Reflexão: O jogo infantil era uma questão de sobrevivência

Familiares desesperados despedindo-se de uma criança (que seria enviada para a morte) através da cerca da prisão central do gueto. Naquela cadeia, crianças, doentes e idosos ficavam aprisionados antes de serem deportados para sua morte em Chelmno, como parte da ação entitulada Gehsperre. Lodz, Polônia. Foto de setembro de 1942

"O jogo infantil era uma questão de sobrevivência...
O jogo tinha um potencial muito pequeno para modelar ou alterar a vida...
A capacidade de fugir da realidade através do jogo...
Não poderia ser mais do que um mito. Mas era um mito maravilhoso – criava uma ambiguidade moral, mostrando as coisas como se poderia pensar que deveriam ser, não como eram...
No holocausto...o jogo...tornou-se uma forma instintiva para compreender o absurdo e para ajustar o irracional...
O jogo infantil é um reflexo da humanidade...
A humanidade e a inumanidade estão refletidas nas crianças."
(George Eisen, 1988)

Liberdade em excesso é falta de limites

Doutora em psicologia, Jaíde Regra defende maior participação e cobrança dos pais em relação aos filhos, mas sem violência.

Nos tempos em que 46% das crianças e adolescentes possuem celular, a internet tira cada vez mais jovens do convívio real e a falta de tempo dos pais serve de argumento para se ''fazer as vontades'' dos filhos, é possível controlar o comportamento dos pequenos? Para a professora Jaíde Regra, doutora em psicologia pela USP, quando eles seguem ordens e regras, ainda que estejam com diferentes ''cuidadores'', a resposta é positiva. Confira suas principais declarações.

Como os profissionais da educação e pais devem agir diante de crianças que mentem e têm o costume de matar aulas?

Levando-se em conta que a mentira mais frequente é aquela que tem a função de evitar uma punição ou desaprovação, a forma de combatê-la é bloqueá-la. Esse bloqueio das mentiras só acontece através da checagem. Ao mesmo tempo em que se mostra que, uma vez mentindo, determinada criança perdeu temporariamente a confiança nela depositada, pais e professores precisam ajudá-la a recuperar essa relação. Toda vez que houver a checagem, o relato verbal da criança deve coincidir com os fatos ocorridos.

E qual a ação recomendada com aquelas que apresentam comportamento anti-social?

Comportamentos anti-sociais devem ser interrompidos pelo adulto nas situações de emergência ou de risco. Nas situações de maior gravidade, a criança precisa ser acompanhada por um terapeuta. De qualquer forma, pais e professores podem auxiliar no processo, analisando a criança sob alguns aspectos importantes, desenvolvendo a percepção do outro, isto é, como imagina que o outro se sentiu; identificando a consequência que o seu comportamento tem obre si mesmo; e, ainda, suscitando a pergunta: se a situação ocorresse normalmente, qual a alternativa para mudar a consequência desagradável para uma agradável?

Analisando as décadas passadas e os dias atuais, estamos com crianças mais ou menos ''difíceis''?

As crianças de hoje podem ser mais difíceis de lidar quando um conjunto de fatores estão presentes: cada vez há um maior número de pais que trabalham fora e as crianças são submetidas a sistemas de criação diferentes dependendo do ''cuidador'' do momento. Ora é a mãe e o pai, ora pode ser a avó, ora a babá. Cada um usando formas diferentes de lidar com cada situação. Isto dificulta a delimitação de limites, pois aquele que ceder mais, se transforma no mais querido.

Liberdade em excesso concedida em casa ou na escola se converte em empecilho?

Sem dúvidas. A liberdade em excesso é a falta de limites. Nesse sentido, em que converter ''não'' em ''sim'' torna-se rotineiro, a criança terá dificuldades de acatar as regras da escola. Todos perdem com esta situação.

Recente pesquisa mostrou que em Khartoum, Sudão, crianças submetidas à punição apresentaram mais problemas de comportamento que as demais crianças. Bater é a solução, por parte dos pais?
Não. A punição física gera raiva do punidor e não é educativa. Além de trazer sofrimento, faz com que a criança aprenda a mentir e a não assumir a consequência de seu comportamento.

E o educador, como pode ''fidelizar'' seu aluno?

Os alunos costumam descrever os professores legais como aqueles que respeitam o aluno, que são engraçados, permitem brincadeiras com respeito e são firmes com a falta de limites sem serem grosseiros. Planejam suas aulas para torná-las interessantes e elogiam os acertos e comportamentos adequados dos alunos, fazem perguntas para quem está prestando atenção. Dispõem as informações com aumento gradual da complexidade, favorecendo a compreensão, e criam dispositivos chamativos, como audiovisuais, que favorecem a concentração.

Punição física faz com que a criança aprenda a mentir e a não assumir a conseqüência de seu comportamento, diz psicóloga

Fonte: Bonde
Thiago Nassif - Folha de Londrina

Medo de Dentista!!!

Estava pesquisando na internet e olhe o que encontrei, uma especialista que tanto admiro falando sobre criança com medo de dentista e gostaria de compartilhar com vocês!

Especialista que esteve presente no programa Papo de Mãe conversando sobre MEDO, Jaíde Regra, psicoterapeuta infantil.

“Para medo de dentista podem ser feitas brincadeiras em casa (brincar de dentista). A criança pode imitar a dentista e usar uma colher para mexer na boca da mãe. Depois, invertem-se os papéis: a mãe é a dentista e a criança foi ao dentista. A mãe deve fazer brincadeiras muito agradáveis e descrever alguns comportamentos que a criança deve emitir na dentista. Pode-se fazer um combinado de ganhar estrelinhas, por exemplo, e ao final da brincadeira, se tiver bastante estrelinhas, enchendo uma fileira, ganhar um adesivo para colar e brincar... Assim, abriu a boca , desenha uma estrelinha; deixou passar um remedinho (um cotonete com água filtrada), desenha outra estrelinha e elogia a criança. Passou o "motorzinho", desenha estrelinha e elogia. Quando a criança não segue a regra a mãe diz: "Que pena agora não posso desenhar a estrelinha" e espera a criança seguir o combinado. Quando a criança estiver emitindo esses comportamentos em casa de modo prazeroso, a mãe pode combinar com a criança que irão à dentista fazer todas aquelas brincadeiras para o dente ficar direitinho, sem cárie. Pode brincar de estrelinha na dentista e ganhar um adesivo no final. Após situações repetidas em que a criança se comporte bem na dentista, não há mais necessidade de estrelinhas: só os elogios. Verbalizações sobre ser corajoso podem ser suficientes."
 
Fonte: Papo de Mãe

Palestra: A importância do brincar na vida das crianças

 Mamatraca e Joanninha convidam para um delícioso encontro para conversarmos sobre a importância do brincar na vida das crianças, no dia 02 de dezembro (sexta-feira).
Façam as inscrições no site:  Mamatraca

Acupuntura para bebês e adolescentes?

