SPZINHO

Neste mês tive meu artigo Encoprese Infantil publicado no blog SPzinho.

SPzinho é um blog interessante de dicas para sobreviver em São Paulo com os pequenos. "Dá para ir com carrinho? Tem trocador? Tem distração? Tem salvação??? Restaurantes, livros, lojas, escolas, etc, qualquer coisa para a vida ficar mais fácil!"
Vale a pena dar uma olhadinha!!!


Como motivar seu filho para o estudo?


“Você já fez sua lição de casa?” “Estudou para as provas?” “Fez o trabalho?” “Ainda não!!!???” Sabe‐se que as perguntas acima são habituais em uma casa com estudantes e muitas vezes são faladas, “gritadas”, sussurradas (e outras formas de se falar...) por muitos pais e/ou responsáveis.

São perguntas que saem de suas bocas por dia, por hora, por minuto e muitas vezes são repetidas sem efeito. Passam a surgir muitos sentimentos “incômodos” nos pais e/ou responsáveis: raiva, ódio, tristeza, desespero, frustração, impotência, entre outros sentimentos... Por outro lado, os filhos também se sentem cobrados, acham que os pais “pegam” muito no pé e sentem‐se pouco confiantes ou desmotivados para dar conta das atividades escolares. Tais sentimentos, de ambas as partes, tornam‐se mais intensos quando começam as cobranças feitas pela escola, acusações, boletins com notas vermelhas, recuperação, bilhetes de reclamação na agenda...

Em alguns casos, há ainda a tentativa, muitas vezes frustrante, de alguns pais auxiliarem os filhos na organização dos estudos. Isso pode acabar gerando um desgasteainda maior nas relações familiares. Faltam orientações aos pais sobre como proceder,  ocasionando diminuição da confiança dos pais em si mesmos e aumento do sentimento de fracasso dos filhos. Alguns pais chegam até a utilizar de agressão física, acreditando erroneamente que tal atitude geraria uma mudança do filho frente ao estudo.

Muitas vezes, o aluno é considerado como “desmotivado”, caindo sobre ele mesmo a culpa de não se motivar, não ter “vontade e/ou energia”. O filho ainda pode ser comparado com um irmão muito estudioso ou um colega bem‐sucedido.

Considera‐se que o termo “motivação” pode ser utilizado por pais e professores para se falar dos filhos em questão, entretanto, é interessante unirmos esse rótulo com uma possível mudança por parte de pais e professores, ou seja, toda essa “equipe” que tem como objetivo tornar um aluno/filho motivado necessita pensar em mudanças de comportamentos e de novas formas de agir em relação a esse aluno/filho.

Acima de tudo, o envolvimento dos pais na vida acadêmica dos filhos é um ponto que deve ser incentivado porque promove condições favorecedoras para a aprendizagem, mas é necessário descrever quais atitudes os pais devem tomar para auxiliarem seus filhos a realizar tarefas acadêmicas, estudar, fazer trabalhos e aumentar a motivação.

Associar eventos prazerosos com o comportamento de estudar pode ser um meio de tornar o estudo menos aversivo, podendo chegar, de forma gradual, a ser um momento de  satisfação para o aluno. Elogios sinceros e imediatos relacionados à atividade feita ou até mesmo ao comportamento de sentar‐se à mesa de estudos. Qualquer criança precisa de palavras de apoio e encorajamento por seu engajamento nas tarefas escolares.

O rótulo de aluno fracassado pode ser o fator relevante para a esquiva do estudo. Uma vez que a pessoa tenha sido punida por não entender um exercício, por errar uma conta, escrever uma palavra incorreta, o estudo torna‐se um momento desagradável; por isso, demonstrar afeto e usar o elogio parece ser uma “ferramenta” simples, essencial e barata.

Outro ponto relevante é dispor um espaço sem distrações, sem muito barulho, arejado, iluminado e limpo. Além disso, é importante deixar acessível o material  necessário para a realização das tarefas escolares. Fazendo isso, demonstra‐se para seu filho que ele tem um espaço para realizar suas atividades e que isso é valorizado em sua residência.

