Modelação – Children See Children Do


“… Quer exista ou não algo como imitação não aprendida ou inata, uma coisa é certa: A imitação pode ser ensinada. Usando-se os procedimentos de condicionamento – tornando o reforço contingente à repetição do ato do outro – um organismo pode ser levado a imitar” ( Keller e Schoenfeld, 1950/1973, pag 378).

Imitação é um processo de aprendizagem pelo qual os individuos aprendem comportamentos novos ou modificam antigos por meio da observação de um modelo. Isso ocorre porque existe a probabilidade das pessoas serem reforçadas pelas mesmas consequências que reforçam o comportamento do modelo ( Keller e schoenfeld 1950/1973 : Bandura, 1969/1979; Malott, 1971/1981; Striefel, 1975; Mikulas 1977; Skinner 1989/1991; Baum 1994/1999; Catania 1998/1999).


Tanto a Imitação quanto a modelagem permitem ao individuo adquirir novos comportamentos. Mas por lógica a imitação é um comportamento aprendido através da observação de um modelo enquanto que na modelagem o comportamento é aprendido através de aproximação sucessiva se reforçando diferencialmente cada resposta que pertence a mesma classe para que se chegue no comportamento final desejado.


A historia mostra que os procedimentos de modelação e modelagem nos fizeram continuar nesse planeta. Afinal, toda vez que vemos como nossos pais fazem uma determinada tarefa e são bem sucedidos, tendemos a tentar imitar esse mesmo comportamento para que sejamos reforçados como os modelos são. Filogenéticamente isso foi muito importante. Observando os mais velhos caçando conseguimos sobreviver por muitos seculos e as técnicas de sobrevivencia são passadas de geração em geração. A natureza utiliza muito o processo de imitação, só observarmos um animal selvagem. Logo após seu nascimento em pouco tempo já esta observando os pais nas caçadas e aprende por observação como deve se fazer e repete.

Mas se os processos de Imitação e modelagem são tão importantes para a sobrevivencia humana, então porque o video Children see, Children Do nos chama tanto a atenção ?A imitação do modelo pode ser perigosa tambem, pois o mesmo nem sempre é adequada dentro de certos limites culturais e sociais. Mesmo lembrando da pluralidade da espécie humana, os modelos são escolhidos dentro da cultura vigente do local onde está inserida e mais do que isso, qual é o papel reforçador de se imitar um modelo?

Sabemos que uma criança imita seus pais e se sentem poderosas com isso, porêm será que os pais entendem que são modelos aos seus filhos ? Será que os pais entendem que certos comportamentos são passados de forma quase que inevitavel ?Claro que existe uma grande diferença em ser um modelo para uma criança que ainda está desenvolvendo seu repertório comportamental e ser um modelo para um homem adulto.O video é um alerta que não se pode ignorar, precisamos rever urgentemente os nossos conceitos e começarmos a pensar no que estamos fazendo com nossas crianças.

A luz do Beraviorismo Radical, o que podemos fazer ?? Não apenas nos mantendo nos consultorios, mas partindo pra politicas publicas, sociais, trabalhos socio-educativos etc…
Quando estava pensando nisso ouvi muitas pessoas, algumas da área da Psicologia e outras não e elas diziam que não devemos pensar, devemos fazer, colocar a mão na massa. De pensadores o mundo está cheio.

Mas ai comecei a pensar em outra questao. Ir e fazer é uma resposta óbvia, mas pergunto, fazer o quê ? Com que estratégia ? Quais parametros utilizar ? O que ja se tem de estudos nessa área ?Ir e fazer como ? Ir a viadutos e dar bebida e comida para moradores de rua ? É uma coisa boa?

Bom, ja temos estudos que afirmam que ao fazer isso apenas reforçamos a vontade dessas pessoas em continuar na rua, portanto não resolvemos o problema apenas reforçando uma comportamento que gostariamos de extinguir. Pode se demorar a voltar com a comida, mas sempre se volta. E sabemos que o Reforço Intermitente é especialmente muito dificil de ser extinto.