As pessoas tem muitas dúvidas sobre a acupuntura e sua utilização específicamente para bebês e adolescentes. É difícil mesmo imaginar um bebezinho cheio de agulhinhas, nossa...eu não faria isso!
 
Bem, eu utilizo os pontos de acupuntura para tratar bebês, mas é através de pressão dos dedos, caneta de luz(cromoterapia) e as vezes um palito para pressionar.

O resultado é fantástico, os bebês respondem super bem e sem dor.

Quanto aos adoslescentes, muitos não se incomodam com o uso de agulhas, principalmente com o aumento do uso de tatuagens, que é bom esclarecer, acupuntura não dói nada perto de tatuagem!

A acupuntura pelos adolescentes é utilizada não só para tratamentos de dores físicas, mas também para acalmar e relaxar a mente, dar clareza aos objetivos e escolhas que são tantas atualmente. Resultando num melhor desempenho escolar, nos esportes e no comportamento de forma geral.

A acupuntura busca o equilíbrio energético para o bom funcionamento dos órgãos e vísceras, olhando para cada um, individualmente, e olhando sempre para um ser feito de mente x corpo x espírito. As vezes é difícil cuidar de tudo ao mesmo tempo, por isso o desequilíbrio aparece e se não tratado, vai se aprofundando até o adoecimento.
 
Por: Cristina Taguchi

Entrevista: O que falta é afeto

Li uma entrevista interessante na revista Veja on line e gostaria de compartilhar. Essa reportagem nos remete a refletir sobre a forma que muitos pais educam os filhos e muitas vezes utilizam punições inadequadas, sem lógica. Vejam, é interessante!

Entrevista: O que falta é afeto - Revista Veja

Psicóloga diz que educar dá trabalho e que os pais fazem mal aos filhos com punições sem lógica e às vezes até cruéis

"Tem-se a impressão de que os pais são tolerantes demais com os filhos.
Descobri o contrário" Lidia Weber

A maioria dos pais se martiriza com questionamentos intermináveis sobre como criar os filhos. Por mais que evitem, estão sempre esquadrinhando seu comportamento. Estariam sendo muito duros? Muito permissivos? Muito autoritários? Como agir em determinada situação? Para a psicóloga Lidia Weber, de 46 anos, o tema é uma fonte inesgotável de indagações das quais já se consolidaram, felizmente, algumas certezas. Autora de seis livros sobre relações intrafamiliares, coordenadora de um programa de dinâmica familiar na Universidade Federal do Paraná, ela costuma aconselhar seus alunos e os pais que a procuram da seguinte maneira: "Siga sua consciência, obedeça a seus valores". É essa a maneira de educar. Para ela, o sucesso na criação passa pelo fortalecimento da auto-estima das crianças. E isso se faz, ao contrário do que diz o senso comum, mais com elogios do que com punições. "Muitos pais não sabem elogiar. Têm vergonha", diz. Casada, mãe de três filhos entre 10 e 16 anos, Lidia – que nunca apanhou dos pais e nunca bateu nos filhos – é uma entusiasta do castigo e uma inimiga da palmada, que ela considera dispensável mesmo nas situações de limites.

Veja – Por que os pais parecem tão assustados com a tarefa de educar os filhos?

Lidia – Acho que há duas razões principais. Primeiro, pela realidade mesmo. Somos todo o tempo bombardeados com notícias sobre violência. Isso dá muito medo. Outra razão eu acho que se deve ao que chamo de quebra da solidariedade entre os adultos. Antes, tínhamos a sensação – e era verdade – de que poderíamos contar com outras pessoas para cuidar do bem-estar de nossos filhos. Os vizinhos, os parentes, os professores faziam parte dessa rede de segurança. Hoje isso não existe mais. É cada um por si. O perigo pode morar ao lado. Esse medo do "outro" é a expressão mais tangível da paranóia dos pais.

Veja – Qual a melhor maneira de os pais lidarem com esses medos?

Lidia – Acho fundamental a retomada da rede de segurança. Contar com os avós, com amigos próximos. Voltar a aprender a confiar. Isso conforta e dá segurança. Os pais também têm de se focar. Gasta-se muito tempo com preocupações menores. Se o filho não comeu verdura, se o outro deixou os tênis espalhados pelo quarto, se a filha saiu sem casaco, e por aí vai. Isso não quer dizer nada. Só provoca angústia e insegurança nos pais e nos filhos. Antes de fazer tantas ressalvas, questione-se: "Isso realmente é crucial?" ou "Que lição meu filho vai levar disso?". Às vezes, a obsessão com a segurança pode ser mais danosa que os próprios riscos.

Veja – Livros de auto-ajuda ou de como criar os filhos vendem como nunca. Eles são úteis?

Lidia – Depende. A maioria dos pais ignora a fase de desenvolvimento dos filhos. Se soubessem como são os comportamentos típicos de cada idade, educar ficaria mais fácil. Por exemplo: é normal um menino de 6 anos querer comer com a mão. É normal chegar à adolescência e, durante uma briga, dizer que odeia os pais. Ciente disso, fica mais fácil gerenciar, lidar com essas questões. Ao contrário, tudo pode se tornar um drama. A mãe pensa: "Ah, vou deixar minha filha fazer o que ela quiser, porque eu não agüento ouvir isso". Os livros são úteis para isso. Para informar como é uma criança, um adolescente. Mas livros que falam como fazer seu filho ficar rico ou virar um gênio não podem ser levados a sério.

Veja – Por quê?

Lidia – Porque não existe um padrão, um modelo em que se possa enquadrar todo mundo. Esses livros servem para aliviar a culpa de alguns pais. Eles acham que lendo um manual vão aprender a ser perfeitos. Os pais sentem muita culpa porque passam muito tempo longe dos filhos. Mas é uma realidade hoje. É preciso ter noção de que seu filho não vai virar um desajustado porque não está 24 horas a seu lado. Nem ele nem os amiguinhos ficam tanto com os pais. Dito assim, parece óbvio, mas os pais devem educar os filhos de acordo com seus valores pessoais, não pelo valor dos autores de livros. Têm de entender que só eles são capazes de tomar decisões e passar valores para suas crianças.

Veja – A senhora costuma dizer que não há pais permissivos, há pais negligentes e com pouco afeto. Por quê?

Lidia – Fizemos várias pesquisas na Universidade Federal do Paraná com cerca de 1 500 crianças de escolas públicas e particulares. Hoje, tem-se a impressão de que a maioria dos pais é tolerante demais. Descobrimos o contrário. Há muito pouco afeto em jogo.

Veja – Qual o maior dilema dos pais?

Lidia – Sem dúvida, é a questão de bater ou não bater. Porque a maioria apanhou, e quem apanhou acha normal bater. A outra dificuldade é sobre questões cotidianas, que a gente chama de supervisão inadequada, excessiva. Os pais estão estressados, têm pouca paciência. É muito mais eficiente dizer: "Olhe, eu vou chamar você uma vez para almoçar. Se não vier agora, só vai comer na próxima refeição".