Durante o estudo, pode‐se instruir sobre como procurar uma resposta no material da escola, pedir para o filho contar o que entendeu (ainda que não tenha tido um entendimento completo), relacionar com experiências do dia‐a‐dia, relacionar com outros conteúdos estudados e, por que não, poder descontrair e brincar a respeito do conteúdo estudado. Todas essas estratégias geram emoções prazerosas, possibilitam a sensação de que estudar é possível e que se pode ser bem‐sucedido nesse papel! Se, por falta de tempo ou por inabilidade, os pais não conseguirem dar esse tipo de atenção ao estudo, é possível contar com a ajuda de profissionais que atuam na direção descrita acima. Afinal de contas, ser um bom aluno funciona para aumentar a auto‐estima, a auto‐confiança e, em alguma medida, previne que os filhos obtenham “sucesso” em atividades indesejadas socialmente.

Por: Ana Beatriz Chamat, Filipe Colombin, Nicolau K. Pergher, Saulo Figueiredo
Fonte: Núcleo Paradigma

Curiosidade: Pesquisa sobre Encoprese

Estados Unidos

Embora poucos estudos prospectivos têm sido conduzidos para examinar a prevalência da encoprese na infância, um 1-2% estimado de crianças menores de 10 anos têm encoprese. Em um estudo, 4,4% de 482 crianças com idades entre 4-17 anos observada ao longo de um período de seis meses em uma clínica de cuidados primários pediátricos em Iowa experientes incontinência fecal pelo menos uma vez por semana.

Internacional

Embora os estudos de base populacional, que analisam a prevalência de encoprese são escassos, quase todos os estudos publicados têm sido realizados na América do Norte e Europa. Em um estudo de base populacional realizado na Holanda, 4,1% de crianças de 5-6 anos e 1,6% das crianças com idade entre 11-12 anos experienciam escape fecal pelo menos uma vez por mês. Estudos realizados na Suécia e no Reino Unido relataram números semelhantes.

Leia também: Encoprese Infantil e Vamos falar de ... Encoprese Infantil

Gagueira infantil

Problemas de articulação da fala costumam aparecer entre 2 e 4 anos de idade e são mais frequentes em meninos; o tratamento deve ser iniciado ainda na idade pré-escolar

A mãe de Pablo mostra-se angustiada durante a consulta. Já faz um mês que seu filho de 3 anos repete sílabas e bloqueia sons ao falar. Ao ver seu esforço para se expressar, ela tenta ajudá-lo orientando-o a não ficar nervoso e a falar bem devagar – o que não tem efeito. Há dias em que Pablo gagueja e outros em que fala sem nenhuma dificuldade. Na última semana, no entanto, o problema se agravou em algumas ocasiões, o menino chega a fazer gestos de esforço para parar de tropeçar nas palavras. A mãe receia que a gagueira se torne permanente.

Problemas de articulação da fala costumam aparecer entre os 2 e 4 anos. Nesse período, os pequenos começam a formar frases maiores e mais elaboradas e ocorre a aquisição de habilidades complexas e necessárias para organizar a linguagem e utilizá-la em situações sociais. É normal esquecer-se de algumas palavras, não apresentar total fluência na fala e demonstrar insegurança ao se expressar.

Como descrito pela mãe de Pablo, uma das características da gagueira é a oscilação: ela não se apresenta em todas as ocasiões e sua intensidade varia. Na maioria dos casos, os bloqueios desaparecem, por exemplo, quando a criança canta, pois estão relacionados ao momento da comunicação – como alguma situação na qual o pequeno se sinta intimidado, seja por uma atitude pouco receptiva do interlocutor ou pela emoção que sente em relação ao tema. Fatores como a pressão dos pais ou professores para “falar corretamente”, corrigindo ou mesmo recompensando quando a criança se expressa com fluência, podem piorar o problema.

Diagnóstico e tratamento


A gagueira tende a desaparecer espontaneamente ainda durante a infância. Entretanto, em uma minoria dos casos, ela pode se estabelecer e perdurar pela adolescência e idade adulta. É comum que a falta de fluência na fala acentue a timidez ou faça com que a pessoa deixe de se expressar para evitar a vergonha de tropeçar nas sílabas e passe a manifestar movimentos corporais involuntários relacionados à tensão e ao esforço para falar.

Até há pouco tempo, a abordagem de especialistas para casos como o de Pablo era aconselhar os pais a esperar. O tratamento costumava ser indicado apenas se o problema persistia após a idade pré-escolar. No entanto, segundo estudo conduzido por mais de 20 anos, a intervenção deve vir, de preferência, antes dos 4 anos, para evitar que a gagueira se estabeleça e ocasione transtornos secundários como ansiedade ou sentimentos negativos em relação à comunicação e à convivência social, prejudicando a autoestima.