O quê nao tira a bondade do ato, mas tal qual uma criança que nunca é frustrada, no futuro teremos problemas, pois ela esta sendo reforçada em algo que nao vai lhe ajudar .A questao nao é o quê fazer, mas como fazer.Nesse sentido devemos pensar de forma mais ampla, entendendo os mecanismos sociais que regulam a nossa sociedade e como podemos entender os reforçadores e punidores que à mantem da forma que está e como podemos extinguir os repertorios nao adaptativos.

Eu imagino que nem podemos falar em extinção ja que por definição ao se utilizar dela a frequência de comportamentos que se quer extinguir aumenta enormemente podendo levar ao situações até de perigo pois estamos falando da area social. O que estamos fazendo especificamente para mudarmos o mundo?

O quê estou tentando dizer é : O quê devemos fazer, como devemos fazer e quais politicas adotar para que a sociedade mude seus valores e fique sobre controle de outros estimulos que visam o potencial humano e a saude.

Entendi quando é dito que que é preciso atitude. Mas por expêriencia vejo que atitude por si só pode ser perigosa, pois podemos estar sob controle de outras variaveis que não seriam eficientes para a resolução do problema, mas com topografias diferentes que mantenham o problema, mesmo que na forma pareça que estamos tentando resolve-lo.
A pergunta final, que na verdade já foi repetido inumeras vezes dentro desse texto é : O que estamos fazendo com as nossas crianças ?

Por : Marcelo C. Souza
CRP: 06/76621


Encoprese Infantil



O que é Encoprese Infantil?
Também conhecida como incontinência fecal ou escape fecal, encoprese é o vazamento involuntário das fezes na roupa íntima sem que a criança perceba. Geralmente ocorre em local socialmente inadequado. O diagnostico ocorre após a idade do treino ao toalete (geralmente com mais de 4 anos). Comumente a encoprese é associada à constipação crônica, ou seja, uma vez a criança se torna constipado, torna-se alvo fácil para adquirir encoprese. É importante ressaltar que há a encoprese não orgânica, adquirida após um período estressor, um trauma. Embora encoprese ocorra igualmente em meninos e meninas em idade escolar, é importante ressaltar que é três a seis vezes mais comum em meninos.
Encoprese não é uma doença, mas sim um sintoma que pode ter diferentes causas. Para entender encoprese, é importante também entender a constipação.

O que é constipação?
Constipação é um problema muito comum entre as crianças. Uma criança é considerada constipada quando ela tem menos de três evacuações por semana, além da dificuldade em ter o movimento de entranhas, ou quando as fezes são duras, secas e invulgarmente grande. Quando a criança experiência pela primeira vez a dolorosa fezes dura, ela em seguida, realizar movimentos com seus esfíncteres (válvula muscular que controla a passagem de fezes para fora do ânus) para impedir sentir a dor novamente. Isso cria um ciclo que faz a constipação continuar e tornar-se pior, que por sua vez, ocorre uma grande impactação fecal.

E como começa a Encoprese?
Quando ocorre a impactação da grande massa de fezes, inicia o vazamento ao redor, sem a criança perceber ou ser capaz de mantê-lo dentro, pois os nervos não estão mais enviando os sinais que regulam a defecação.
Para ocorrer essa impactação, é necessário entendermos melhor porque ocorre o primeiro cocô duro? O que será que aconteceu?
Há diversas formas de responder esta questão como dietas inadequadas, doenças, estilo de vida, diminuição da ingestão de líquido, medo do vaso sanitário durante o ensino do toalete, retirada da fralda precoce, acesso limitado ao banheiro, eventos estressantes da vida, transtorno desafiador opositor. Seja qual for a causa, uma vez que a criança começa a segurar o cocô, este se acumula no cólon e começa um ciclo vicioso. Há casos em que a encoprese não ocorre em decorrência da constipação, é necessário um medo extremo, um trauma que desencadeia a encoprese.
O que é importante saber em relação a Encoprese?
É importante lembrar que o vazamento de fezes ocorre de forma involuntária, a criança não controla os acidentes que normalmente acontecem. Muitas pessoas acreditam erroneamente que é uma questão de comportamento como uma simples falta de autocontrole. Familiares acabam punindo a criança de diferentes formas como meio de conter esta birra.