Veja – A senhora coloca a palmadinha de leve no mesmo patamar de uma surra? Não é exagero?

Lidia – O princípio é o mesmo: eu uso o poder e a força para obrigar você a parar de fazer alguma coisa. Em 99% dos casos a palmada é usada quando os pais estão com raiva. Isso aumenta o risco de a punição se transformar em maus-tratos porque você está descontrolado. O único resultado positivo da palmada é que a criança pára de perturbar na hora. E esse é um dos aspectos perversos do tapa: por ter efeito imediato, os pais o utilizam com muito mais facilidade e freqüência. Há um estudo da professora Elizabeth Gershoff, da Universidade Columbia, provando o mal da palmada a longo prazo. Há dez aspectos negativos observados para cada um positivo. Mulheres que apanharam dos pais na infância costumam encarar com mais naturalidade a violência do marido, por exemplo. Há uma ligação estreita com o aumento de agressividade, de comportamento delinqüente e anti-social.

Veja – Estamos falando de uma palmadinha...

Lidia – Ainda assim. No estudo de Gershoff é feita essa diferença. São várias análises que levam em conta o que se chama de punição normativa e o abuso físico de fato. Então, alguém pode dizer: "Eu apanhei dos meus pais e não sou anti-social". Tudo bem. Mas isso não prova muita coisa. A pesquisa é mais esclarecedora nesses casos porque reflete o que ocorre com a maioria das pessoas. É claro que, se você leva um tapinha mas é estimulado em casa a ter uma boa auto-estima, não vai virar um marginal. Se os pais forem muito competentes e usam uma palmadinha de vez em quando, isso não causa prejuízo. Mas eu pergunto: se são tão competentes, por que precisam bater?

Veja – E o castigo?

Lidia – O castigo é muito eficiente. A retirada de privilégios é uma conseqüência lógica: "Você chegou às 11 da noite, era para chegar às 10, então da próxima vez vai chegar às 9". O filho precisa de regras, pois a vida adulta é cheia delas. Com adolescente, saber negociar também é vital. Outro dia, minha filha foi advertida na escola porque não fez a tarefa. Ela mesma veio até mim e disse: "Então, vamos ver o castigo que eu posso ter. Vai ter a festa da fulana, então eu não vou à festa". Causa e conseqüência. Isso vem de berço. É uma doutrina que se ensina desde pequeno.

Veja – Qual o grande erro dos pais na hora de castigar?

Lidia – É quando não conseguem estabelecer regras coerentes de acordo com a idade, e consistentes de acordo com sua conduta. Você não pode dar um castigo conforme o seu humor. Por exemplo, aquela mãe que, depois que uma criança aprontou algo, começa a berrar: "Vai ficar um mês sem usar a internet!" ou "Vai ficar uma semana sem sair de casa!". É quase impossível manter isso. Então, só imponha castigos que você pode cumprir. Do contrário, seu filho vai perder a confiança e o respeito por você.

Veja – Há técnicas eficientes de castigo para cada idade?

Lidia – Com crianças menores, há técnicas eficientes como o time out. É o famoso ficar no quarto trancado ou sentado sem levantar ou falar por alguns minutos. É preciso ter muito controle porque a criança pode chorar e berrar e você tem de se manter firme. Crianças nessa idade querem muita atenção. É nesses poucos minutos que elas vão sentir a pena. Calcule um minuto por ano. Três anos, três minutos de castigo. O que conta é que haja conseqüências imediatas.

Veja – E se você está no shopping com seu filho de 6 anos, ele se joga no chão, começa a berrar feito louco porque quer um tênis de 300 reais? Como falar "Vamos conversar, meu filho" com o menino dando um escândalo?

Lidia – Você não vai falar isso na hora. Até porque vai estar com raiva também. Segure-o pelo braço e leve-o embora dali. Quando ele se acalmar, mostre as conseqüências da má atitude dele. Criança não nasce chata. Ela fica chata por causa dos pais. Se a criança faz birra e os pais cedem para se ver livres do escândalo, eles estão recompensando esse comportamento. Aí vira aquela criança insuportável, da qual os pais mesmos vão se afastar e dizer: "O gênio dela é ruim". Não existe isso.

Veja – Os pais têm preguiça de ensinar?

Lidia – Eles têm de argumentar, o que é mais complicado. Dá muito mais trabalho do que simplesmente dizer não. Se seu filho quer um tênis de 300 reais "porque todos os amigos têm" e você não vai comprar, explique as razões. Diga que não é com um tênis que ele vai se tornar alguma coisa ou que é contra seus princípios pagar tão caro por um sapato ou simplesmente que você não tem o dinheiro. Mas diga o motivo sincero. Você não pode sair de lá e cinco minutos depois comprar uma bolsa de 500 reais para você.

Veja – Como convencer pais que trabalharam o dia todo, brigaram com o chefe, passam por uma crise no casamento a chegar em casa e ter ânimo de argumentar com as crianças?

Lidia – Educação é trabalho. Se você tem um relatório para entregar para seu chefe no dia seguinte, você vai virar a noite, mas vai escrevê-lo. Se está com TPM mas tem uma reunião decisiva, você toma um comprimido e vai. Por que muitas pessoas não têm esse empenho quando se trata de educar suas crianças? É o que chamamos de "investimento parental". Tem de investir, tem de fazer um esforço, tem de dar a real importância a esse tempo com os filhos. Mas, se você não conseguir um dia ou outro, também não é o fim do mundo.

Veja – E se os pais nunca fizeram isso? É possível mudar o comportamento depois de muitos anos?

Lidia – Há uma técnica que chamamos de quadrinho de recompensas, em que você foca nas coisas positivas feitas pela criança. É muito eficiente se usada depois dos 4 anos. Liste todas as tarefas que você considera positivas. Pode colocar até arrumar a cama, escovar os dentes, comer tudo. Quando a criança fizer isso, ela mesma vai até o quadrinho e se dá uma estrela. Quando um pai permissivo resolve mudar de atitude, a criança piora o comportamento no primeiro momento. Ela vai tentar obter a atenção com as armas que usava antes. Se fazia birra, vai fazer ainda mais. Então, tem-se de agüentar esse começo.

Veja – Existe um caminho de como fazer de seu filho um adulto feliz?

Lidia – Fortalecer a auto-estima. É surpreendente, mas a maioria dos pais tem dificuldade de elogiar seu filhos. Eles temem parecer falsos. Mas é preciso insistir até conseguir. Se dois irmãos estão brincando e eles costumam brigar, em vez de dizer "Até que enfim, vocês estão brincando", diga: "Que bom, vocês estão brincando juntos". Sem sarcasmo, sem provocação. Os pais devem sempre mostrar que o amor deles pelos filhos é incondicional. Aquela coisa de dizer: "Ah, se você não comer tudo não vou mais gostar de você" mina a auto-estima da criança de um jeito quase irreversível. A criança tem de contar com o seu amor, mesmo que ela faça algo errado.