A pesquisa não identificou uma causa específica da gagueira, porém foram identificados fatores que podem desencadeá-la, como histórico familiar – cerca de 60% das pessoas com o problema têm parentes gagos. Além disso, é três vezes mais frequente em meninos. Observou-se alto índice de recuperação em casos em que o tratamento foi iniciado antes que as repetições e os tropeços na fala completassem um ano. Ao perceber os sinais descritos, é aconselhável que os pais procurem um fonoaudiólogo ou psicólogo. Estes profissionais avaliarão o grau de dificuldade da criança em expressar-se e se há fatores ambientais, sociais e psicológicos associados ao problema.

A mãe de Pablo foi orientada a ajudar o filho com atitudes simples, como falar de forma clara com a criança e dar tempo para que ele organize suas palavras. Foi instruída também a evitar fazer recomendações e a conversar um pouco mais devagar, articulando bem as palavras, para oferecer um modelo lento de fala, com pausas, que possa ser imitado. Essas pequenas mudanças são, em geral, muito eficazes para deixar os pequenos mais tranquilos e conseguir que eles se expressem com mais fluência. 

Reflexão: 18 de Julho - Dia Naional de Combate aos PANs - Pensamentos Automáticos Negativos

O resfriado ocorre quando o corpo não chora. A garganta entope quando não é possível comunicar as aflições. O estômago arde quando as raivas não conseguem sair. O diabetes invade quando a solidão dói. O corpo engorda quando a insatisfação aperta. A dor de ...cabeça deprime quando as dúvidas aumentam. O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar. A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável. As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas. O peito aperta quando o orgulho escraviza. O coração enfarta quando chega a ingratidão. A pressão sobe quando o medo aprisiona. As neuroses paralisam quando a "criança interna" tiraniza. O que você está pensando agora? Esta pergunta é a mesma que deveríamos fazer para entender porque uma pessoa está triste ou irritada ou ansiosa. Não é uma situação que determina como nos sentimos, mas sim o modo como a construímos ao pensarmos sobre ela. Experimente.

Autor desconhecido
Vamos cuidar de nossos pensamentos.

Texto para reflexão!!! - Meu filho, você não merece nada

Li este texto e gostaria de compartilhar com vocês para que possamos, juntos, refletir!

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.


Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

Fonte: Revista Época

Aprendendo a viver na diversidade


“Precisamos aprender não apenas a conviver com a diversidade (...),
 mas a desejá-la, promovê-la e respeitá-la como uma benção, um prêmio da Natureza”

Ações educativas sem julgamentos preconceituosos, que promovam o respeito ao "diferente" e ajudem na formação de cidadãos tolerantes são possíveis e devem ser colocadas em prática

Na vida cotidiana, os processos de comparação e discriminação estão sempre presentes. Desde a infância aprendemos a comparar e a separar o grande do pequeno, o bonito do feio, o certo do errado, o normal do anormal. Mesmo o sábio poeta Fernando Pessoa já tendo dito que "nada sabemos da alma, senão da nossa; as dos outros são olhares, são gestos, são palavras, com a suposição de qualquer semelhança [ou diferença] no fundo", julgamentos discriminatórios fazem parte do dia-a-dia de crianças e adultos.

"Primeiramente, é preciso aceitar que a discriminação, qualquer que seja ela, é aprendida. Ninguém nasce supondo que é 'normal', melhor ou inferior em relação a outros indivíduos", afirma Zilda Del Prette, professora do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial e do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Desta forma, "é importante que na escola, principal fonte formadora de cidadãos, as crianças sejam ensinadas a respeitar as diferenças e a superar preconceitos que levam a julgamentos errados e a conflitos dentro e fora da sala de aula", continua ela.

Uma atenção especial a essa tarefa da escola é fundamental, pois, inadvertidamente, pais e professores podem permitir a reprodução da discriminação e até acentuá-la, tendo em vista que há uma forte tendência de organizarmos nossas ideias e práticas a partir daquilo que é comum, igual e homogêneo. "Estamos todos habituados a buscar as semelhanças e a valorizá-las, muito mais do que as diferenças, mesmo elas sendo tão presentes. A própria Ciência se constrói sobre a busca da regularidade, da estabilidade e, embora este esforço seja necessário, por vezes acaba ficando obscurecida a importância da diversidade e da variação, inclusive como forma de garantir a continuidade da vida em um mundo que muda constantemente", destaca Ana Lúcia Cortegoso, também professora do Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da UFSCar (PPGEEs).