Qual a conseqüência da Encoprese nas crianças?
Há efeitos significativos no desenvolvimento da criança encoprética, por seus efeitos negativos sobre a convivência dela com outras crianças e com a própria família. Muitas crianças acabam sentindo-se envergonhadas perante os outros e consequentemente elas se isolam, ficam irritados com facilidade e ocorre a baixa auto estima. As idas a escola são humilhantes e as atividades extras vão se restringindo cada vez mais. A intervenção de um psicólogo é necessário pois toda a situação de um encoprético causa problemas emocionais ou comportamentais.
Os pais muitas vezes são frustrados pelo fato de que seu filho parece não se incomodar com estes acidentes, que ocorrem durante as horas de vigília ou em momentos de estresse. A negação pode ser uma razão para a indiferença da criança pois elas simplesmente não conseguem enfrentar a vergonha e a culpa associada com a condição (alguns até tentam esconder as suas cuecas sujas de seus pais). Outra razão pode ser mais científica: Porque o cérebro finalmente se acostuma com o cheiro de fezes, a criança pode não notar o odor.
 
O que é importante no tratamento da encoprese?
A palavra chave é Paciência. O sucesso do tratamento de encoprese depende do apoio que criança recebe. Os pais devem ser solidários e se abster de críticas ou desânimo. Mostrar lotes de amor, apoio e garantir a seu filho que ele não é o único no mundo com este problema. Com o tempo, compreensão e um tratamento adequado, o seu filho pode superar encoprese.

Saiba que a maioria das crianças responde ao tratamento.

Por:Simone Barbosa Pasquini

Curiosidade: Segure a onda: Autocontrole depende de uma recompensa futura e até mesmo de sua genética


Capa da revista sobre a reportagem que menciono


O Terapeuta Analítico Comportamental Rodrigo Nunes Xavier, da Equipe Psicologia e Ciencia, participou de uma matéria da Revista Galileu, muito interessante que relata sobre o autocontrole.




“Autocontrole depende de uma escolha que custa perdas momentâneas, mas promove uma recompensa a longo prazo.”
“É como negar um bolo agora para ter um corpo bonito depois ou deixar de brigar com o namorado para manter um relacionamento estável.”

Para quem se interessar: Revista Galileu

Adolescente e a internet - Proteja seus filhos com uma boa conversa


No domingo, li o Jornal Estado de São Paulo, mais precisamente a parte Comportamento e logo na capa estava escrito: "Autoexibição de adolescentes na web ganha audiência e desafia autoridades". A reportagem conta que este é um caso entre centenas que ocorre no mundo virtual e essa situação é tão nova que as autoridades não sabem como combatê-las.

No mesmo domingo, assisti uma reportagem no Fantastico: "Fiquei apavorada, diz adolescente filmada seminua na internet". Reportagem que relata um casal de adolescentes em cenas de carícias ousadas transmitidas ao vivo, pela internet.

Mais uma vez é visível que este problema na relação entre adolescentes e internet não se limita a famílias desestruturadas, mas sim a jovens que tem acesso ilimitado a rede.

Sabemos que a internet é envolvente, seduz qualquer pessoas pela facilidade de informação, curiosidade e muito mais coisas que ela pode nos proporcionar. Se isso é oferecido para nós adultos, imagine o que um adolescente curioso, onipotente e que não pensa nas consequências de seus atos pode conseguir na rede.

Estamos em um momento delicado, em que a repressão não adianta, por isso uma boa conversa com seu filho, expor suas preocupações, vale mais a pena que uma censura.

Por: Simone Barbosa Pasquini