Veja – Como fazer com que seu filho confie em você?

Lidia – Ouça, não julgue. Não avalie seu filho pelos seus padrões. Se sua filha vier lhe contar que "ficou" com dois meninos numa festa, não faça escândalo. O mundo mudou. Hoje isso é plenamente aceitável. Se você brigar, ela nunca mais lhe contará nada. Mas, se ela contar que transou com dois, aí é outra coisa. Seu papel é explicar que isso não é aceitável. Exponha as causas e as conseqüências de tal atitude, mas sem puni-la. Ensine desde a tenra idade seu filho a falar sobre si próprio.

Veja – O que é fundamental na relação entre pais e filhos?

Lidia – Afeto, envolvimento, participação, saber quem são os amigos. É preciso monitorar. Não é ligar para o celular da criança ou adolescente a cada dez minutos. É mostrar que você se importa, que participa da vida deles, mesmo que, num primeiro momento, isso pareça intromissão. Não tenha dúvida: no futuro, eles agradecerão.

Por: Daniela Pinheiro

13º Festa do Livro da USP


A maior e mais tradicional, a Festa do Livro da USP, realiza sua 13ª edição nos dias 24, 25 e 26 de novembro deste ano. Oferecendo sempre descontos mínimos de 50%, a Festa é conhecida por trazer um grande número de editoras universitárias e comerciais.
Mais informações: USP

Querido amigos,
Liguei na USP para obter informações sobre a feira e saber as datas corretas e fui informada que o evento foi cancelado e não há previsão para este ano... :(  ... mas tudo bem, vamos nos preparar para o próximo!!! :)
Vale a pena!!!

Reflexão


“O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranqüila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você”. A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção.”

Rubem Alves - trecho de seu livro ‘O amor que ascende a lua’

Será que precisamos exercitar nossa escuta para ouvirmos melhor nossas criança?

Aprendizagem – Crianças


Uma das aplicações da análise do comportamento na educação é com alunos de primeiro grau que apresentam dificuldades escolares. Tais dificuldades podem ser originadas de diferentes fontes. A primeira ação a ser realizada por um psicólogo é caracterizar a dificuldade, investigando suas causas. Algumas delas são descritas abaixo:

Falhas no sistema educacional: o método da escola é ineficiente, ou os professores são inábeis.

Dificuldades de aprendizagem: a criança tem dificuldade em uma ou mais área do ensino, por exemplo, em raciocínio matemático ou aprendizado verbal. Condições emocionais: a criança pode não se sentir bem na escola por conta da relação com os professores, colegas, ou mesmo problema familiar.

Quadros neurológicos: neste caso, além da terapia comportamental, recomenda-se acompanhamento médico.

Depois de identificado o problema, a intervenção é planejada. A atuação do psicólogo corre junto à escola, aos pais e à criança. O objetivo é criar condições favoráveis para o desenvolvimento das habilidades nas quais a criança apresenta rendimento inadequado. Isto é feito por meio de um planejamento de ensino que torne o estudo interessante para o aluno e seja apropriado ao seu modo de resolver problemas (algumas pessoas aprender melhor com imagens e gráficos, outras com leitura, etc). Além disso, é realizado um trabalho com os pais e professores, de modo que todos os adultos que lidam com a criança ajam de forma coerente para seu sucesso.

Muitas vezes um aluno não tem bom desempenho escolar porque seus hábitos de estudo são inapropriados. Pode, por exemplo, ler enquanto come ou na frente da televisão. Nesses casos, o psicólogo e o aluno podem criar estratégias de estudo mais eficientes, considerando questões como tempo disponível, local de estudo e conteúdo a ser aprendido. Esse planejamento é particular para cada indivíduo: enfatiza-se as necessidades pessoais e o modo como a criança se relaciona com seu ambiente social e emocional.


Por:  Robson Brino Faggiani - Psicologia pela Universidade Federal de Santa Catarina, Especialização em Terapia Comportamental e Cognitiva (USP) e Mestrado em Psicologia Experimental (USP). Atualmente, está realizando doutorado na Universidade de São Paulo

A Hiperatividade e a Aprendizagem do Adolescente no Meio Familiar em uma Visão Analista Comportamental

Resumo: A hiperatividade atualmente é um assunto bastante discutido dentro da sociedade. Educadores e pais observam isso tanto em crianças quanto em adolescentes, mas a maioria da população não o sabe diferenciar de outros comportamentos. Esse trabalho busca estudar a relação familiar de adolescentes portadores da hiperatividade e principalmente como a análise do comportamento pode orientar um tratamento ou intervenção psicológica mais eficaz tanto nesses adolescentes quanto em seus pais.
Palavras-chave: adolescentes, hiperatividade, pais de adolescentes hiperativos, análise do comportamento e aprendizagem na adolescência.

1. Introdução

A hiperatividade “é um transtorno neurobiológico caracterizado pela desatenção, inquietação e impulsividade.” (Carvalho, 2010).

O objetivo da nossa pesquisa é mostrar que, apesar de serem tão comuns em crianças, os adolescentes também desenvolvem transtornos psicológicos e que eles podem se findar com a ajuda e orientação tanto dos psicólogos e educadores quanto dos próprios pais.

O tema enfocado considera que, muitos fatores como a genética, as mudanças corporais e/ou fisiológicas e as relações familiares, podem contribuir negativamente para o desenvolvimento do transtorno hiperativo e como os pais podem contribuir para o tratamento do comportamento hiperativo no adolescente através de seus próprios comportamentos e demonstrações afetivas.

Delimitamos o artigo em tópicos principais onde mostraremos à conceituação da Hiperatividade ou TDAH, seus sintomas, as diferenças entre uma adolescência considerada normal com uma adolescência envolvida nesse transtorno, o que caracteriza a aprendizagem do adolescente hiperativo, o conceito familiar e a relação dos pais com esses adolescentes, e por último, como a análise do comportamento visualiza esse transtorno, quais as estratégias que ela recorre e como se dá a intervenção psicológica em seu tratamento. Sabendo-se que tudo isso é para a contribuição de um novo conhecimento e a colaboração de uma nova informação para o leitor desfrutar e recorrer.

Nossa pesquisa é de caráter bibliográfico baseado nos seguintes autores: Partel (2010), Neto (2010), Sampaio (2008), Servera; Bornas; Moreno (2005), principalmente.

Por fim, procuramos ajudar todos os leitores, de alguma forma, para que eles conheçam mais profundamente os sentimentos da hiperatividade, tanto no adolescente portador quanto na família deste, e contribuam para diminuir esses sentimentos de caráter psicológico.