A história recente da Educação e, em particular, da Educação Especial, mostra que há diferentes dispositivos para fomentar o desenvolvimento de práticas inclusivas de atenção à diversidade. Na base de todos eles está uma política educacional que estabeleça diretrizes, metas e objetivos voltados para a inclusão, além de garantir as condições mínimas para o alcance desses objetivos e metas.

De início, é necessário desenvolver uma cultura de inclusão e de respeito à diversidade - dentro e fora da escola. Para realmente ocorrer, a cultura de inclusão requer o envolvimento da sociedade organizada e do Estado. Isto, segundo Zilda Del Prette, vem ocorrendo no nosso país há alguns anos, ainda que de maneira lenta. "Pode-se dizer que os recursos legais, como itens de nossa Constituição sobre cidadania, ou leis complementares, como os chamados Estatutos, por exemplo o da Criança e Adolescente, dão as condições necessárias ao desenvolvimento do trabalho, mas não suficientes para a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva", considera ela.

De acordo com o professor Almir Del Prette, também do PPGEEs e PPGPsi, o que é posto na lei deve ser seguido por uma ação estratégica, que deve começar na família e se estender para a escola em todos os níveis, em um movimento social amplo que agregue os demais setores da comunidade. "É possível fazer um paralelo com o processo de vacinação que começou no País há muito tempo. Inicialmente, se fez uso da lei e, posteriormente, utilizou-se, de forma bem sucedida, o processo educativo. Hoje, é muito raro encontrar algum pai que se oponha à vacinação de seu filho e, mais ainda, as mães buscam esse recurso como direito legítimo", exemplifica o pesquisador.

Na escola particularmente, que é para onde convergem as atenções quando se fala em práticas inclusivas, além das condições materiais - melhoria das salas de aula, materiais pedagógicos adequados, ampliação e melhor remuneração do quadro docente -, os pesquisadores entendem como fundamental a qualidade da atuação do professor, não apenas para oferecer um modelo de respeito e de valorização das diferenças entre os alunos, mas também como agente mediador de interações sociais educativas e inclusivas na sala de aula. "Em relação ao professor, a primeira coisa é ele próprio não discriminar o aluno 'diferente', seja em termos de rendimento, de estética ou de habilidades. A segunda é colocar esse tópico na pauta de seus objetivos de ensino e criar condições diárias para envolver os alunos no processo de aprendizagem", acredita Zilda Del Prette.

Condições de aprendizagem

Em princípio, como enfatiza a pesquisadora Ana Lúcia Cortegoso, é necessário entender que não há alunos normais, há apenas alunos: os tipos e graus de necessidade que cada indivíduo tem para aprender são diferentes e, mais do que dividi-los em categorias "x" e "y", é necessário verificar, sempre, quais são os limites do próprio professor para lidar com tal diversidade. "A partir daí, é possível equilibrar a demanda com diferentes números de alunos em classe, para que haja diferenciação de programação e de conteúdo naquilo que não pode ser aprendido da mesma forma por todos", afirma Cortegoso.

Ou seja, não há nada mais injusto do que tratar todo mundo igualmente, se as necessidades são diferentes. A distribuição da atenção precisa ser qualitativamente equilibrada. O professor deve, inclusive, contar com os alunos que precisam menos de sua atenção, para agirem como tutores. "Esses alunos se sentirão valorizados ao poderem colaborar e, certamente, aprenderão muito com isso, inclusive no sentido de se tornarem melhores cidadãos. E, na verdade, todos poderão, de algum modo e dentro de seus limites e potencialidades, ajudarem-se mutuamente, o que faz com que não existam 'favores', mas trocas justas", explica Cortegoso. A pesquisadora destaca que na instituição da "tutoria" é necessário se garantir que ela esteja ao alcance de todos, e não se institucionalize na forma de "ajudantes do professor".

O planejamento de atividades feito a partir do reconhecimento dos objetivos a serem alcançados e das peculiaridades dos alunos, aliado à disposição de verificar o resultado das atividades são também relevantes, quando se deseja criar reais condições de aprendizagem numa perspectiva inclusiva. É importante que os objetivos sejam encarados não como "conteúdos" a serem transmitidos, mas como competências a serem promovidas nos aprendizes, e que se busquem alternativas quando os resultados do processo não forem satisfatórios.

