Notícia do Conselho Federal de Psicologia: A crescente medicalização - de esferas da vida preocupa a Psicologia





2 comentários:

eu mesmo disse...

O número crescente do Metilfenidato pode ser explicado por outros fatores como diagnóstico inadequado e falta de conhecimento do que seria o TDAH. Trabalho com neuropsicologia e análise do comportamento, as duas são minha base de formação e caminham juntas em minha atuação. Quando lidamos com esse tipo de transtorno estamos lidando com o primeiro nível de seleção (conhecer os níveis é básicos para nossa atuação tanto clínica quanto acadêmica). Faço parte de um grupo interdisciplinar da Unicamp que avalia crianças com queixas de desatenção e dificuldades de aprendizagem. Os diagnósticos fechados com TDAH ou transtornos de aprendizagem são os menos realizados quando bem feitos! Enquanto psicólogos (ainda mais analistas do comportamento) acredito que possamos ser mais críticos ao conhecer determinados transtornos (como o TDAH, que tem origem no funcionamento do sistema nervoso central, logo, repito, pertencente ao primeiro nível de seleção) antes de publicarmos reportagens sem base científica em redes sociais de alta influência (nos reportando as chamadas metacontingências). A não intervenção nesses transtornos podem acarretar inúmeras consequências comportamentais no futuro de uma criança que apresenta algum desses padrões. Somente convivendo com essas crianças e tendo acesso a uma literatura extensa e de renome é possível dimensionar o quanto essas crianças sofrem. Convido vcs a conhecer o currículo LATTES das pessoas citadas nessa reportagem e, então, tirarem suas próprias conclusões sobre o tema abordado. Me proponho a esclarecer e discutir qualquer dúvida! Convido também a visitarem nosso site - http://disapre.wordpress.com/ - acredito que nele possam ser encontrados estudos confiáveis.

Simone Barbosa Pasquini disse...

Concordo com você! Os diagnósticos inadequados e a falta de conhecimento de diversos profissionais provoca esta crescente medicalização.
Hoje problemas no âmbito social são erroneamente entendidos e crianças que muitas vezes podem ser tratadas com psicoterapia estão sendo taxadas com TDAH. Já as crianças que realmente necessitam de tratamentos adequados e medicalização estão a mercê desta onda em que tudo é tratado com remédios.
Quando postei esta reportagem tive a intenção de mostrar que nem tudo é TDAH e, de alguma forma, alertar os pais (estes precisam questionar, pesquisar, procurar outras opiniões).
É incontestável a existência deste transtorno, mas não podemos esquecer que não são todas as crianças que apresentam problemas no ambito social, que comportam-se inadequadamente, são TDAH.
Aliás, postei um artigo belíssimo com base científica:
A Hiperatividade e a Aprendizagem do Adolescente no Meio Familiar em uma Visão Analista Comportamental
(http://psicoterapiacomportamentalinfantil.blogspot.com/2011/11/hiperatividade-e-aprendizagem-do.html.
Mas para esclarecer melhor sobre a existência do TDAH e a necessidade de tratamento também há um artigo com base científica, interessantíssimo: The scientific foundation for understanding attention-deficit/hyperactivity disorder as a valid psychiatric disorder (http://www.box.com/shared/v3ozktx1snc77qtpbeho).
Percebo, com minha experiência clínica, que temos que informas as pessoas, esclarecer e fazê-las buscar cada vez mais informações, este é meu objetivo com o blog. Sei que muitas postagens vão esclarecer, mas também muitas vão deixar os pais com dúvidas e com isso, buscar cada vez mais informações.
Na minha opinião, nós, como analistas do comportamento podemos ser críticos, já que conhecemos diversos transtornos, mas devemos ficar atentos para não cair nas armadilhas.
Como já disse, TDAH existe e é essencial o tratamento para a criança viver bem, mas há crianças que NÃO tem TDAH e estão sendo tratadas como tal.
Para todos que acompanharam estes comentários, que na minha opinião é riquíssimo e esclarecedor, segue mais um site muito legal:
ABDA: http://www.tdah.org.br/br/sobre-tdah/cartilhas-sobre-tdah.html
Bjksss