Cita Ballone (2002, s/p):
"Devido à série de problemas psicológicos, sociais, educacionais e até mesmo criminais que pode ocorrer como conseqüência do não tratamento do TDAH, é muito importante que os profissionais da área de saúde mental e educação, além das famílias, estejam pelo menos informados sobre a existência do TDAH e os seus principais sintomas."

2. Definições de hiperatividade ou TDAH

Muitos estudiosos têm escrito acerca do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), visto a grande repercussão do transtorno e suas construções de senso comum, que resultam em inadequadas rotulações, como destaca Assencio (2010) “às vezes não é TDAH, mas sim um problema social, na família, que altera o comportamento da criança”. Portanto, para compreendermos o Transtorno comecemos conhecendo o seu conceito.

Segundo Carvalho (2010), “O TDAH é um transtorno neurobiológico caracterizado pela desatenção e inquietação. Alterações nos neurotransmissores da região frontal do cérebro, responsável pela inibição do comportamento, memória e autocontrole, são apontados como a principal causa do transtorno”.

De acordo com Cohen; Salloway; Zawacki (apud Dalgalarrondo, 2008)
"No transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) há dificuldade marcante de prestar atenção a estímulos internos e externos, pois o paciente, geralmente criança ou adolescente, tem a capacidade prejudicada em organizar e completar tarefas, assim como relutância em controlar seus comportamentos e impulsos. (p. 107)"

No dizer Wicks-nelson e Israel (1997) apud Servera; Bornas; Moreno (2005, p. 407) tomando como base o DSM- IV- TR, para que um indivíduo seja diagnosticado como portador do TDAH exige-se que os sintomas estejam presentes em pelo menos duas situações.

Aguiar (2007) ressalta que o TDAH é caracterizado por déficits de atenção, atividade motora excessiva e crônica e impulsividade ou falta de controle e não se relacionam com a idade da criança. Há discrepância entre níveis de desenvolvimento cognitivo e os problemas manifestos de autocontrole.

É também importante entendermos o significado dos três principais conceitos que se articulam ao transtorno: falta de atenção, impulsividade e hiperatividade. No dizer de López e Gárcia (apud Servera; Bornas; Moreno, 2005, p. 402) a atenção pode ser entendida como o processo psicológico implicado diretamente nos mecanismos de seleção, distribuição e manutenção da atividade psicológica. Impulsividade pode ser definida como um déficit para inibir comportamentos em resposta a demandas situacionais. E a hiperatividade poderia ser definida como a presença de níveis excessivos, para a idade da criança, de atividade motora ou verbal. (SERVERA; BORNAS; MORENO, 2005, p.402).

Aguiar (2007) também cita que, o TDAH é caracterizado por uma falha na captação do neurotransmissor da dopamina pelos neurônios, ou seja, em uma pessoa normal, a dopamina é liberada por um neurônio com o intuito de estimular outro neurônio, após esse processo ela volta ao neurônio original, em um ciclo ininterrupto. No cérebro de quem sofre com o transtorno esse processo acontece mais rapidamente. Como conseqüência, a dopamina tem pouco tempo para ativar os neurônios vizinhos.

Enfim, trazemos essas definições para que todos os leitores possam identificar o TDAH e como o organismo reage a ele.

2.1 Sintomas da Hiperatividade ou TDAH

Luiz Augusto Rohde, Professor associado de Psiquiatria da Infância e da Adolescência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2010) defende que devem ser observados de seis a nove sintomas para se diagnosticar o portador do transtorno. Características como dificuldade da pessoa em prestar atenção e manter a concentração em determinadas atividades devem ser consideradas, mas de acordo com sua freqüência, uma vez que essas características podem ser encontradas em toda a população, mas nos indivíduos portadores do transtorno da hiperatividade estas fazem parte do seu cotidiano.

Para identificarmos os sintomas mais frequentes tomemos como base alguns critérios do DSM-IV-TR (SERVERA; BORNAS; MORENO, 2005, p. 406), a seguir, enfatizando o contexto escolar:

Desatenção: não prestar atenção a detalhes ou cometer erros por omissão em atividades escolares, de trabalho ou outras; tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas; não segue instruções e não termina seus deveres escolares, tarefas domésticas ou obrigações profissionais; tem dificuldade para organizar tarefas e atividades; apresenta esquecimento em atividades diárias; é facilmente distraído por estímulos alheios a tarefa.

Hiperatividade: freqüentemente agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira; abandona sua cadeira na sala de aula ou outras situações na qual se espera que permaneça sentado; corre ou escala em demasia, em situações impróprias; tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer; fala em demasia; está “a mil” ou outras vezes reage como se estivesse “a todo vapor”.

Impulsividade: freqüentemente dá respostas precipitadas antes de terem sido completamente formuladas; tem dificuldade para aguardar sua vez; interrompe ou se intromete nas atividades dos outros, entre outros comportamentos.

Lucchi (2008) afirma, ainda, que na adolescência esses sintomas diminuam, mantendo alguns traços mais sutis que chamam atenção dos outros colegas, todavia os transtornos no comportamento, a atenção e a concentração continuam bastante prejudicados.

2.2 Diferenças da adolescência normativa e adolescência com TDAH

A partir das características da Hiperatividade e a visão que temos da adolescência, torna-se difícil de diferenciá-la de um estado “normal” para um estado patológico nesse período. Como destaca Campos (2003) “a questão da adolescência é normalmente um período de estabilidade ou instabilidade psíquica que tem despertado ampla variedade de opiniões,” ocasionando rotulações inoportunas.

Embasamos a visão da adolescência normal como um estado de perturbação para tornarmos clara a dificuldade de se perceber e discriminar comportamentos hiperativos no desenvolver do adolescente. Com fundamento nisso, compreende-se duas expectativas relacionadas: primeiro que o desenvolvimento do adolescente normal será caracterizado por tensões, turbulência, pensamentos, sentimentos e ações imprevisíveis; e segundo, que como consequências de tal tempestade e stress, os adolescentes normativamente, exibirão sintomas que, no adulto, sugeriria psicopatologia definida.

Pode-se, no entanto, diferenciar a adolescência como um estado de perturbação dos comportamentos hiperativos, visto, a primeira ser considerada uma fase, como ressalta Campos (2003, p. 134) “a maioria dos adolescentes, apesar de sua aparente instabilidade, tem suficiente força de personalidade para emergir de sua confusão como adultos relativamente saudáveis, enquanto a hiperatividade apesar do tratamento que visa atenuar seus sintomas não é um estado transitório do desenvolvimento do adolescente”.

Apoiando o segundo conceito, a natureza adaptativa da adolescência normativa, que vai dá ao passo se seu ambiente for gradualmente induzido a experiência, para quais foi preparado, o adolescente é capaz de ser influenciado como se permita que ele assuma responsabilidades e desempenhe papéis maduros, estará pronto para desenvolvê-lo, e se os adultos esforçarem realmente para aceitar seus interesses, quando necessário, ele vai satisfazer com melhor aptidão suas necessidades. Conforme Campos (2003, p. 134), “o adolescente realizará a transição para a maturidade de forma suave e sem complicações”, nesse caso, podemos verificar uma maior diferenciação entre a adolescência normativa e o adolescente com TDAH.