Paralelamente a isso, o professor pode colocar em prática atividades acadêmicas lúdicas que levem as crianças a perceberem que seus próprios amigos são diferentes em vários aspectos, que ela própria é diferente em muitas de suas características e que, no entanto, todos podem conviver e extrair o melhor dessas diferenças. "O professor também deve criar condições de interação entre as crianças, estabelecendo tarefas em duplas ou em grupos. Há uma infinidade de atividades, jogos, brincadeiras que facilitam a coesão entre as crianças. São atividades estruturadas que visam promover as habilidades da convivência social, que facilitam a inclusão e que, portanto, devem ser exploradas em associação com os conteúdos acadêmicos", afirma Zilda Del Prette.

O docente deve também valorizar - sem alarde - as ações daqueles que apresentam respeito e aproximação ao "diferente". "Temos visto que, quando o professor cria esse 'clima' na sala de aula, as crianças naturalmente tendem a aceitar o outro e colaborar para que ele se sinta bem", explica Del Prette. Nesse sentido, ele exemplifica: se uma criança está falando algo e as demais estão conversando ao mesmo tempo, o professor deve pedir a atenção de todos. Se o professor fizer isso em relação a qualquer aluno da sala, estará promovendo o respeito para com o próximo; quando o fizer em relação à criança com necessidades especiais estará, além disso, mostrando que ela tem o mesmo direito dos demais. "Por outro lado, se todos estão ouvindo e prestando atenção ao que diz ou tenta dizer uma criança com necessidades especiais, o professor precisa valorizar as duas coisas: a sua fala e a atenção dos outros."

Apesar dessas práticas pontuais e diárias serem fundamentais quando se pensa em cultura escolar e diversidade, os pesquisadores, de modo geral, acreditam que mais do que construir atividades específicas para integrar e respeitar a diversidade, é fundamental que cada prática educativa esteja coerentemente voltada para a inclusão de todos. Ou seja, não são apenas os alunos ditos "especiais" que precisam ser incluídos, mas todos os alunos de uma turma. E nesse ponto, uma relação saudável e respeitosa com as famílias, buscando nelas uma complementação e a troca de informações e ideias, pode ser uma condição muito propícia para a criação de ambientes de aprendizagem capazes de atender à diversidade.

"Com relação aos pais, instigados pela escola devem propor grupos de estudo, atividades integradas, selecionar e trocar leituras, filmes e outros recursos educativos pró-inclusivos a serem utilizados com os filhos. Os pais precisam também compreender que a maneira como se comportam deve ser coerente com o próprio discurso sobre tolerância e respeito à diversidade", enfatiza Zilda Del Prette.

Educação inclusiva e cidadania

As práticas inclusivas - quando bem conduzidas e efetivas - cumprem o importante papel de preparar todas as crianças, desde a mais tenra infância (e também os adultos!) para uma atuação cidadã, de respeito e tolerância às diferenças. "Penso que ela [a educação inclusiva] é parte do processo de construção de uma nova cultura escolar comprometida com uma sociedade mais justa para todos", diz Del Prette.

Na mesma direção, Ana Cortegoso acredita que "o papel da Educação é formar pessoas como cidadãos capazes de produzir bem-estar para si e para aqueles que convivem consigo. Precisamos aprender não apenas a conviver com a diversidade - como se fosse uma deferência nossa para com os mais diferentes -, mas a desejá-la, promovê-la e respeitá-la como uma benção, um prêmio da Natureza".

Reportagem realizada por Click Ciencia

Vamos falar de... Encoprese Infantil

Encoprese é uma doença relativamente comum na infância que continua a ser mal compreendida, por esta razão, é importante explicá-la mais uma vez.


“do grego em-kópros-osis, etimologicamente,
processo patológico não inflamatório que afeta a defecação”
Miguel Ângelo Simon

Encoprese Infantil denomina uma situação de dificuldade que algumas crianças apresentam para controlar adequadamente os esfíncteres. Pode-se constatar através de variações na quantidade e consistência de fezes na cueca ou calcinha e em outros lugares impróprios, na ausência de patologia orgânica.

