escolares e muito mais. Ao mesmo tempo em que é uma aliada, a internet também pode ser um vilão na vida dos filhos. Por isso, é muito importante que os pais fiquem de olho no que seus filhos aprontam na web.
Dados recentes da pesquisa Norton Online Family mostram detalhes da vida secreta dos filhos na internet. Através do estudo, foi possível verificar que 33% das crianças e dos jovens compram pela internet, sendo que 24% deles compram sem o conhecimento dos pais. Os números comprovam que ainda falta um pouco mais de controle dos genitores em relação ao que os filhos fazem no mundo virtual.
 
"Com a ausência dos pais na maior parte do tempo no dia a dia das crianças e dos jovens, a grande companhia é a internet, redes sociais e jogos online. Então, não é de se espantar que este público faça compras sem que seus pais saibam. Mas a ausência dos pais não pode justificar a falta de controle ou de limites sobre as ações dos filhos", adverte Paula Pessoa Carvalho, psicóloga especializada em comportamento infantil, da Estímulo Consultoria.
Além disso, a pesquisa Norton indica que 2% dos pais admitem não saber o que os filhos estão acessando e 12% das crianças acreditam que os pais não sabem o que elas fazem na web. "Os pais devem ter em mente que a internet é um espaço público, assim como a rua em que andamos. Neste espaço, encontramos todos os tipos de pessoas. Porém, diferente das ruas, na web ninguém nos observa e as pessoas se sentem à vontade para ser quem elas quiserem. É aí que mora o perigo", alerta Marcelo Maronezi, especialista em tecnologia de informação e fundador da rede social brasileira Marangoo.
Os pais não são os únicos responsáveis por seus filhos quanto aos cuidados relacionados à internet. A escola tem papel fundamental para os alunos e deve orientá-los sobre os perigos do mundo virtual. "A escola pode colaborar muito com os pais na educação das crianças falando dos riscos que existem na internet e também dos benefícios, orientando-os de forma correta", explica Paula.
Mas, segundo a última pesquisa Norton Online Family, 67% das crianças acreditam receber da escola uma educação insuficiente sobre segurança online. "As crianças de hoje sabem mais do que os professores sobre internet, pois são nativas digitais. Primeiro elas aprendem a mexer no mouse, e só mais tarde aprendem a escrever o nome", observa Bruno Rossini, especialista em Segurança Norton da Symantec.
"Por isso, as escolas devem capacitar os docentes, para que eles possam explicar aos alunos os riscos da web, tais como vírus, spam, entre outros. Assim, as crianças aprendem sem passar por experiências negativas online", alerta Rossini.
Outro dado importante é sobre os professores e as redes sociais. O estudo Norton aponta que 78% dos professores são amigos dos alunos em redes sociais. "Hoje, as pessoas tendem ao isolamento devido ao grande número de tarefas no dia a dia, violência urbana, entre outros fatores. Na sala de aula existe essa tendência ao isolamento, seja por timidez ou superlotação, e muitas vezes o professor não consegue conhecer os alunos de forma mais completa, nem aproximar-se deles. As redes sociais estão aí para ajudar a aproximar professor e aluno", afirma Maronezi.
"Através das redes sociais, os professores conhecem melhor as crianças. Desta forma, os docentes entendem a realidade virtual delas e podem utilizar a ferramenta a favor da educação. Por exemplo, por meio da criação de fóruns de discussões", afirma Rossini.
Além disso, as redes sociais podem trazer outros benefícios. "Elas facilitam o aprimoramento de outras línguas, pois têm uma infinidade de ferramentas e alcança um público que ultrapassa as fronteiras da sala de aula. Muitos professores já buscam dividir e compartilhar conteúdos nas redes sociais e sites", garante Maronezi.
A internet pode trazer benefícios ou problemas, tudo depende da forma que as crianças e os jovens a utilizam. Por isso, é importante os pais controlarem o acesso e uso da internet pelos filhos. "Os pais não devem proibir o acesso à web, é o pior caminho. É melhor permitir e fazer parte. Eles podem ser amigos da criança nas redes sociais, é uma forma de vigiar sem oprimir", ensina Rossini. "Além disso, os pais precisam ensinar as crianças a não conversar com estranhos mesmo virtualmente. O risco da pedofilia diminuiu no Brasil, mas ainda existe", lembra.
Para observar o que os filhos fazem na internet, o especialista recomenda a utilização controles parentais, ferramentas que controlam o tempo da criança na web e impedem o acesso a alguns sites. "Além disso, confira o histórico de navegação. Assim, os pais também conseguem saber quais sites seu filho tem acessado", orienta Rossini.
A pesquisa Norton mais recente indica ainda que 13% das crianças admitiram acessar sites adultos e conteúdos impróprios quando os genitores não estão por perto. "Os filhos driblam os cuidados dos pais e acessam a internet pelo celular ou na casa de amigos. Mas se a criança for esclarecida e mantém um diálogo aberto com os pais, evita este tipo de situação", explica Rossini.
Para as redes sociais, há também os cuidados específicos. "Os pais devem monitorar os filhos, saber quem são seus amigos virtuais. E quando aparecer algum novo amigo, saber de onde é e qual a idade. A grande polêmica da atualidade é a pedofilia, então a função de cada pai é rastrear e monitorar as atividades virtuais das crianças. O diálogo intenso sobre os riscos e benefícios do uso da internet deve ser rotineiro nos lares da atualidade", avisa Maronezi.
"Quando há diálogo e respeito, dificilmente os filhos farão algo que seus pais desaprovaram ou que coloque sua confiança a prova", afirma Paula. "Por serem muito ocupados, os pais querem ser amigos dos filhos, mas não sabem impor limite. Porém, é sempre importante lembrar que o jovem ou a criança precisa aprender a se desenvolver para ser um ser social. E para viver bem em sociedade, limites e respeito são indispensáveis", alerta a psicóloga.
Fonte BBel

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