Baseando-se no ultimo conceito, as implicações psicopatológicas da formação de sintoma em adolescente, apresentaremos que a contrariedade das impressões que se tem dos sintomas aparente do adolescente, como um fenômeno normal, transitório, auto limitado e espontaneamente repressivo, que a evidência acumulada dos sintomas de distúrbios psicológicos, vão despertar interesse e atenção profissional sobre o adolescente como sobre os adultos.

Segundo Campos (2003, p.134), qualquer anormalidade ocorrida durante o período de desenvolvimento é importante como indicador de instabilidade mental ou de uma tendência para se deslocar da normatividade. A partir dessa visão, percebe-se a grande importância de observar os comportamentos e reações do adolescente, podendo estes representar alguma patologia.

2.3 A aprendizagem do adolescente hiperativo

De acordo com Neto, ex-presidente da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil (2010), “um excelente indicador do bem-estar geral do adolescente é o sucesso escolar”. Nas crianças e adolescentes, os problemas de rendimento escolar e dificuldades de aprendizagem são uma das características mais claramente associada à hiperatividade completa SERVERA; BORNAS; MORENO (2005 p. 404).

Carvalho (2010) ressalta que normalmente as crianças não conseguem controlar seus comportamentos, incidindo com maior gravidade, a disputa da sua inteligência, assim em vez de se ater à explicação dada pelo professor, ficam envolvidos em atividades mais produtivas durante a aula.

A partir dessa visão, percebe-se a fundamental importância no reconhecimento de sinais que possibilitam hipótese diagnóstica, auxiliando no tratamento do indivíduo hiperativo, visto a relação diária entre professor e aluno.

Definindo adolescência, Carvalho (2002) cita que:
"Ser adolescente é viver profundas transformações em todas as suas dimensões (tudo ao mesmo tempo, o agora). Mudanças no seu corpo, suas relações, sua sexualidade, sua força, seus desejos, sua capacidade própria para compreender e explicar o mundo e as suas coisas, suas emoções e sentimentos." ( p.37)

E segundo Aguiar (2007) “na adolescência as alterações secundárias se exacerbam, aparecendo, com freqüência, condutas anti-sociais, ao passo que o nível de auto-estima do indivíduo é afetado.”

Segundo Neto (2010), o TDAH apresenta de modo diferente na adolescência em comparação com a infância, devido à contínua impulsividade, os comportamentos de alto risco na infância convertem-se em comportamento de risco extraordinariamente altos na adolescência.

"Os desafios, às regras menores ou ao intento de pôr limites dos pais na infância, precoce e média, convertem-se agora, em abuso de drogas, delinqüência, atividade sexual precoce e sem proteção, e comportamento anti-social repetido. Durante a adolescência estes atributos podem conduzir a um aumento de conflitos na escola e no lar na medida em que se torna notória individuação no processo de desenvolvimento." (NETO, 2010, s/p).

Outro fator que prejudica a aprendizagem do adolescente hiperativo “é a comunicação do estudante com os professores” (NETO, 2010). A responsabilidade é do sistema educacional por sua incapacidade para se ajustar as novas necessidades do adolescente (COLL; MARCHESL; PALACIOS, pag.365).

Observando-se este conceito, podemos colocá-lo também como uma hipótese no aumento da hiperatividade, pois o adolescente pode confundir sua relação escolar com sua relação familiar. Se, por acaso, seus comportamentos dentro de casa forem constantemente reforçados, poderá resultar no mesmo comportamento na sala de aula, sem preocupar-se com a autoridade do professor, ou então, se sua relação com o professor for tão amedrontada poderá, obviamente, prejudicar a aprendizagem do aluno, pois este não se sentirá motivado para buscar novos conhecimentos.

2.4 Conceito de família e relação familiar dos pais com seus filhos hiperativos desde a infância

A família é um sistema complexo de relações, onde seus membros compartilham um mesmo contexto social de pertencimento. É na família onde construímos nossa primeira identidade social. A família é o lugar do reconhecimento da diferença, do aprendizado de unir-se e separar-se, a sede das primeiras trocas afetivo-emocionais, da construção da identidade. É a matriz: na família nascemos na família morremos! (BUKASCKI, 2008).

Há uma possibilidade muito grande de pais de criança com TDAH também apresentar o problema, essa dificuldade que os outros membros da família experimentam influem certamente sobre o modo como a criança com TDAH é percebida, conduzida, criada, amada e então, lançada para a vida adulta. Essa influencia age de forma singular, apresentando efeitos de longa duração sobre o adolescente e o adulto resultante dessa criança. (BARKLEY, 2002, p. 122).

Barkley (2002) ressalta que:

A relação de uma família que apresenta um caso de TDAH pode ser bastante conturbada ou controlada, dependendo de como esses pais agem com seus filhos e quais os seus limites impostos. Assim como em algumas famílias que apresentam o transtorno a relação pode ser de conflito com a demanda que os pais devem ter, receber de seus filhos, por outro lado essa relação pode ser extremamente controlada na medida correta, pois controle é uma palavra que não se adéqua a criança com TDAH. (p. 127)

De acordo com Aguiar (2007), os pais se sentem impotentes diante da atividade exagerada de seus filhos e de suas condutas opositoras temendo conseqüências negativas do comportamento que podem levar ao isolamento social da mesma.

É por isso que nem sempre os pais admitem que o filho é hiperativo. "Muitos acham que a criança é esperta demais e, por isso, está sempre interessada em novidades". Afirma

Helena Samara, diretora da Escola Móbile, de São Paulo. "Além disso, eles acreditam que o tratamento com medicamentos pode tirar a espontaneidade do pequeno”. (GENTILE apud ANDRADE, 2000, p. 31).

Entre os sintomas na relação familiar Topazewski (1999) afirma que:

O hiperativo quer ser sempre atendido na hora das suas solicitações; procura impor as suas vontades e à sua moda (são mandões); pede as coisas e logo se desinteressa; consegue deixar o ambiente todo agitado e descontrolado; demonstra uma grande ansiedade em todas as atividades. (p. 52)

Todas estas características associadas ao quadro sintomático do TDAH interagem e podem desencadear problemas pessoais para o paciente de difícil resolução e conflitos familiares, podendo acarretar altos níveis de estresse, discordância e brigas conjugais, cansaço nos manejo diário da criança e sinais paternos de ansiedade e/ou depressão. (SAMPAIO, 2008), o que pode conduzir a graves problemas no futuro.