Diversos estudos realizados com criança puderam constatar que a encoprese é uma doença Psicofisiológica do trato gastrintestinal “no qual se constata a existência de uma importante interação entre eventos ambientais, hábitos comportamentais, experiência emocional e fisiologia anorretal.” (Simon, 1996)

Segundo o DSMIV os critérios para o diagnóstico são:
  • Critério A - Evacuação repetida de fezes em locais inadequados (por ex., roupas ou chão), seja voluntário ou involuntário.
  • Critério B - O evento deve ocorrer pelo menos uma vez por mês por no mínimo 3 meses
  • Critério C - A idade cronológica da criança deve ser de pelo menos 4 anos (ou, para crianças com atrasos no desenvolvimento, uma idade mental mínima de 4 anos)
  • Critério D - A incontinência fecal não deve ser devido exclusivamente aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., laxantes) ou a uma condição médica geral, exceto através de um mecanismo envolvendo obstipação
A encoprese já definida claramente, temos também que classifica-la em:

Primária – ausência de controle ou seja, a criança nunca adquiriu o controle voluntário dos mecanismos de evacuação
Secundária – perda de controle ou seja, a criança chegou a desenvolver o controle voluntário dos mecanismos de evacuação, então ocorre a regressão. 

Há dois subtipos importantes:

Retentiva – conseqüência da constipação crônica com incontinência por transbordamento.
Não retentiva - refere-se a sujidade inadequada, sem evidência de prisão de ventre e retenção fecal. Uma causa orgânica para a encoprese não retentivo raramente é identificado. A avaliação médica é geralmente normal, e sinais de constipação são visivelmente ausente.  

Aproximadamente 80-95% das crianças com encoprese têm uma história de constipação ou evacuações dolorosas. Os restantes 50-20% tem encoprese não retentivo, no entanto, muitas destas crianças têm uma história remota de constipação ou defecação dolorosa ou demonstram evacuação incompleta durante a defecação ao exame físico ou a avaliação radiográfica.

Muitas vezes, a encoprese é acompanhada por algum grau de desordem das emoções ou comportamento. Não é clara a linha de separação que acompanha uma desordem de emoções e distúrbios comportamentais. Estudos  sugerem que a maioria das dificuldades comportamentais associadas com encoprese pode ter a encoprese como resultado e não a causa.

A criança com encoprese frequentemente sente vergonha e pode ter o desejo de evitar situações (por ex., acampamentos ou escola) que poderiam provocar embaraços. O grau de prejuízo está relacionado ao efeito sobre a auto-estima da criança, seu grau de ostracismo social por seus companheiros e raiva, punição e rejeição por parte dos responsáveis por seus cuidados. O fato de a criança sujar-se com fezes pode ser deliberado ou acidental, resultando de sua tentativa de limpar ou esconder as fezes evacuadas involuntariamente. Quando a incontinência é claramente deliberada, características de Transtorno Desafiador Opositivo ou Transtorno da Conduta também podem estar presentes. Muitas crianças com encoprese também têm enurese.

O treinamento inadequado e inconsistente do controle esfincteriano e o estresse psicossocial (por ex., ingresso na escola ou o nascimento de um irmão) podem ser fatores predisponentes.

A encoprese pode persistir com exacerbações intermitentes por anos, mas raramente se torna crônica.

Algumas causas:


- Predisposição física ineficiente para a função intestinal e motilidade
- Tratamento prolongado com laxantes e supositórios.
- Fissuras anais.
- Prisão de ventre.
- Pacientes com dietas de partida para a constipação constipação.
- Causas de origem emocional.
- Comum em crianças com autismo ou graves distúrbios emocionais.

A criança pode perceber a evacuação como uma experiência negativa e segurar as fezes por medo das conseqüências do resultado sujo e, como conseqüência, serão retidos resultando em encoprese. 
 
Em qualquer idade, estresse psicossocial ou doença pode determinar a regressão do controle intestinal ou uma mudança nos hábitos intestinais que podem melhorar a encoprese.
 
Encoprese é mais comum durante o dia que à noite.
 
O sucesso do tratamento da encoprese requer uma combinação de terapia médica, intervenção nutricional e intervenção terapia comportamental. 
 
A psicoterapia ajudará a criança a lidar com os sentimentos associados de vergonha, culpa, isolamento, baixa auto-estima.  
 
Pensar que é um problema temporário pode levar a complicar o quadro.

Por: Simone Barbosa Pasquini