Os pais geralmente se sentem responsáveis pelas condições emocionais, educacionais, e comportamentais de seus filhos. O conhecimento que a doença decorre de disfunções de áreas cerebrais específicas, ajuda-os a amenizar suas sensações de culpa, tornando-os parceiros na execução de estratégias que possam colaborar para a melhora do desempenho acadêmico e dos relacionamentos familiares e sociais da criança. (BARKLEY, 2002, p. 128), ajudando numa redução de sintomas quando ela se tornar adolescente ou até mesmo colaborando para um tratamento mais acelerado e eficaz.
2.5 A hiperatividade na análise do comportamento

Segundo Moreira; Medeiros (2007, p. 163), o que a análise do comportamento, como ciência do comportamento, tenta fazer, é buscar novos conhecimentos e novas técnicas que melhoram nossas predições de comportamento, ou seja, que passemos a entender melhor sob quais circunstâncias as pessoas fazem, ou pensam, ou sentem aquilo que fazem, ou pensam, ou sentem.

Nesse sentido ela segue em suas teorias certas aplicações. Uma delas é a análise funcional que identifica o comportamento e as consequencias, predizendo e controlando tais comportamentos para a mudança do mesmo.

Defendemos que a análise funcional é um instrumento essencial para se estudar o comportamento, com fins de produção de conhecimento e fins tecnológicos. Uma vez que se identificam e descrevem as variáveis determinantes do comportamento, podemos, enfim, compreendê-lo, predizê-lo e controlá-lo. (MOREIRA; MEDEIROS, 2007, p.162).

Nesse ponto, a análise comportamental vai observar três tipos de reforços que estão envolvidos nesse comportamento, sabendo-se que reforço para análise do comportamento é conceituado como uma relação entre comportamento e ambiente (LIMA, 2006). Assim, os primeiros passos dados por ela, afirma Sampaio (2008), seria observando:

Reforço negativo, “em que o aumento da freqüência de uma resposta ocorre devido à retirada de um estímulo conseqüente (aversivo)” (JUNIOR; SOUZA, 2006), que compreende as repreensões, críticas, castigos, punições, entre outros, como reação a todo comportamento negativo, inadequado. No caso do TDAH são muitos, “é através desses reforços negativos que a criança/adolescente costuma receber atenção dos que os rodeiam gerando ressentimento e hostilidade na relação. Isso faz com que o comportamento negativo aumente (afinal é só assim que o notam). Essa hostilidade pode também levá-los ao isolamento”, o que não seria nada agradável.

Reforço de extinção, quando o comportamento é ignorado pelos observadores. Partel (2010) dirá que “para se anular um determinado tipo de comportamento, a melhor técnica é ignorá-lo, pois se um comportamento não chama a atenção dos demais, provavelmente aos poucos será extinto”, o que seria bastante útil para o controle do comportamento hiperativo na relação familiar.

Reforço positivo, “em que o aumento da freqüência de uma resposta ocorre devido à apresentação de um estímulo conseqüente (reforçador)” (JUNIOR; SOUZA, 2006), e que segundo Partel (2010) (...) “faz com que o indivíduo empenhe-se nesse padrão de comportamento positivo para continuar sendo notado, reconhecido e elogiado”, pois aqui o comportamento é reforçado através de carícias e elogios, o que para análise do comportamento só seria útil quando o hiperativo fizesse um comportamento contrário aos próprios comportamentos característicos da hiperatividade, ou seja, só seria de grande valia elogiá-los se eles terminassem um exercício que começou, por exemplo.

Considerando esses três tipos de reforço, podemos dizer que, no TDAH, o primeiro reforço não seria útil porque poderia reforçar os comportamentos negativos, o segundo seria útil, se os pais ignorassem ou reprimissem os comportamentos extravagantes e impulsivos de seus filhos e o terceiro seria completamente útil, se eles reforçassem os comportamentos agradáveis e educados de seus filhos hiperativos, pois se houver recompensa e/ou reconhecimento desse bom comportamento, ele aumentaria cada vez mais, aumentando também o controle da hiperatividade (PARTEL, 2010), sabendo-se também da existência do comportamento operante nesse caso, que é o comportamento aprendido e que opera no ambiente.

2.6 Estratégias da análise do comportamento

Já sabemos que indivíduos hiperativos têm como principal característica a falta de atenção com o seu próprio comportamento e conseqüências deste. Então a análise do comportamento, através de estratégias, vai suprir essas necessidades com o treinamento no sentido de poder monitorá-los e assim verificar se são os mais adequados ou não a uma dada situação, buscando o autocontrole. (SAMPAIO, 2008).

Segundo Sampaio (2008), esta técnica consiste em que o paciente esteja atento ao seu comportamento, observando-o e anotando-o de acordo com especificações estabelecidas com o terapeuta e a partir de um sinal emitido por um agente externo. Este procedimento faz com que o hiperativo torne-se consciente de seus comportamentos, especialmente focando as condutas-alvo que se pretende que ele esteja atento para posterior modificação.

A técnica de autocontrole visa à interrupção de uma cadeia disruptiva de comportamento através do uso de uma palavra-chave. O autocontrole diz respeito, especificamente, ao papel que o próprio sujeito tem como diretor de seu comportar-se (Rehm et al 2008). “É necessário que o adulto delimite, de início, sobre quais comportamentos disruptivos deseja-se que a criança e/ou adolescente aprenda a ter autocontrole, podendo ser estendido para além do ambiente familiar, como escola, casa de familiares, etc.” (SAMPAIO, 2008).

Aguiar, (2007) ressalta que, neste caso, até que se demonstre factualmente que o organismo não é intacto, o analista de comportamento deve se ater, exclusivamente, às contingências de reforçamento (história de vida do indivíduo) que selecionaram e mantêm os padrões comportamentais da queixa, pois pode não possuir nos contextos de vida cotidiana repertório de comportamentos incompatíveis com os indesejados, que possam produzir reforços generalizados – explicações compatíveis com determinação por contingências de reforçamento –; e não apresentar tal repertório de déficits e excessos em função de alterações neurológicas presumidas, mas não demonstradas.

Uma das estratégias levada em consideração são os três níveis de seleção pelas consequencias que são: filogenéticas, ontogenéticas e cultural. Segundo Banaco (2001, p. 198) a definição do nível filogenético é dada na visão de Darwin, onde “os seres vivos transmitem aos seus descendentes um conjunto de característica, que, entretanto, apresentam sempre alguma variação aleatória em relação aos seus progenitores”. Na definição do segundo nível: ontogenético, Banaco (2001, p.199), apresenta na visão de Skinner onde “permite que membros individuais de uma espécie sejam capazes de operar sobre o mundo de modos que não estão pré-determinados (...)”. E, por fim, Banaco (2001, p. 201) define o terceiro nível: o cultural, também na visão de Skinner, “como um conjunto das contingências sociais que permite não apenas a sobrevivência de um grupo praticante, (...) capaz de transmitir o que foi aprendido através do tempo, através de indivíduos e até mesmo através de lugares”.

Sendo assim é importante analisar todas as variáveis que podem desencadear esse transtorno, pois é dever da ciência observar à genética, a relação social, familiar e cultural do individuo para um diagnóstico mais preciso e a análise do comportamento, sabendo que existem muitos determinantes envolvidos no comportamento humano, deverá observar todos os ângulos que estão envolvidos nas atitudes e comportamentos do adolescente hiperativo permitindo-o, em consultório, relatar sua experiência como portador do TDAH.

De acordo com Sampaio (2008), é comum, no consultório psicológico, ouvir-se o relato de pais e outros adultos envolvidos com a criança e/ ou adolescente sobre o comportamento destes, sendo que nem sempre a criança e/ou adolescente têm a oportunidade dele mesmo, poder falar sobre seu próprio comportamento, ou nem mesmo lhe é dada à chance de avaliar como se comportar em determinadas situações.
No caso de crianças e/ou adolescentes com TDAH, nem sempre elas conseguem avaliar seu comportamento ou verificar a qualidade final daquilo que fizeram. Assim sendo, pode-se ensinar a essas crianças quais os padrões específicos de comportamento socialmente aceitos e mais adequados a determinadas situações, e na sequência, ela mesma passa a observar seu padrão comportamental, julgando-o adequado ou não, e no caso de adequação, a própria criança atribui a si mesma um reforço, como um elogio ou se permite, por exemplo, comer um doce, (SAMPAIO, 2008), continuando o mesmo comportamento na adolescência.


A técnica de treino de correspondência, de acordo com Reinecke et al. (2000), visa a aumentar a correspondência entre o que a criança e/ou adolescente referem que irão fazer e aquilo que efetivamente fazem. Ela pode ocorrer com uma descrição posterior do comportamento realizado (agir-comunicar), ou então com uma previsão futura deste (comunicar-agir), sendo que algum tipo de reforçador é oferecido sempre que a criança e/ou adolescente indica haver correspondência entre as condutas não-verbal (intenção) e o comportamento. Dentro da díade comunicar-agir, ensina-se a criança e/ou adolescente a se comportar de acordo com a previsão que faz de seu comportamento futuro, enquanto na outra, a aprendizagem diz respeito, a saber, descrever de maneira coerente e precisa, a conduta em questão. Há ainda algumas limitações quanto ao uso desta técnica, devido aos primeiros estudos estarem restritos ao ambiente da clínica psicológica, sendo que ainda não se têm dados acerca da extensão do uso desta técnica em casos de tomada rápida de decisões, nas quais a relação de tempo comunicar-agir é bastante curta. No entanto, a mesma pode ser utilizada como parte do protocolo de tratamento em terapia cognitivo-comportamental em TDAH, ainda que em caráter experimental.

O controle do comportamento é uma intervenção importante para crianças com TDAH. O uso eficiente do reforço positivo combinado com punições tem sido uma maneira particularmente bem sucedida de lidar com os portadores do transtorno (KAIPPERT; DEPOLI, 2003), o que pode amenizar o índice de agravamento a adolescência.

2.7 Intervenção psicológica como tratamento da Hiperatividade ou TDAH

Segundo Aguiar (2007), o psicoterapeuta tem que orientar o profissional da educação para: a seleção adequada de estímulos relevantes na execução da tarefa a fim de evitar excesso de informação contaminadora; esclarecimento da tarefa e de seus aspectos chaves; o controle de elementos externos, tanto físicos quanto humanos que sejam potenciais dispersores; favorecer grupos de trabalho reduzidos; a sequenciação de atividades adequadas com a finalidade de não incitar a frustração do hiperativo; a graduação do problema a fim de evitar saltos dos problemas fáceis para os difíceis. Enfim, há muitas orientações que o educador pode usufruir para melhorar o tratamento do hiperativo.

De acordo com Sampaio (2008), como parte do trabalho psicoterápico com pacientes com TDAH, devem-se incluir sessões de atendimento aos pais, com o incentivo de busca de informações em literatura pertinente acerca do quadro de seus filhos, corrigindo-se concepções errôneas e propiciando debates esclarecedores sobre o transtorno. Podem também ser ensinada técnicas de manejo adequado do TDAH, diferenciando sintomas deste de outros transtornos, falta de limites, desobediência, etc. Logo:

Os pais também podem necessitar de apoio psicológico devido aparecimento de quadro depressivo, ansioso ou mesmo conflitos conjugais, os quais servem para exacerbar dificuldades de convivência familiar, podendo desestruturar ainda mais o ambiente e acarretar maiores dificuldades ao paciente com TDAH. (SAMPAIO, 2008, s/p).

O psicólogo responsável pelo atendimento da criança e/ou adolescente com TDAH deve estar atento a sinais de dificuldades, fazendo encaminhamentos e/ou prestando apoio e orientação de pais sempre que estes se fizerem necessários. O psicólogo também deve estar em contato com a escola/professor da criança e/ou adolescente com TDAH, prestando suporte para o manejo escolar adequado da criança, inclusive ensinando técnicas cognitivo-comportamentais e dando supervisão para o uso adequado destas. (SAMPAIO, 2008).
“Terapias mais prolongadas podem ensinar a mudar comportamento e a criar estratégias de enfrentamento a pessoas que apresentam uma combinação de TDAH problemas concomitantes - especialmente depressão”. (KAIPPERT; DEPOLI, 2003).

Considerações Finais

A hiperatividade ou TDAH, como é chamada pelo DSM-IV, é um transtorno neuropsicológico caracterizada pela inquietação, desatenção e impulsividade que prejudica a vida do portador em todos os aspectos, sejam eles internos ou externos. Esse portador pode ser tanto uma criança quanto adolescente ou um adulto hiperativo que teve seus primeiros estágios de desenvolvimento envolvidos com esse transtorno.

Apresenta-se aqui a hiperatividade ou TDAH na adolescência como um dos fatores observáveis na modificação do comportamento do aluno quanto à sua dificuldade de aprendizagem. Então, explicam-se os principais motivos e consequencias, através da Análise do Comportamento, o que esses problemas podem gerar para o individuo principalmente no setor familiar, onde os pais podem ser os principais aliados na recuperação da aprendizagem de seus filhos.

Sabendo-se disso, nosso artigo tratou da Hiperatividade ou TDAH na adolescência no meio familiar sob um olhar analista comportamental, pois esta colaborará a todos os leitores com sua análise e estratégias de resolução do transtorno na intervenção psicológica do sujeito portador.

Observando-se todo o conteúdo, concluímos que esse tema foi de fundamental importância para a construção do nosso conhecimento juntamente com nosso objetivo, que foi alcançado, a qual colabora na atuação de profissionais tanto na área da educação e saúde mental quanto dos familiares de adolescente hiperativos.


Por: Carlos, D. Oliveira; Pedrozo, J. N. Oliveira; Nascimento, F. R. Pereira; Souza, T. Alencar; Coimbra, P. M. Araujo; Dourado, L. F. Mattos; Branco, P. C. Castelo
Fonte: Psicologado